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Archive for the ‘Literatura’ Category

Vaga-lume

8 dezembro 2010 7 comentários

A minha irmã caçula, que está se formando na quarta série, completou esses dias a leitura de “A Ilha Perdida” para uma prova do livro. A cópia acabou ficando aqui em casa e, numa sentada só, reli este que já foi o meu livro favorito de todos os tempos. Adorava toda a coleção Vaga-Lume e seus ilustres títulos infanto-juvenis, como “O Caso da Borboleta Atíria”, “O Mistério do Cinco Estrelas” e todos aqueles escritos pela Maria José Dupré, como “O Cachorrinho Samba”, “A Mina de Ouro”, “A Montanha Encantada” e o próprio “Ilha Perdida”.

Deve ter sido o primeiro livro que eu li – este ou algum do Monteiro Lobato (“Reinações de Narizinho”, provavelmente). Não lembro exatamente a ordem, porque as datas se confundem. Só sei que eu amava. Não a ponto de fantasiar com uma vida na qual eu passaria as férias no Sítio do Pica-Pau Amarelo brincando com os personagens, porque eu nunca fui dessas coisas (exceto quando eu sonhava em participar de “Chiquititas”, mas aí era algo motivacional e palpável, do tipo “um dia serei eu”).

Mas, enfim, eu relia incansavelmente esses livros e redescobrir “A Ilha Perdida” agora foi muito especial. Por mais que eu me dê conta de que a história não é lá tão bem elaborada, percebo que ela não perdeu o valor; é leve e fácil de acompanhar, como se a autora falasse com as crianças de igual para igual, mas sem subestimá-las.

E você? Tem algum livro que relembre com tamanho carinho e desvelo?

Categorias:Literatura

Monthly Stitches

25 novembro 2010 6 comentários

Percebi que faz muito tempo que não faço um Weekly Stitches por aqui e resolvi montar um bem grandinho para compensar pelas semanas perdidas. Vamos lá…

– Música –

“Down by the Water” – The Drums

Se “Gossip Girl” não chega exatamente a prestar, pelo menos sempre me apresenta a alguma música boa, tipo essa aí, que eu tenho ouvido sem parar.

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“Cabaret” – Natasha Richardson

Como fã de teatro musical, eu gosto de showtunes, baixo álbuns originais da Broadway e tal. Mas não tinha tido muito contato com a trilha do revival de “Cabaret”, dirigido pelo Sam Mendes antes de “Beleza Americana” com a falecida Natasha Richardson como Sally Bowles. Andei vendo uns vídeos e a versão dela pra personagem era super diferente, meio trabalhada no padê. E, desse jeitinho, acabou ficando bem interessante. Aí vai a redenção da melhor canção.

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“O’ Children” – Nick Cave

A música que Harry e Hermione dançam em “As Relíquias da Morte”. Enough said.

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“Dog Days Are Over” – Florence and the Machine

Uma das mais canções gostosas da Rainha.

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– Filmes –

“Inception”

Depois que o assisti dez vezes (literalmente) nos cinemas, saiu na rede em qualidade de DVD, e claro que já está salvo aqui no meu laptop. Nos últimos meses minha animação com o filme foi passando. Não muito, mas um pouco. Mas bastou rever pra todo o amor e a paixão voltarem com força total.

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“Jovens Bruxas”

Lembro que eu adorava esse filme há uns dez anos e achava até um pouquinho assustador. Não é, é super bobinho, mas as quatro amigas praticantes de magia tem uma química legal e a Fairuza Balk está incrível.

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– Séries –

“Doctor Who”

Estou descobrindo essa série inglesa criada há 47 anos! Ficou parada por uns quinze anos antes de ganhar um reboot, que na verdade é uma espécie de continuação, já que o Doctor do título – um alienígena capaz de se deslocar por tempo e espaço, resolvendo problemas de todas as civilizações – é capaz de assumir uma nova forma humana sempre que o ator principal precisa ser substituído (porque, né, ninguém fica no mesmo papel por tanto tempo, com exceção do pessoal das novelas americanas). “Doctor Who” é uma produção inglesa e, curiosamente, endereçado ao público infantil, embora sua base de seguidores envolva todas as idades.

