Arquivo

Archive for the ‘Top 10’ Category

Melhores do ano: Parte 4

30 dezembro 2010 4 comentários

Como prometido, aí vão as dez grandes cenas de 2010 de acordo com o “Letters from Louis”:

.

10. Harry e Hermiona dançam em “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”

Cena de inesperada candura que se posiciona entre os momentos mais genuínos da saga.

.

9. Os créditos iniciais de “Zumbilândia”

Atestando o tom do filme desde os primeiros minutos, ao som de Metallica.

.

8. Nic canta Joni Mitchell durante um jantar em “Minhas Mães e Meu Pai”

Um show de Annette Bening em cena crucial dessa comédia dramática.

.

7. Mark Zuckerberg responde ao advogado em “A Rede Social”

Jesse Eisenberg dispara o texto de Aaron Sorkin com a ferocidade de um grande ator.

.

6. Nascimento toma controle da operação em “Tropa de Elite 2”

A cena que arrancou aplausos espontâneos em todo o Brasil.

.

5. A luta no hotel em “A Origem”

Sequência de luta enquanto a gravidade oscila. A desenvoltura de Joseph Gordon-Levitt, que dispensou dublês em todas as manobras, e a trilha grandiosa de Hans Zimmer ajudam a criar o efeito.

.

4. Soluço leva Astrid para um vôo em “Como Treinar Seu Dragão”

Beleza simples e pura. Não deve em nada para o vôo mais famoso da animação, o passeio de tapete de Aladdin e Jasmine.

.

3. Mary justifica seus atos em “Preciosa – Uma História de Esperança”

Mo’Nique, em atuação assombrosa, testemunha sobre os abusos físicos e sexuais que a filha sofreu sob o seu teto.

.

2. Andy se despede dos brinquedos “Toy Story 3”

O desfecho emotivo, inevitável e perfeito para a trilogia.

.

1. Perseguição no estádio em “O Segredo dos Seus Olhos”

Um plano-sequência sem cortes aparentes, concebido por uma equipe em pleno domínio da técnica. De cair o queixo!

.

Não deu para encaixar, mas merecem menções honrosas: Colin Firth recebendo a notícia da morte do parceiro em “Direito de Amar”; a passagem do bilhete em “Escritor Fantasma”; a explosão em câmera lenta em “Guerra ao Terror”; o breve encontro de Michael Douglas e Charlie Sheen em “Wall Street 2”; o final de “Um Homem Sério”. E o que mais?

Anúncios
Categorias:Cinema, Top 10

Melhores do ano: Parte 3

29 dezembro 2010 3 comentários

Chegamos aos top 10 filmes de 2010, com breves comentários sobre os escolhidos. Vamos lá:

.

10. Scott Pilgrim contra o Mundo

Uma verdadeira sinestesia. Saturado de elementos, o filme tem um pouco da HQ honônima que serviu de inspiração, um tanto dos videoclipes, mais ainda dos videogames, um bocado dos mangás e uma pitada da linguagem televisiva. O diretor Edgar Wright conseguiu condensar com sucesso o que seriam artifícios dispersos e conflitantes, criando uma identidade unificada para o longa e estabelecendo uma lógica interna coerente para uma história que flerta com o absurdo.

.

9. As Melhores Coisas do Mundo

Com o tempo, só aumentou minha admiração por esse autêntico retrato da juventude, que resultou no melhor trabalho de Laís Bodanzky. “Tropa de Elite 2” merece uma menção honrosa: foi o filme certo na hora certa e estabeleceu uma conexão absurda com o público. Mas, como só havia espaço para um filme nacional e sem opções de limar nenhum dos outros nove finalistas, a vaga para “As Melhores Coisas do Mundo”, que merecia muito mais reconhecimento do que veio a receber, é nada menos que justa.

 .

8. Mary & Max: Uma Amizade Diferente

Excelente e tocante animação australiana, dublada à perfeição por um time de feras. Ainda que o diretor, roteirista e designer Adam Elliot já tenha um Oscar no currículo (de Melhor Curta Animado, por “Harvie Krumpet”, que dizem ser muito similar a este aqui), nada me preparava para o alcance do enredo e as particularidades de sua realização. Certamente diferente, curioso, talentoso e memorável, o filme é daqueles que encanta, que fica conosco, que dá vontade de recomendar para todo mundo e de rever mesmo após tendo acabado de assistí-lo.

7. O Segredo dos Seus Olhos

Filme belo, honrado e totalmente merecedor do Oscar de Produção Estrangeira (por mais difícil que seja para um brasileiro elogiar um produto argentino). Em geral, “O Segredo dos Seus Olhos” é excelente como thriller e ainda melhor quando ganha contornos mais intimistas – ou seja, sempre que se apóia nas lembranças (nem sempre exatas) e nos ressentimentos do protagonista, que sofisma sobre um grande amor que deixou escapar.

6. Kick-Ass: Quebrando Tudo

Se não é a melhor adaptação de super-herói já feita, ao menos é a mais diferente e original, tirando sarro das convenções das HQ’s e ousando como poucos filmes americanos recentes (como exemplo, a personagem Hit Girl, uma garotinha que fala palavrão e mata traficantes à tiros e facadas, seria inconcebível numa fita menos corajosa). Engraçado, descolado e delicioso.

.

5. Toy Story 3

Um desfecho honorável para uma das melhores trilogias que o cinema já viu. Essa terceira parte é especialmente nostálgica para quem viu os primeiros filmes em sua época de pré-escola, e que agora reencontra os personagens – brinquedos que ganham vida quando não estão na presença de humanos – numa fase em que se identifica com as dores do crescimento. Além da conexão emocional, o filme é tecnicamente primoroso, no padrão de profissionalismo da Pixar.