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“Six Feet Under”

Dessa eu revi o último episódio, pra mim o melhor desfecho para qualquer série já produzida. É um final lindo, mas bicas triste. Eu quero muito chorar de novo só de lembrar, mas estou me segurando. Mais não digo, em consideração ao leitor que ainda não assistiu a esse primor (tá esperando o quê?).

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“Firefly”

Baixei e vou começar a ver um dos únicos trabalhos de Joss Whedon que eu ainda não conheço. “Firefly” durou só catorze episódios e até agora eu só vi o primeiro, que é praticamente um filme e tem uma hora e meia de duração. É genial demais e eu fico triste por saber que não vingou.

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– Livro –

Oprah: Uma Biografia” – Kitty Kelley

Fiz uma leitura dinâmica dia desses na Fnac da polêmica biografia não-autorizada de Oprah Winfrey, a apresentadora mais famosa dos Estados Unidos e uma das personalidades blacks mais influentes do mundo. A autora fez uma pesquisa extensa e chegou à essência dessa figura, que exagera nos relatos da infância sofrida para angariar a simpatia do público e que, antes de uma celebridade admirada pelas ações filantrópicas, é uma mulher complicada e de temperamento nada maleável. Recomendo.

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– Vício –

“Avenida Q”

Desde que retornou aos palcos paulistanos – com elenco bem melhor do que poderíamos esperar – tenho revisto sempre que possível. Uma canja para os leigos:

 

E vocês, como vão?

Categorias:Cinema, Literatura, Música

Obituário Harry Potter

21 novembro 2010 8 comentários

Quero deixar claro que o blog não está sem atualizações a troco de nada. É que em semana de estréia de Harry Potter não dá mesmo pra pensar em outra coisa, e tudo o que eu tinha pra dizer sobre o novo filme – e sobre os seis anteriores – já foi dito. Então é isso. Vá ao cinema assistir o inevitável. Leia e releia os livros a seu dispor. Passe por aqui quando a poeira tiver baixado. Afinal, amando ou odiando, o que as pessoas não conseguem é ignorar esse fenômeno.

A quem já conhece a saga por completo e quer fazer um balanço dos mortos e sobreviventes, aí vai um obituário. Só para quem acompanhou Harry até o fim!

• James Potter, 27 de Março de 1960 – 31 de Outubro de 1981

• Lily Potter, 30 de Janeiro de 1960 – 31 de Outubro de 1981

• Quirinus Quirrell – 4 de Junho de 1992

• Cuthbert Binns, Século 16 – Século 18 (fantasma)

• Nick Quase Sem-Cabeça, ? – 31 de Outubro de 1492 (fantasma)

• Nicolau Flamel, 1327 – 1992

• Murta-Que-Geme, 1926 – 1940 (fantasma)

• Basilisco de Salazar Sonserina, 990 – 29 de Maio de 1993

• 12 Trouxas, ? – 1 de Novembro 1981

• Tom Riddle Sr, 1905 – 1943

• Bartolomeu Crouch Sr, 1942 – 24 de Maio 1995

• Cedrico Diggory, 1 de Outubro 1977 – 24 de Junho 1995

• Sirius Black, 1959 – 18 de Junho de 1996

• Igor Karkaroff, 1950 – 31 de Julho de 1996

• Hepzibah Smith, ? – 1947/8

• Alvo Dumbledore, 1865 – Junho de 1997

• Caridade Burbage, ? – 1997

• Edwiges, Anterior à 1991 – 27 de Julho de 1997

• Alastor Moody, ? – 27 de Julho de 1997

• Régulo Black, 1961 – 1979

• Percival Dumbledore, ? – 1870

• Kendra Dumbledore, ? – 1885

• Ariana Dumbledore, ? – 1890

• Rufus Scrimgeour, ? – 1 de Agosto de 1997

• Gregorovitch, ? – 2 de Setembro 1997

• Gellert Grindelwald, 1883 – Março 1998

• Batilda Bagshot, Anterior à 1881 – antes de 24 de Dezembro de 1997

• Helena Ravenclaw, Século 10 – Século 11 (fantasma)

• Barão Sangrento, ? – Século 11 (fantasma)

• Ted Tonks, – 1998

• Dirk Cresswell, 1961 – 1998

• Pedro Pettigrew, 1960 – Março de 1998

• Dobby, 27 de Junho (?) – Março de 1998

• Vincent Crabbe, 1980 – 2 de Maio de 1998

• Fred Weasley, 1 de Abril de 1978 – 2 de Maio de 1998

• Remo Lupin, 10 de Março de 1960 – 2 de Maio de 1998

• Ninfadora Tonks, 1973 – 2 de Maio de 1998

• Colin Creevey, 1981 – 2 de Maio de 1998

• Severo Snape, 9 de Janeiro de 1960 – 2 de Maio de 1998

• Nagini, ? – 2 de Maio de 1998

• Bellatrix Lestrange, 1951 – 2 de Maio de 1998

• Lord Voldemort, 31 de Dezembro de 1926 – 2 de Maio de 1998

Fim.

Categorias:Cinema, Literatura

Weekly Stitches #4

18 agosto 2010 7 comentários

Louis por Louis na semana que se passou.

Música:
“The Origin of Love” – John Cameron Mitchell
De “Hedwig and the Angry Inch”, um dos meus filmes favoritos, vem esta canção fantástica, que conta uma história de criatividade ímpar.

Filme:

Clube dos Cinco
Clássico dos anos 80 dirigido por John Hughes. Fala, entre outras coisas, do medo dos adolescentes se tornarem os pais e da falta de comunicação entre eles no sistema de castas que rege os colégios americanos.

Série:

True Blood
Não só teve o melhor finalzinho de qualquer episódio de todos os tempos (como você confere no vídeo abaixo, com spoilers para quem ainda não viu o nono capítulo), mas também vai estampar a capa da Rolling Stones americana, com os três protagonistas numa pose pra lá de ousada!

E a foto…

Vício:

Inception
Porque deixou de ser apenas um filme para se transformar numa daquelas sensações que abalam nossa percepção de mundo. Ok, talvez seja exagero, mas eu já vi cinco vezes no cinema e a empolgação ainda não passou.

Livro:

“Quase Tudo” – Danuza Leão
Danuza Leão é uma coroa muito fierce. Nessas memórias, publicadas em 2005, ela escancara todos os percalços de sua vida, e como afetou as vidas ilustres que conheceu ao longo do caminho (por exemplo: aos 14 anos, era amiga íntima de Di Cavalcanti e Vinícius de Moraes, ambos com o triplo de sua idade). Esses e outros eventos são relatados com bom humor e sabedoria, num livro muito gostoso e com encerramento excepcional.

Citação:

(Trecho retirado do livro mencionado acima)
“Aprendi a reconhecer os momentos felizes quando eles acontecem e não depois, como era no passado. Parece pouco, mas não é. Esse foi o lado em que mudei para melhor. A vida pode ser boa em qualquer idade, e ter conseguido superar as tristezas que ela me trouxe faz bem à minha alma. Não que elas tenham sido esquecidas, mas a maturidade me fez ver que elas fazem parte da vida e que a vida merece ser vivida como se morde uma manga madura, como dizia meu pai. Hoje me dou quase todos os direitos, até porque o tempo agora é mais curto, e não se deve desperdiçá-lo com nada.”

Categorias:Cinema, Literatura, Música, TV

Weekly Stitches #1

Decidi inaugurar uma coluna semanal no blog com alguns pensamentos rápidos e informais, que aproximem o leitor daquilo que eu tenho feito e que nem sempre dá para abordar em posts mais padronizados. Vou comentar rapidamente sobre uma canção que tenho ouvido, um livro que tenho lido (ou pensado em ler), um filme que peguei passando na TV e parei pra dar uma olhada. Enfim, vão ter várias categorias, que eu irei aperfeiçoando com o tempo. Por enquanto vou começar com uma ideia bem básica, ok? A inspiração veio da minha amiga Rafaella Castello, que fazia algo parecido no blog dela Bring me the Disco King, que agora está abandonado. Vou experimentar e posso continuar com esses posts ou não, dependendo da resposta de vocês!

Canção:

“Fix You Up” – Tegan and Sara
Porque dar voltas de carro por São Paulo ouvindo essas duas lésbicas canadenses foi meio que o ponto alto da minha semana. A música é velhinha e se eu não me engano tocou na primeira temporada de “Grey’s Anatomy”, onde eu as conheci.