.

4. A Rede Social

Direção competente, roteiro ferino, atuações que transcendem o limite da ficção, e um tema tão atual e necessário que, além de servir a um primoroso desenvolvimento dos personagens, abrange questões universais. Na essência, este é um filme sobre um grupo de pessoas que, por uma união de brilhantismo e oportunidade, lideraram uma das inovações que redefiniram o mundo e se inebriaram com aquilo que conquistaram. Com méritos, o grande favorito ao próximo Oscar.

.

3. A Fita Branca

Um triunfo técnico que fala ao público por muito além de seus méritos cinematográficos, “A Fita Branca” me causou uma impressão fortíssima quando o assisti pela primeira vez na Mostra de São Paulo de 2009. Após uma revisão, o filme não só se confirmou, como cresceu em todos os aspectos. Na trama, o austríaco Michael Haneke contempla uma aldeia alemã num período crucial da História do país: os anos que antecederam às Guerras Mundiais, nas quais os personagens desempenhariam função importante. É o registro de um certo modelo de vida que, quando incentivado, pode ter consequências catastróficas – e é também um olhar acusatório que fará com que muitos de nós vistamos a carapuça.

.

2. Como Treinar Seu Dragão

“Como Treinar Seu Dragão” é a melhor animação já realizada pela DreamWorks, totalmente desprovida dos vícios que costumam banalizar os desenhos do estúdio (que, em geral, se apoiam num humor paródico e datado, emprestado de reality shows e fofocas de celebridade). Este, ao contrário, é uma belíssima adaptação de um livro infantil, modelada para agradar a todos os públicos. É a história de um viking franzino que faz amizade com um dragão, contrariando a tradição da sua aldeia de abater as criaturas (o roteiro, porém, não ameniza os riscos dessa relação, ignorando a rede de proteção que costuma amparar os personagens infantis e se permitindo opções corajosas). O plot prosaico e derivativo não antecipava o frescor e desvelo com que os temas propostos seriam desenvolvidos. Favorecido ainda pelo visual estonteante e por uma fabulosa trilha sonora, “Como Treinar Seu Dragão” é o mais próximo que a DreamWorks chegou do nível de qualidade Pixar – e, dessa vez, a deixou para trás.

.

1. A Origem

Do primeiro ao último plano, a ficção científica “A Origem” exige da plateia atenção e comprometimento para que não se confundam as indas e vindas da trama, todas calcadas e justificadas na lógica interna do filme. O diretor Christopher Nolan casa a habilidade de orquestrar e coreografar cenas de ação (que exercitara nos dois “Batman”) com o jogo psicológico de seus projetos mais intrigantes (“Amnésia” e “O Grande Truque”). Basicamente, vai um degrau acima de onde tinha ido antes e consolida a reputação de ser um cineasta que fala ao grande público sem subestimar sua inteligência. Fechou 2010 como o filme que eu vi mais vezes no cinema em toda a vida: dez sessões contadas. Em todas as quais, a impressão de que estava diante de uma obra-prima se confirmou.

.

É isso! Logo mais, as grandes cenas do ano e o placar final de “medalhas”.

Categorias:Cinema, Top 10

Top 10: Piores do ano

25 dezembro 2010 12 comentários

Antes da lista dos melhores do cinema em 2010, há de haver, também, a dos piores filmes que chegaram ao Brasil nesse ano de acordo com o “Letters from Louis”. Eis os “vencedores”:

.

10. O Príncipe da Pérsia

Surgiu com a intenção de se tornar uma franquia tão poderosa para Disney e Jerry Bruckheimer quanto foi (e é) “Piratas do Caribe”. Mas Jake Gyllanhaal não é nenhum Johnny Depp, e a fita em si é bagunçada e mal estruturada, longa demais para o que se propõe, abarrotada de personagens imbecis e previsível do primeiro ao último frame.

.

9. Um Olhar do Paraíso

Peter Jackson dá seu primeiro passo em falso. Tenta adaptar para as telas um livro pesado e díficil, mas ameniza tanto o enredo que tira todo o propósito da ação. O preço por essa infelicidade é um filme frio, sem clima e sem tensão, onde todas as tentativas de emocionar não se concretizam. Ao se voltar para o assassinato e pós-vida de uma garotinha, resulta fraco ao explorar o luto do núcleo familiar, insatisfatório na investigação policial, e nulo quando se volta para o plano espiritual.

.

8. Idas e Vindas do Amor

Com altíssimo número de estrelas por metro quadrado, essa comédia romântica ambientada no Dia dos Namorados americano foi bem de bilheteria, mas nem por isso é digna de nota. Seguindo o esquema de personagens múltuplos, cínicos e apaixonados têm espaço no filme, mas são todos retratados da maneira mais preguiçosa que se possa imaginar. Fica faltando, também, um beijo gay entre o casal bafo Eric Dane e Bradley Cooper.

.

7. O Caçador de Recompensas

Um tiro no pé de Jennifer Aniston, que não é uma má atriz, e foi se unir com o canastrão Gerard Butler, que não é bom em nada. Nessa comédia romântica fútil e sem-graça, os dois formam um casal divorciado que redescobre o amor frente a uma espiral de confusões. Que Jennifer não tarde a perceber que está se desperdiçando em projetos babacas e dê uma guinada na carreira outrora promissora.

.

6. Vírus

No ano em que os zumbis voltaram à moda, “Vírus” veio para lembrar que nem tudo que tem a ver com mortos-vivos é garantia de sucesso. Trata-se de um filme insípido, sem densidade ou intensidade e incapaz de definir a história que está contando. Evitem a todo custo.

.