Livro:

“Comer, Rezar, Amar” – Elizabeth Gilbert
Em breve um drama de grande orçamento com Julia Roberts. Peguei para folhear e, se não comprar, vou ao menos acabar baixando. São as lembranças de uma jornalista americana do ano que ela passou no exterior – Itália, Índia e Bali -, procurando paz espiritual e conhecendo pessoas especiais no caminho.

Filme:

Arrasta-me Para o Inferno
Peguei passando no TeleCine e não consegui parar de ver. Um “terrir” de primeira, super bem planejado pelo Sam Raimi (remete lindamente à sua trilogia “Evil Dead”). Curti como a Alison Lohman vestiu a camisa do projeto, sem medo de se arriscar em sequências nada glamurosas, ou mesmo nojentas e escatológicas.

Série:

True Blood
Os viciados em série não falaram em outra coisa nos últimos dias – o mais sanguinolento de todos os episódios de “True Blood”, exibido neste Domingo na HBO americana. Também vejo “Mad Men” e “Entourage” das recentes, e degusto “Angel” e “The Wire” a passos de cágado, mas são os vampiros de Bon Temps que ocupam o spotlight desta lista.

Vício:

Billy Elliot – The Musical
Não saiu da minha cabeça desde que o assisti na Broadway, e escrever sobre ele só aflorou minha paixão. Não paro de ouvir a trilha, e mato a saudade vendo uma filmagem amadora (e ilegal) que encontrei no YouTube. Afinal, rever ao vivo seria incrível, mas as chances disso acontecer são caras e remotas.

Por enquanto é só. Deixe sugestões de categorias para a próxima Quinta-feira!

Categorias:Cinema, Literatura, Música, TV

Retrospectiva Crepúsculo

Ainda não tive a chance de conferir “Eclipse”, o novo capítulo da saga “Crepúsculo” que está estreando nos cinemas mundiais. Aliás, até prefiro deixar a poeira baixar e assistir quando as salas já estiverem vazias e as fãs histéricas que berram durante as sessões tiverem desencanado do filme. Só para não passar em branco, relembro os dois filmes anteriores, e deixo as minhas impressões sobre a franquia milionária criada por Stephenie Meyer.

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– Crepúsculo –

A minha brava tentativa de ler “Crepúsculo”, numa tarde sem muito o que fazer na Livraria Cultura, não persistiu além da página 30. Cheguei logo à conclusão de que vendagem não é sinônimo de qualidade, e confirmei a sensação de que a autora Stephenie escreve muito, mas muito mal mesmo.

O livro, narrado em primeira pessoa por uma adolescente bem chatinha, é um troço inexplicável. A menina é intragável e só faz reclamar – fica nessas primeiras páginas dizendo coisas do tipo “ai, eu não me dou com o meu pai”, “ai, que camionete horrível ele deve ter comprado pra mim”, “ai, que cidadezinha ridícula”, “ai, meu primeiro dia de aula vai ser uma merda”, “ai, o povo da minha escola me olha esquisito” e daí em diante. Não cheguei na parte em que a garota, Bella, conhece um vampiro emo e cai de quatro por ele, mas já tinha visto o filme homônimo e sabia o que me esperava. Tenho certeza de que se esse fosse o melhor romance teen dos meus tempos de moleque eu teria me emancipado.

O status quo do teen movie atual é sinistro. O grosso dos fãs de “Crepúsculo” é a mesma galerinha que decora as músicas de “High School Musical” e que canta junto da TV em cenas como aquela em que as castas sociais do colégio aceitam alegremente a forma com que os mais populares as percebem. Aliás, já que o high school se firmou como palco para as mesmas receitas requentadas (e não requintadas), é justo que “Crepúsculo – The Movie” tenha sua cota de cenas nesse ambiente (este é o absurdo número 1: a cidadezinha é escondida no meio das coníferas e tem um par de milhares de habitantes, mas a escola é mega povoada e agrupa todos as etnias do planeta).

E se você vier dizendo que não dá para esperar lógica de uma fantasia, vá ver o filme antes para saber do que eu estou falando. Você não sabe como dói uma mordida no pau até a sua prostituta resolver espirrar durante o emprego. E mediocridade não é mais opção, agora que Alan Ball está redefinindo o gênero vampiresco com “True Blood”, a série da HBO que, com um texto singular e anárquico, transforma o bizarro em banal, tudo dentro de limites aceitáveis como críveis. Os absurdos seguintes envolvem o insosso casal central (o vampiro Edward diz que os dois precisam se afastar para a segurança de Bella, mas é sempre ele quem vai procurá-la), e o vilão que só é introduzido no terço final e que inicia uma caçada à mocinha sem motivo aparente.

Difícil é entender como Catherine Hardwicke, que fez um debut tão promissor com “Aos Treze” (onde arrancou desempenhos formidáveis de seu elenco juvenil), acabou se envolvendo com um negócio tão ruim – e deixou passar atuações dolorosamente sofríveis. Robert Pattinson (Edward) é uma desgraça e Kristen Stewart (Bella) não é Evan Rachel Wood. Eles não conseguem recitar uma frase sem cair na canastrice, coitados. E meu amigo, como o roteiro é ruim! Eu poderia jurar que foi escrito num teclado com coraçõezinhos nos pingos dos “I”s. Não tem nem vergonha de assumir a postura machista, quando a menina se dispõe a ser mordida e a abrir mão de tudo para acompanhar seu homem por toda eternidade (mas antes isso do que ser uma caixa de bombons como “Sex and the City”, que de feminista e moderno só tem a pose e cuja moral é a mesma dos discursos mais retrógrados: nenhuma mulher é plena sem um homem ao lado). Encurtando a história, este é um romance água com açucar, sem conflitos dramáticos e ponderado por efeitos vergonhosos (como na sequência calamitosa de jogo de beisebol).

.:. Crepúsculo (Twilight, 2008, dirigido por Catherine Hardwicke). Cotação: D+

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– Lua Nova –

A Bela, de “A Bela e a Fera”, sempre foi a minha princesa favorita da Disney. Enquanto suas colegas de profissão ficam inertes durante filmes inteiros, Bela não deita e dorme à espera de um Príncipe Encantado que a resgate. Feminista, ela recusa as investidas do machão Gaston, o cara mais gato da aldeia, simplesmente porque não quer ser definida pelos homens com quem sai. Corajosa, ela se oferece para ficar presa no castelo da Fera no lugar do pai. E genuinamente apaixonada, ela se envolve com a Fera sem um pingo de interesse (porque não sabia que ele era um lindo Príncipe enfeitiçado, e estaria disposta a dar para um monstro peludo). Isso, meus amigos, é uma mocinha de respeito!

Pode-se dizer que a xará da saga “Crepúsculo”, Bella Swan, não possui nenhuma dessas virtudes. Como já tínhamos descoberto no primeiro volume, ela é uma mosca morta, passiva e submissa, disposta a renunciar à sua família, à seus amigos, e à si mesma para seguir o namoradinho – o vampiro embonecado Edward – por toda eternidade. Quando a coisa aperta, é Edward, ou o nativo americano fortinho Jacob, que tem de vir ao auxílio. Parafraseando Regina Duarte, “eu tenho medo”. Medo pelas milhões de garotas mundo afora, que devoram os livros da série e que acampam na porta do cinema para conferir esta nova adaptação. Garotas que se espelham na protagonista e que sonham em encontrar um dia o seu par ideal, para serem devotas a ele com a mesma intensidade. Que exemplo a senhora Stephenie Meyer está dando a elas? “Ame o seu macho mais do que a você mesma”? E o amor próprio, aonde fica? Dignidade já! Talvez por isso o papel tenha caído como uma luva à cada vez mais insossa Kristen Stewart.