5. O Lobisomem

Uma fita lúgubre, escura, ultrapassada e insuportável protagonizada por Benício Del Toro. Quando acerta, ele é o melhor ator do mundo; quando erra, é um preguiçoso de aspecto macilento e embriagado (as olheiras salientes também não contribuem para sua imagem). A maquiagem que o transforma em lobo é deficiente, os efeitos beiram o amadorismo e até a reconstituição de época é nada mais que neutra. O resultado é decepcionante para os que esperavam grande coisa e banal para os que sempre tiveram um pé atrás.

.

4. Alvin e os Esquilos 2

Dá para encarar como um programa familiar inofensivo, mas numa análise mais racional, não tem como ignorar o fato de “Alvin e os Esquilo 2” ser um filme muito, muito ruim. Segue exatamente as mesmas fórmulas do primeiro (aliás, parece estar contando a mesma história), inclusive regravando sucessos descartáveis da música pop nas vozes de taquara dos esquilos-cantores. Quem rangeu os dentes no anterior pode se poupar o constrangimento dessa vez.

.

3. Sex and the City 2

O pior filme americano de 2010. A continuação surgiu atrelada à boa bilheteria do primeiro filme e sem qualquer propósito além de converter a franquia em mais dinheiro para o estúdio. Afinal, não há para onde levar a trama e algo mais a ser dito sobre as personagens, que se transformam por completo nas caricaturas que a série de TV impedira que se tornassem. Curioso, também, que “Sex and the City 2” tem quase nada de sexo e de cidade. Que horror.

.

2. High School Musical – O Desafio

A Disney precisa perder o hábito de refazer suas franquias de sucesso em países estrangeiros, com elenco e produção local. Já tinham errado ao refilmar a série “Desperate Housewives” na Argentina, primeiro em castelhano e depois em português, com atores brasileiros deslocados nos papeis. Agora inventaram de adaptar “High School Musical” para a nossa realidade, ambientando a trama no Rio de Janeiro e escalando jovens revelados por um programa de TV. O resultado, obviamente, é uma ficção caramelizada e puerill, para não dizer ridícula.

.

1. Amor Por Acaso

Mesclar num mesmo filme o profissionalismo do cinema americano e a verve indissolúvel dos brasileiros é, em teoria, um raciocínio válido. Na prática, nem tanto. É o que prova a comédia romântica “Amor Por Acaso”, co-produção entre Brasil e Estados Unidos dirigida por Márcio Garcia e protagonizado por Juliana Paes. Essa miscigenação só herdou das comédias ianques o que há de mais batido e ultrapassado, e do cinema brasileiro, a canastrice que frequentemente o assola. Uma tortura!

.

Pelo segundo ano consecutivo, os primeiros colocados da lista dos piores vêm do Brasil (em 2009, elegi “Do Começo ao Fim” e “Salve Geral”). Até quando, eu pergunto?

*

Feliz Natal, querido leitor!

Categorias:Cinema, Top 10

Top 11: Pixar

Com a estreia de “Toy Story 3”, a Pixar comemora o maior desempenho de um dos seus filmes nas bilheterias (foram mais de 100 milhões arrecados só nos Estados Unidos durante os três primeiros dias de exibição). Completa, também, a marca de onze longas-metragens produzidos, sendo que nenhum estaciona em algo abaixo de mediano. Pelo contrário: são filmes bons, ótimos ou excelentes, e organizá-los numa lista como fiz abaixo – mencionados do pior para o melhor – se provou um desafio de proporções épicas. São todos tão bonitos e tão acima do padrão das fitas americanas que é difícil comparar e escolher o mais especial. Correndo o risco de parecer injusto, aí está o top 11 do “Letters from Louis” com todas as animações da Pixar:

.

11. Carros

O mais inferior do estúdio, “Carros” tem uma trama plana e gasta, com o diferencial de que os seus personagens são automóveis humanizados. O maior problema nem é a previsibilidade do roteiro, e sim as lições óbvias que nada tem a ver com o caráter da Pixar. Os demais filmes do estúdio costumam expor seu ponto de vista com sutileza, sem entregar morais mastigadas ou dar a impressão de que querem ensinar alguma coisa ao público. Apesar dos personagens serem muito bem desenhados, o filme não empolga por completo.

.

10. Vida de Inseto

Assisti quando era pequeno e obviamente adorei, mas encarando o filme com mais maturidade, e colocando-o frente aos outros da Pixar, dá para perceber que faltam requintes nessa história do formigueiro ameaçado por uma gangue de gafanhotos. Os insetos circenses que chegam para ajudar as formigas geram os momentos mais inspirados.

.

9. Wall.E

O primeiro ato de “Wall.E” dispensa qualquer diálogo para introduzir os espectadores a um devastado planeta Terra e ao robozinho incumbido da tarefa de coletar o lixo que se empilha ao tamanho de edifícios. Um pouco da magia se esvai quando o destino da raça humana é finalmente revelado, mas nada que comprometa a grandiosidade da empreitada e a nossa capacidade de admirá-la.

.

8. Toy Story 2

Continuação que foi inicialmente planejada para home video, mas lançada nos cinemas com imenso sucesso. Feito com o mesmo capricho do anterior, “Toy Story 2” se destaca pelo bom aproveitamento dos personagens originais e ainda pelas ótimas adesões. A sequência em que a boneca Jessie recorda ter sido abandonada ao som de Sarah McLachlan se manteve por muito tempo como a mais emotiva da Pixar.

.

7. Procurando Nemo

Pode parecer estranho encontrar “Procurando Nemo” tão acima nesta lista, já que conta com uma das melhores criações do estúdio – a peixe desmemoriada Dory – e com grandes momentos de comédia. Mas perto da competição, há de se reconhecer que a fita, apesar de abarrotada de coadjuvantes pitorescos, tem problemas mínimos em sua estrutura (a ação no oceano é intercalada com a ação dentro do aquário sem muito balanceamento). Ainda assim, foi um dos mais notáveis exemplares daquele ano.

.

6. Monstros S.A.

Talvez o plot mais criativo da Pixar, “Monstros S.A.” gira em torno dos monstros que saem dos armários das crianças na calada da noite. Na verdade esses monstros são funcionários de uma fábrica que converte os gritos das crianças humanas em energia. E o medo é recíproco – eles também ficam apavorados ao encarar os pequenos. O trio formado pelo gigante Sully, pelo baixinho em forma de olho Mike Wasowski, e pela garotinha Boo é um dos mais queridos do Cinema.

.

5. Toy Story 3

Revi na noite passada, desta vez em sessão legendada, e reitero os elogios que fiz na Sexta-feira. Um desfecho perfeito para a trilogia, com timing cômico impecável e animação de encher os olhos (todos os personagens, mesmo aqueles que faziam parte dos capítulos anteriores, foram redesenhados do zero). Reforço, também, que o curta exibido antes do filme – “Dia & Noite” – é extraordinário.

.

4. Os Incríveis

Um dos melhores filmes de super-herói já feitos, “Os Incríveis” foi o primeiro longa da Pixar protagonizado por humanos. Seu ponto de partida não é lá muito original: heróis são forçados a reprimir seus poderes e a viver como cidadãos comuns devido a uma burocracia do governo. A execução, no entanto, é perfeita, com ação e comédia bem equilibrados, e o bônus de uma coadjuvante hilária – a estilista Edna Moda, dublada pelo próprio diretor Brad Bird.

.

3. Up: Altas Aventuras

Foi ousado terem colocado um velhinho no papel principal de um filme infantil, mas acho que ousadia é servida no café da manhã dos artistas da Pixar. “Up” tem tanto a dizer aos adultos quanto às crianças, numa brilhante e melancólica história sobre valorizar os pequenos momentos da vida. Há duas sequências antológicas: uma logo no comecinho, quando resumem em poucos minutos uma vida inteira de casados, e outra mais para o final, quando o protagonista encontra um álbum de fotografias montado pela esposa que faleceu.

.

2. Toy Story

O primeiro longa-metragem em animação computadorizada sobrevive aos quinze anos de seu lançamento. Por mais que a tecnologia tenha avançado desde então, “Toy Story” está longe de ficar obsoleto. Não tem as riquezas de detalhes dos longas mais recentes da Pixar, mas deslumbra pelo tanto que foi feito para as condições de sua época, e pelo roteiro que, repleto de boas sacadas, acerta quando se volta para a imaginação de uma criança frente aos seus brinquedos.

.

1. Ratatouille

Só mesmo a Pixar para nos fazer aturar ver um rato na cozinha! No mais bem acabado de seus longas, um desastrado faxineiro é promovido à categoria de um dos melhores chefs da França – tudo graças a um rato de bueiro que, com seu verdadeiro faro para a arte de cozinhar, o instrui na elaboração das melhores receitas. O ato final, com a avaliação sincera de um crítico gastronômino intransigente, é possivelmente o maior triunfo do estúdio. Ele diz que uma obra, seja ela qual for, estará sempre acima do que possa ser dito sobre ela. No caso de “Ratatouille”, o que pode ser dito é “genial”.

.

Agora é sua vez. Diga como ficaria o seu ranking.

Categorias:Cinema, Top 10

Top 10: Motivos para ver O Despertar da Primavera

Nós fomos ensinados a odiar o pecado e a amar o pecador. Em “O Despertar da Primavera” – que, como não me canso de dizer e recomendar, é uma das experiências mais superlativas que já tive no teatro -, esta teoria é posta a prova na sufocante sociedade germânica do final do século XIX. Vítimas dos conceitos e preconceitos de um mundo tétrico e infeliz, um grupo de jovens terá de fazer as pazes com seus hormônios em ebulição (o mais bacana: as canções em que esses conflitos se convertem tem um pé fincado no rock, técnica infalível para se comunicar com os jovens dessa geração). Aos paulistanos que ainda não conferiram, por preguiça ou falta de informação, tentarei destrinchar um pouquinho da trama e dos personagens. Cada qual carrega certa verdade, ou traços de fácil identificação em suas personalidades. E todos, sem exceção, são responsáveis pelo verdadeiro amor que passei a nutrir pelo musical. Os dados cruciais você já viu no blog: foi importado da Broadway pelos craques Charles Moeller e Cláudio Botelho, e está em cartaz em São Paulo, de Sexta a Domingo no Teatro Sérgio Cardoso (saiba mais aqui). Pela falta de patrocínio, deve encerrar a temporada em 02 de Maio, apesar da recepção do público estar sendo boa. Você que ainda não viu, a chance é esta, o momento é já! Sem mais delongas, aí vão dez motivos para amar “O Despertar da Primavera” (em ordem aleatória):

.

– Melchior –

Pierre Baitelli, de 26 anos, vive Melchior, um garoto de 15, extremamente inteligente e avançado para a idade. O que ninguém lhe explicou ele aprendeu por conta própria, sempre tendo os livros como mentores. No processo, passou a desacreditar em Deus, a compreender questões de teor sexual que seus colegas apenas desconfiam, e a ter uma visão muito clara das hipocrisias que o rodeiam. Mas não tem para onde canalizar esse potencial. Anota seus pensamentos num diário particular que carrega para todo canto, mas não pode dividi-los com mais ninguém. Vez ou outra tem a petulância de contradizer um professor, e acaba sendo repreendido, impedido de expressar as opiniões e privado do direito de uma vida plena. Todo o conhecimento que possui também não o impede de ser ingênuo, e de tomar pelo menos duas atitudes mal pensadas, que terão consequências graves e irreversíveis. Ao final, Melchior está mais amargo, porém não mais duro. Ele carrega fardos que ninguém deveria ter que carregar, mas essas, digamos, “cicatrizes de guerra” são o que o motivam a prosseguir e a lutar por um futuro melhor. E sem cair no clichê.