No entanto, relevando a moral misógina, retrógrada e ofensiva, devo fazer coro ao restante da crítica. “Lua Nova” é sim um pouquinho melhor do que o antecessor. Mas só um pouquinho. Não que a nossa avaliação faça qualquer diferença – filmes como este são inatacáveis. Os fãs vão ver de qualquer jeito, independente do que as publicações tem a dizer, ou mesmo de quem está no comando (dessa vez a direção ficou à cargo de Chris Weitz, de “Um Grande Garoto” e “A Bússola de Ouro”). A quem desdenha do poder de fogo da franquia, basta dar uma olhada nos números de abertura. As sessões de “Lua Nova” à meia-noite quebraram os recordes estipulados por “O Cavaleiro das Trevas” e “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, a arrecadação no final de semana chegou na casa dos U$140 milhões só nos Estados Unidos, e o lançamento no Brasil foi o segundo maior da década (atrás apenas de “Homem Aranha 3″). Nada mal. Ainda mais considerando que o pioneiro “Crepúsculo”, que deu origem a toda essa febre, nada mais era que uma reles fitinha B, bancada pelo estúdio pobretão Summit (que graças à saga está subindo de nível, mais ou menos como a New Line depois de “O Senhor dos Anéis”).

Neste aqui o investimento foi evidentemente maior. Apesar da maquiagem continuar constrangedora, os efeitos estão mais caprichadinhos, a direção de arte é quase boa, e a trilha tem canções bacanas e composições originais de qualidade. E não dá pra dizer que eles não se esforçaram. Todo mundo ficou sabendo, por exemplo, dos problemas que tiveram para criar os lobos por computação – primeiro não estavam grandes ou assustadores o bastante, e mesmo depois de uma série de mudanças ainda ficaram artificiais no resultado final. Até aí tudo bem, que seja, foi o melhor que conseguiram fazer. Só não acredito que não tenha dado para melhorar o roteiro chinfrim e as atuações amadoras. Não que se pudesse esperar grandes coisas do texto, visto que já se baseia numa fonte muito fraca. Não imaginava, porém, que a roteirista Melissa Rosenberg fosse forçar tanto a barra para povoar os sonhos eróticos (“wet dreams”) das pré-adolescentes. Dessa forma, tudo é desculpa para que os dois heróis, Edward e Jacob (Robert Pattinson e Taylor Lautner), tirem a camisa. Aliás, deixe-me aproveitar para dizer que esse Pattinson é um frangote, magrelo e quase desnutrido. E para quem duvida que o moleque Taylor tenha tomado bola para ficar com o peitoral tão bem definido, é só prestar atenção nas piadas internas da equipe (logo numa das primeiras cenas, Bella comenta: “Que esteroides você andou tomando? Tem só 16 anos, isso não é normal!”).

Já que estamos falando das forçadas do roteiro, o que dizer do ridículo pretexto para que Bella e Edward terminem na Itália, enfrentando um clã antigo de vampiros? (Os motivos que levam a isso estão no trailer, de modo que, ao me aprofundar neste ponto, não estou quebrando nenhuma surpresa que já não tenha sido anulada pelo estúdio.) Edward julga que a amada está morta (porque ela, hã, pulou de um penhasco, já que não se importava em arriscar a própria vida, desde que tivesse um vislumbre do seu charmoso vampiro no processo); liga na casa dela para garantir que está tudo certo e um mal entendido confirma suas suspeitas (um paralelo pobre com “Romeu e Julieta”, citado no comecinho do filme). Mas, gente, em que mundo nós vivemos? A Bella tem que correr pra Itália pra desfazer a confusão? Será que o telefone dela não tem bina? Era só ligar de volta, oras. Ou se a chamada não pudesse ser identificada, bastava a vampira que vê o futuro descobrir o número. Ela não é sensitiva? Tá, eu sei, era pra ficar mais emocionante… Quanto ao show de horrores que testemunhamos na Itália, onde aparecem o – geralmente ótimo – Michael Sheen pagando o mico de sua carreira e uma Dakota Fanning torta e esquista, prefiro não comentar. O pessoal pode começar achar que estou com implicância gratuita!

O fato é que, apesar de banal e ordinário, “Lua Nova” agrada seu público-alvo. Uma audiência que está se lixando se a mensagem é discutível ou não, desde que a história deixe os ganchos certos. Em mim, as pontas soltas a serem resolvidas posteriormente não surtiram efeito. Nas piriguetes que estavam na mesma sessão que eu, que ovularam e aplaudiram nos segundos finais, sim. E ao que me consta, a reação tem sido a mesma nos cinemas de toda parte. Como lutar contra isso? Me diga?

.:. Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon, 2009, dirigido por Chris Weitz). Cotação: C-

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– O final da saga –

Os fãs costumam dizer que “Eclipse”, a base deste filme que estreia agora nos cinemas, é o melhor livro da saga. Não saberia dizer, já que minha experiência enquanto leitor se resume às páginas iniciais do primeiro livro, e ao último volume, “Breaking Dawn”. Lançado no Brasil sob o título “Amanhecer”, o livro deveria concluir a saga dos vampiros embonecados, dos lobisomens sarados e da mocinha machista. Parece ainda que a autora está reescrevendo “Crepúsculo”, desta vez sob o ponto de vista do Edward. Que sono…

Enfim, acabei lendo “Breaking Dawn” durante três dias de muito ócio numa chácara e absolutamente nenhuma outra opção de leitura. Não é, de maneira alguma, um livro bom. Aliás reforçou minha impressão de que Stephenie Meyer é o Paulo Coelho dos Estados Unidos. Mas também não chegou a ser torturante como o início de “Crepúsculo”, que me dá pesadelos só de lembrar. Um dos pontos altos é que a narração é dividida entre Bella, que consegue ser ainda mais irritante nos livros, e Jacob Black, que é de longe o mais interessante do trio de protagonistas. Vou comentar a trama em detalhes deste ponto em diante. Das duas uma: ou você já leu o livro e sabe o desfecho, ou você odeia tudo que tenha a ver com “Crepúsculo” e não vai se importar de saber. Em todo caso, fica avisado de que vem spoilers por aí.

O moralismo prevalece, com Edward e Bella finalmente se casando, virgens e imaculados (ele com 109 anos, e ela com 18, o que deixa um gosto amargo de pedofilia que a autora ignora). Os dois teriam de se casar virgens porque Stephenie é mórmon e, obviamente, oposta ao sexo antes do casamento. O que explica porque ela foge do assunto como o diabo da cruz. Tanto que o relato da primeira vez dos dois (que estão passando a lua-de-mel no Brasil, onde a família Cullen, que é über rica, tem uma ilha!) é esparso. Os dois se aconchegam e, pula uma linha, já estão conversando no pós-sexo – aqueles diálogos açucarados que provocam revertério em qualquer pessoa com um mínimo de testosterona. São páginas e mais páginas de nada, de “Não devíamos ter feito isso” da parte dele, rebatidos com “Pare com isso, eu estou bem” da parte dela, e replicados com um “Não, eu te machuquei” da parte dele. E assim continua por um tempo incalculável. Tudo em nome da propaganda nojenta da senhora Meyer e seus ideais.

Dito isso, acho que a autora finalmente inseriu na série alguns elementos autênticos de vampiro. Afinal ela subvertera as convenções desta raça, tornando os vampiros tolerantes à luz do sol (que apenas os faria brilhar, como se tivessem a pele revestida por diamantes – ai!) e limando qualquer indício mais forte de violência. Dessa vez, percebemos que há algo de bizarro e, apesar de mal escrito, vagamente interessante. Por exemplo: Bella engravida de um bebê meio-humano, meio-vampiro, que eles cogitam que possa ser o anti-cristo (uma ideia por si só ousada para o que a série vinha apresentando). Fora que isso de bebê híbrido lembra muito o cruzamento de humanos com ET’s ou humanos com máquinas, coisas que a gente sempre encontra nesses seriados tão queridos de ficção científica. Enfim, a gravidez da Bella dura cerca de um mês, porque o feto vai se desenvolvendo em proporções anormais, e quando finalmente nasce, a menininha tem o tamanho de um bebê de dois meses! À beira da morte, pois o bebê sugou todas as suas energias durante a gestação, Bella é finalmente transformada em vampira.

Para as pré-adolescentes que estavam acostumadas com a melação dos volumes anteriores, estas opções podem parecer fortíssimas (mesmo que sejam brincadeira de criança perto do que “True Blood” faz em meio episódio). O fato é que não me simpatizo com a saga “Crepúsculo”, sequer acho que tenha extensão para se auto-denominar “saga”, visto que nada de muito relevante acontece. Mas devo reconhecer que, abandonando tudo o que já foi visto antes, “Breaking Dawn” pode originar um filme legal. Este “Eclipse”, que eu verei sabe-se lá quando, ao menos foi encarado pela crítica com mais boa vontade. Será possível que “Crepúsculo” tenha salvação?