.

– Wendla –

Quando conhecemos Wendla, uma garota de boa família na faixa dos 14 anos, ela está explorando com curiosidade as novas curvas de seu corpo. Segundo a mãe, Wendla está “desabrochando”, o que significa que terá de mudar o vestuário, e abandonar os vestidos leves e folgados em pró dos mais fechados e comportados. Mas com a idade vem também questionamentos, quando o mundo que nos foi apresentado quando éramos crianças parece ir muito mais além do que nos foi dito. Ao descobrir que se tornou tia, Wendla resolve perguntar à mãe de onde vem os bebês (a justificativa da matriarca – de que os recém-nascidos eram trazidos por cegonhas – não colava mais). Encabulada, a mãe inventa outra explicação tão irreal quanto a anterior para encobrir o assunto. Tudo para preservar este universo de conto-de-fadas em que Wendla parece viver. Só que isso já não basta para a menina. Ela sente um vazio interno, ainda mais quando confrontada com problemas de uma seriedade que desconhece (como quando descobre que uma amiga apanha do pai). Para completar, vai se aproximar de Melchior Gabor, com quem brincava desde pequena, mas a quem passou a ver com outros olhos depois de mocinha. Diante de Melchior, Wendla se vê surpresa por um sentimento que não compreende e que não sabe administrar – mas do qual também não consegue se desligar. Basta uma imprudência para que as coisas que Wendla não sabe voltem para assombrá-la. E uma heroína que tinha tudo para ser banal e irritante passa a importar para o público num nível pessoal. Aplausos para Malu Rodrigues, de 16 anos, que encontrou o tom e se entregou corajosamente ao papel.

.

– Moritz –

O personagem rendeu a John Galagher Jr, o intérprete original, o prêmio Tony de Melhor Coadjuvante, e também está garantindo reconhecimento ao intérprete brasileiro. É um grande momento de Rodrigo Pandolfo, que chega a roubar a cena com seus histrionismos bem calculados. Pudera: Mortiz é o sonho de qualquer ator. É um rapaz ansioso e histérico, que tem dificuldade de articular seus sentimentos em palavras, e que não está preparado para ingressar no mundo adulto, tampouco para lidar com as cobranças que lhe fazem. É um aluno irregular, daqueles que cochilam na aula de Latim, e acima de tudo, um garoto que não entende o que os seus hormônios querem lhe dizer. Ele se assusta com os sonhos eróticos, com as ereções involuntárias e com o gozo que chega quando menos espera. Quando Melchior lhe explica a absoluta normalidade desses casos, Moritz não se tranquiliza – só se apavora ainda mais. Foi criado para acreditar que contato carnal é pecado, e a ideia de se aproximar de uma mulher dessa maneira está acima da sua capacidade. Ele periga sucumbir à pressão dos pais, dos educadores e da Igreja, no que tudo indica ser um desfecho trágico. O que nos faz pensar que, por mais voltas que o mundo tenha dado desde então, ainda existem milhares de Moritz por aí – jovens incompreendidos e taciturnos, que só precisam de alguém para lhes assegurar que vai ficar tudo bem.

.

– Ilse –

Acuada pelos abusos físicos e sexuais que sofria por parte do pai, Ilse saiu de casa com uma mão na frente e outra atrás (ou cobrindo os seios, como o momento é encenado nessa versão). Passou a viver na rua, dormindo em sarjetas e se refugiando ocasionalmente com artistas e outros estorvos sociais da época. Apesar de transparecer a vulnerabilidade, encontrou forças para se rebelar, dar um basta na violência doméstica e encarar as consequências disso. A alternativa é igualmente sofrida, tortuosa e impiedosa, mas ela consegue – quase que por milagre – preservar intacta a sua humanidade, a sua ternura e seu calor. Um papel complexo e matizado, com emoções que Leticia Colin sabe transmitir com precisão.

.

– Ernst & Hanschen –

Num dos pontos altos do musical, tanto pela abordagem intimista quanto pelas investidas cômicas, dois rapazes – o prepotente e arrogante Hanschen e o tímido e afeminado Ernst (Thiago Amaral e Felipe de Carolis, respectivamente) – trocam beijos e carícias sob o céu estrelado. É um momento pessoal e único, que ambos sabem que não poderá se repetir (“Vamos lembrar desta noite daqui há 30 anos”, diz Hanschen). Obviamente um relacionamento homossexual seria inadmissível naquela sociedade, e Hanschen deixa muito claro que é um homem vendido ao sistema (uma vez que aqueles que lutavam contra ele, como Moritz e Melchior, estavam fadados ao ostracismo). Neste instante de intimidade, ao menos um deles – Ernst – baixa totalmente a guarda e expõe seus sentimentos mais profundos. Já o outro é mais resistente. Hanschen tem uma lucidez muito grande a respeito de suas opções (ou da falta delas), e dirige-se ao amigo com superioridade, quase lhe tratando como criança. Seria fácil nos antipatizarmos com ele, mas tudo é tão bem conduzido que acabamos entendendo a armadilha em que se encontra, e os mecanismos de defesa que usa para se encaixar no mundo. Ao final, percebemos que Hanschen não é digno de ódio – é digno de pena.

.

– Martha –

De todas as ramificações de “O Despertar”, a história de Martha deve ser a mais arrebatadora. Assim como Ilse, ela apanha do pai e é em seguida molestada por ele (um abuso constante, ao qual a mãe alcoólatra é alheia ou indiferente). Só que Martha não tem a auto-confiança de Ilse, ou coragem de tomar qualquer atitude. Denunciar o pai só poderia prejudicá-la ainda mais. Sem o apoio da mãe, e sendo os castigos físicos habituais naquela época, as chances eram de que o pai acabaria inocentado, e ela expulsa de casa. Estagnada nesta aspiral de caos e violência, Martha se retrai, se envergonha pela situação em que se encontra e reluta em compartilhá-la com as amigas (elas só saberão da verdade quando Martha deixa escapar num impulso). Fica, porém, a esperança de que aquela menina tão judiada possa ter conservado certa pureza e inocência – como quando a vemos brincando e conversando frivolidades com as outras garotas, parecendo tão intacta quanto todas as demais de sua idade (embora não fosse). A atriz Laura Lobo talvez seja o maior achado do elenco. Magrela e baixinha, ela parece a externalização da fragilidade, mas chega com força impressionante em seu número “Um Escuro Sem Fim”. E não se engane pela aparência: Laura constrói Martha de dentro para fora, e não ao contrário.

.

– Os Adultos –

Os ilustres Eduardo Semerjian e Débora Olivieri se revezam entre todos os papeis adultos do musical (nove para ele, cinco para ela). Esse artifício foi mantido da montagem original na Broadway, e é uma sacada bem eficiente e interessante. Ao usar dois intérpretes para substanciar as várias figuras de autoridade, atestam que nenhum deles conseguia se comunicar com os jovens (em outras palavras, que são farinha do mesmo saco). Mas vão além, dando a cada qual motivações próprias e impedindo que se tornem arquétipos. Ora, os pais de Melchior pareciam inteiramente bem-intencionados, dando ao menino espaço para fazer descobertas e tirar suas conclusões. Infelizmente, aquele ambiente opressor não estava preparado para uma relação aberta entre pais e filhos, e Melchior acabará pagando por isso. Em pensar que hoje há essa possibilidade de diálogo, e que muitas vezes não aproveitamos… A mãe de Wendla também tem bom coração, embora peque pela ignorância. Por mais que tenha sido embaraçoso ouvir a filha lhe perguntar sobre sexo, enganá-la para não ter de explicar a verdade revela um terrível grau de imaturidade da parte da mãe – e também será a Wendla que pagará pelo erro. Já os professores que se sentem ameaçados pelas liberdades que a nova geração está tomando simbolizam um conservadorismo surpreendentemente atual. Quantos se queixam em pleno século XXI da falta de valores dessa molecada, sem fazer o mínimo esforço para entendê-la?

.

– Os Outros –

Ainda que nem todos os personagens tenham tempo em cena para serem conhecidos a fundo, todos os membros do elenco de apoio estão dentro da proposta. Não dá pra dizer que um esteja mais afiado que o outro – todos estão conscientes da sua responsabilidade no espetáculo, inclusive os três protagonistas, que sequer tentam ofuscá-los (aliás, eles também terão seus momentos de coadjuvantes e figurantes, conforme o exigido). É um trabalho de equipe, enfim. Graças à liberdade criativa de que os diretores usufruíram, novos personagens puderam ser inseridos, e além daqueles interpretados por André Loddi, Bruno Sigrist, Estrela Blanco e Mariah Viamonte entraram os de Alice Motta, Clara Verdier, Eline Porto, Lua Blanco, Danilo Timm, Felipe Tavolaro, Gabriel Falcão e Thiago Marinho (alguns deles ensaiaram como substitutos dos personagens principais). Guarde esses nomes!

.

– As Canções –

As músicas originais de Steven Sater e Duncan Sheik ganharam o Tony e o Grammy em 2007. Pode se orgulhar de ser uma das únicas trilhas recentes a partir da Broadway tendo em sua raiz pop e rock da melhor qualidade (logo, não espere por aqueles floreios ultrapassados das operetas convencionais). Justamente por isso é tão agradável aos ouvidos dos mais jovens, que encontram a si mesmos nas letras (caso haja dúvidas, também é eficaz aos mais velhos). A versão nacional ganhou excelentes traduções de Cláudio Botelho, que manteve a sonoridade, o ritmo e a rima. O elenco chegou a gravar um CD, com resultado bastante profissional. Destaco “Um Escuro Sem Fim”, “Vento Triste”, “O Que Ficou Para Trás” e “Canção de Um Verão Vermelho”, a meu ver superiores às originais. Já as irreverentes “Nessa Merda de Vida”, “Se Fodeu” e a reprise de “Mama Me Explica” são as mais contagiantes e, sintomaticamente, as mais aplaudidas nas apresentações (as coreografias bem ensaiadas também contribuem).

.

– A Banda –

Das treze apresentações de “O Despertar” que assisti até agora, a banda foi sempre a mais aplaudida. E não é pra menos: os músicos ficam escondidos ao fundo do palco, revelados logo no comecinho e depois no número final. Incansáveis e sempre atentos às marcações, são alguns dos responsáveis por fazer a mágica acontecer!

.

Poderia falar ainda do cenário maravilhoso pelo qual eles se locomovem de maneira funcional, da iluminação genial que venceu o prêmio Shell nesta semana ou das comodidades do teatro. Mas acho que a essa altura, depois do mais longo post já publicado por este blog, já deu pra sacar o apreço que tenho por este musical. Recomendo como o programa obrigatório das próximas semanas para os leitores que ainda não viram – os que eu já consegui levar para uma sessão ficaram igualmente deslumbrados e até voltaram levando mais gente em busca de novas emoções. Esse é o efeito único de “O Despertar da Primavera” – uma peça que traz à tona o melhor de nós, com seu texto espetacular, seus personagens bem desenvolvidos, seus atores preciosos e suas canções que vamos saber de cor.