.:. Amanhecer (Breaking Dawn, escrito por Stephenie Meyer). Cotação: C-

Categorias:Cinema, Literatura

O aguardado trailer de Harry Potter

Houve uma época, dos meus 11 aos 14 anos de idade, em que eu vivia por “Harry Potter”. Lia e relia cada livro publicado, esperava com ansiedade pelos próximos volumes, comprava todo e qualquer produto afiliado à saga (meu caderno e minha mochila na sexta série eram do Harry), e devorava qualquer notícia a respeito das adaptações cinematográficas. Cheguei até a fazer um blog sobre o universo Potter, onde compilava tudo que encontrava em outros sites, junto de um amigo virtual que hoje nem sei por onde anda (Mau, se você estiver lendo isto, um abraço pra você!).

Sempre que um novo livro era lançado, eu comprava primeiro em inglês – quando ainda nem era fluente no idioma – e lia com muito sacrifício, porque esperar uns meses a mais pela tradução era inconcebível. E ao mesmo tempo em que queria terminar logo pra saber o que aconteceria com meus personagens tão queridos, também evitava ler rápido demais, porque sabia que ia me sentir meio vazio quando acabasse. Não ligo (e não ligo mesmo) para os leitores pretensiosos que atacam a série enquanto literatura. Sei que J.K. Rowling ainda era imatura quando começou a escrever, mas teve uma boa ideia e soube explorá-la como poucos. À medida em que a qualidade de sua escrita vai melhorando a partir do terceiro livro, a série também vai ficando mais consistente e menos infantil, como se os personagens estivessem crescendo junto dos leitores e continuando a cativá-los. De fato, Rowling é muito elogiada por pais e professores por ter fidelizado leitores tão jovens, numa fase em que só querem saber de computador e videogames.

O lançamento do sétimo e último volume, “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, foi um dos maiores eventos da minha vida no ano de 2007. Claro que eu chorei horrores, não com o epílogo em si – que relata um encontro casual dos sobreviventes de um jeito bem novela da Globo -, e sim com as perdas inestimáveis que a batalha deixou. Acho que, como livro, “As Relíquias da Morte” foi o que mais me agradou. Não é tão bom quanto “O Prisioneiro de Azkaban” ou “O Cálice de Fogo”, mas é o que deixa mais evidente que  Rowling tem muito domínio sobre aquilo que faz. Percebemos que a trama estava orquestrada desde o primeiro livro, e é um prazer para os fãs ir amarrando essas pontas junto da escritora, reencontrando personagens antigos e descobrindo qual papel eles vão exercer no plano maior – o confronto entre Harry e o bruxo das trevas Lord Voldemort. Também é o livro em que a gente sente que tem mais coisas acontecendo. Ao contrário de “A Câmara Secreta” e “O Enigma do Príncipe”, onde a inação do herói chega a irritar, aqui o enredo é mais movimentado – literalmente, porque o trio de protagonistas está sempre se deslocando pelos quatro cantos da Inglaterra (é o primeiro livro a não ser ambientado na Escola Hogwarts).

Ou seja, tem tudo para render enquanto Cinema – até porque pouca coisa deve ser comprimida, já que optaram por dividir o livro em dois filmes diferentes. Não que alguém vá pensar que essa divisão foi feita em consideração aos fãs: a Warner quer prolongar ao máximo a franquia mais bem-sucedida que já passou por suas mãos. E não há dúvidas de que as duas partes vão arrecadar milhões, e quem sabe até chegar à marca do bilhão, ao redor do mundo. Se os dois primeiros filmes foram insatisfatórios, o terceiro, dirigido pelo Alfonso Cuarón, foi bem interessante, e o sexto, lançado no ano passado com direção de David Yates, chega a ser muito bom. Só o que tem em comum é que todos foram sucesso absoluto de bilheteria em seus respectivos anos. A razão deste post é o lançamento do trailer de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, divulgado ontem à noite. E aí está:

Alguém pensa em não assistir?

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