Categorias:Teatro, Top 10

Top 10: As mortes mais chocantes da TV

26 fevereiro 2010 16 comentários

Que saudade de montar um lindo top 10 para ser discutido com os leitores! Dessa vez, enumero – em ordem decrescente, para ficar mais emocionante – as mortes mais surpreendentes ou simplesmente tristes que testemunhei nesses muitos anos de fã das séries de TV. Foram milhares de episódios conferidos, e durante esse tempo, tive o desprazer de me despedir de muitos personagens queridos, mortos pelos roteiristas sem dó nem piedade (seja por problemas pessoais com os atores, seja pela necessidade de tal tragédia para que a trama progredisse). Obviamente, a lista está de acordo com os programas que eu vejo – logo, mortes super badaladas como a da mulher de Jack Bauer em “24 Horas” ou da Marisa de “The O.C.” não ganham espaço. Acompanhe o post com cautela para se preservar dos spoilers (embora praticamente todos da lista já tenham sido exibidos na TV brasileira, portanto não constituindo um estraga-prazeres). Vamos nessa:

.

10. Tara em “Buffy, A Caça-Vampiros”

A morte da namorada de Willow, por uma bala perdida cravada no peito, pegou todo mundo desprevenido, e botou fim ao casal lésbico mais adorado da História da TV. Foi imprescindível, porém, para a transformação de Willow de uma bruxa do bem numa bruxa das trevas revoltada e vingativa.

.

9. Judith em “Joan of Arcadia”

Num dos episódios mais dolorosos que já assisti, a melhor amiga de Joan é assassinada por traficantes – algo que, obviamente, abalará profundamente a protagonista e seus amigos, a ponto da primeira questionar sua própria fé. Um remédio amargo, mas necessário, considerando o estofo espiritual da série.

.

8. Chris em “Skins”

Antes de se tornar banal, a série inglesa “Skins” era conhecida como um retrato ousado e corajoso da juventude. Muito graças a esses elementos, a morte de um dos personagens na reta final da segunda temporada (e tudo o que se seguiu a isso, como a fuga da colega que encontrou o corpo ou o luto compartilhado pelo grupo) atingiu o status de inesquecível.

.

7. Amber em “House”

Quando fui apresentado à fria e calculista Amber no início da quarta temporada de “House”, se alguém me dissesse que eu choraria, meses depois, pela morte daquela bitch, eu riria da cara de tal pessoa. Pois essa morte foi tão bem justificada, e firmou tão bem o caráter da personagem (da mesma forma com que trouxe consequências sérias para os demais), que acabou me tocando muito!

.

6. Rita em “Dexter”

Os roteiristas foram cruéis com a esposa do personagem principal, justamente quando tudo parecia tranquilo e solucionado – mais ou menos as mesmas circunstâncias em que Teri Bauer foi assassinada em “24”. Um grande momento que elevou nossa percepção da discutível quarta temporada de “Dexter”.

.

5. George em “Grey’s Anatomy”

Tendo ou não matado a charada da identidade do Desconhecido, foi impossível não se comover com o desfecho de George, o loser que tanto nos tinha entretido em “Grey’s Anatomy”. Nos bastidores, a causa da morte foi a insatisfação do intérprete T.R. Knight com seu tempo em cena; na ficção, foi vítima de um atropelamento violento, que o deixou desfigurado e irreconhecível para os próprios amigos.

.

4. Christopher em “The Sopranos”

Considerada por muitos a melhor série de todos os tempos, “The Sopranos” evitava todo e qualquer artifício sensacionalista. Sequer reservava a morte dos personagens para os finais de temporada, como costumam fazer os outros programas. Esses grandes eventos vinham camuflados em episódios comuns – e ficamos arrepiados com os assassinatos de Ralph, Adrianna, e principalmente Christopher, o mais constante dos coadjuvante, descartado alguns capítulos antes do final definitivo.

.

3. Anna Lucía e Libby em “Lost”

A série é ponderada pela morte de personagens de destaque, mas nenhuma soou tão inesperada quanto à de Libby e Anna Lucía, assassinadas em conjunto por Michael sem que nada apontasse para essa solução. De arrepiar!

.

2. Nate em “Six Feet Under”

“Six Feet Under” foi a série que melhor lidou com questões sobre vida e morte. Os indícios do falecimento do protagonista na reta final da série vinham sendo plantados alguns episódios antes da concretização. Quando ocorreu, no entanto, foi nada menos que devastador – e abriu alas para um episódio magnífico, em que a família despedaçada lamenta a perda à sua maneira.

.

1. Buffy em “Buffy, A Caça-Vampiros”

No episódio “The Gift” – o centésimo da série e último da quinta temporada -, a heroína Buffy tem de se sacrificar para salvar o mundo de mais um apocalipse. Matar a personagem-título foi de uma bravura sem tamanho, por mais que a ressurreição seja perfeitamente possível no universo em que a história se situa. O encerramento com o túmulo de Buffy, onde se lê o epitáfio “Irmã amada, amiga devota, ela salvou o mundo várias vezes”, é de partir o coração e de deixar todo e qualquer seguidor indignado.

.

Algo mais a acrescentar?

Categorias:Top 10

Interpretações Masculinas – 00’s

30 dezembro 2009 9 comentários

Como prometido, aí está o top 10 de interpretações masculinas da década que se passou (considerando unicamente trabalhos no cinema):

.

10. John Cameron Mitchell – Hedwig em “Hedwig – Rock, Amor e Traição”

John Cameron Mitchell escreveu, dirigiu e compôs as canções de “Hedwig and the Angry Inch”, saindo-se muitíssimo bem em todos esses quesitos. Foi como ator, no entanto, que mais surpreendeu. Ele defende o papel principal com garra e acerto, de forma que acabamos favoráveis a um personagem difícil de simpatizar. Bem que poderia ter persistido na carreira!

.

9. Casey Affleck – Robert Ford em “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”

Brad Pitt entregou a melhor atuação de sua carreira em “O Assassinato de Jesse James”, mas todas as atenções se voltaram mesmo para Casey Affleck, o Robert Ford da segunda metade do título. Irmão mais talentoso de Ben, Casey convence como um rapaz perturbado e cheio de conflitos internos – um garoto medíocre que, motivado por sua mania de grandeza, assassina um dos criminosos mais temidos (e carismáticos) do Velho Oeste americano. Ponto extra: a cena na cadeira de balanço. Para ser aplaudida de pé.

.

8. Jackie Earle Haley – Ronnie J. McGorvey em “Pecados Íntimos”

Ex-ator infantil, Jackie Earle Haley voltou à cena em 2006 como o horripilante pedófilo de “Pecados Íntimos”. É a impressão mais forte do filme (que conta ainda com Kate Winslet em grande forma), daquelas que fica conosco depois da sessão, e que só se confirma cada revisão.

.

7. Heath Ledger – Coringa em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Há discordâncias sobre como catalogar a participação de Heath Ledger em “O Cavaleiro das Trevas”. Seu personagem, o vilão Coringa, não tem tanto tempo em cena, mas domina o filme com sua presença e se mantém o centro das atenções mesmo enquanto não aparece. Seja como for, é um dos trabalhos mais comentados da década – e justifica o hype. Pela interpretação, Heath ganhou uma infinidade de prêmios póstumos, incluindo o Oscar no começo do ano. Fará falta! (Formidável também em “Brokeback Mountain”).

.

6. Michael Fassbender – Bobby Sands em “Fome”

Ainda inédito no Brasil (a menos que tenha chegado direto em DVD e ninguém me avisou), “Fome” traz o notável Michael Fassbender (“Fish Tank”, “Bastardos Inglórios”) como Bobby Sands – um prisioneiro do IRA que conduziu uma greve de fome reivindicando o Status de Categoria Especial (que o definiria como um preso político e o diferenciaria de um criminoso comum). Uma entrega espantosa ao personagem, de corpo e alma.

.

5. Philip Seymour Hoffman – Truman Capote em “Capote”

Hoffman, que até outro dia era tido como um eterno coadjuvante, acabou se tornando o ator americano mais requisitado dos últimos anos. Sempre arrasa nos papeis que lhe são propostos, e “Capote” foi o atestado definitivo dessa competência. Na cinebiografia, ele capta com perfeição os trejeitos do escritor Truman Capote – sem se esquecer de matizá-lo no processo (ao contrário do que fez Jamie Foxx em “Ray”, essa sim uma pura imitação, sem nuances).

.

4. Paul Giamatti – Harvey Pekar em “Anti-Herói Americano”

Taí uma atuação diferente e precisa de Paul Giamatti, que pagou alguns micos no início da carreira (até porque tem um tipo exótico) antes de se firmar como um intérprete de respeito. Em “Anti-Herói Americano”, ele vive um cartunista rouco e cheio de manias (que aparece em carne e osso dando entrevistas, para confirmarmos de imediato que Giamatti o retratou com exatidão). Imperdível!

.

3. Chris Cooper – John Laroche em “Adaptação”

Trabalho soberbo, riquíssimo, lindo toda vida, de Chris Cooper. O filme é esquisito, diferente, e o personagem – um caipira banguelo e bebum, que transita da comédia para o drama numa única reação – não é pra qualquer um. Pois ele tira de letra!

.

2. Javier Bardem – Reinaldo Arenas em “Antes do Anoitecer”

Tivemos pelo menos três interpretações espetaculares de Javier Bardem nos últimos dez anos: o assassino frio de “Onde os Fracos Não Tem Vez” (pelo qual ganhou o Oscar de Ator Coadjuvante), o tetraplégico que lutava por seu direito de morrer em “Mar Adentro”, e o poeta cubano que se exila em Nova Iorque depois de anos de tortura em “Antes do Anoitecer”. Escolho este último para representá-lo nessa lista, mas os outros dois fazem o queixo cair da mesma forma.

.

1. Daniel Day-Lewis – Daniel Plainville em “Sangue Negro”

O filme é o meu favorito da década, e o trabalho hercúleo de Daniel Day-Lewis também fica no topo desta lista. Ele sempre foi excelente ator, e bastante sensato em suas escolhas. Proporcionou algumas das atuações mais memoráveis da década de 80 (“Meu Pé Esquerdo”) e 90 (“Em Nome do Pai”), e atinge o feito novamente nos anos 2000 com “Sangue Negro”. Sua carreira é tão consistente que fica difícil eleger seu melhor momento, mas ouso dizer que é por este aqui que ele mais será lembrado.

.

As menções honrosas vão para Haley Joel Osment (“A.I.”), Jamie Bell (um “Billy Elliot” muito bem escolhido), Sir Ben Kingsley (matando a pau em “Casa de Areia e Névoa”), Russel Crowe (anda gordo e acabado, é antipático, briguento, jogou um telefone no assistente e tal, mas também marcou como o matemático de “Uma Mente Brilhante”), Mark Ruffalo (inesquecível como o irmão de Laura Linney em “Conte Comigo”), Sean Penn (mais por “Milk” e “21 Gramas”, menos por “Sobre Meninos e Lobos”), o alemão Bruno Ganz (Hitler em “A Queda”). E quem mais, hein?

Categorias:Cinema, Top 10