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Melhores do ano: Parte 3

Chegamos aos top 10 filmes de 2010, com breves comentários sobre os escolhidos. Vamos lá:

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10. Scott Pilgrim contra o Mundo

Uma verdadeira sinestesia. Saturado de elementos, o filme tem um pouco da HQ honônima que serviu de inspiração, um tanto dos videoclipes, mais ainda dos videogames, um bocado dos mangás e uma pitada da linguagem televisiva. O diretor Edgar Wright conseguiu condensar com sucesso o que seriam artifícios dispersos e conflitantes, criando uma identidade unificada para o longa e estabelecendo uma lógica interna coerente para uma história que flerta com o absurdo.

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9. As Melhores Coisas do Mundo

Com o tempo, só aumentou minha admiração por esse autêntico retrato da juventude, que resultou no melhor trabalho de Laís Bodanzky. “Tropa de Elite 2” merece uma menção honrosa: foi o filme certo na hora certa e estabeleceu uma conexão absurda com o público. Mas, como só havia espaço para um filme nacional e sem opções de limar nenhum dos outros nove finalistas, a vaga para “As Melhores Coisas do Mundo”, que merecia muito mais reconhecimento do que veio a receber, é nada menos que justa.

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8. Mary & Max: Uma Amizade Diferente

Excelente e tocante animação australiana, dublada à perfeição por um time de feras. Ainda que o diretor, roteirista e designer Adam Elliot já tenha um Oscar no currículo (de Melhor Curta Animado, por “Harvie Krumpet”, que dizem ser muito similar a este aqui), nada me preparava para o alcance do enredo e as particularidades de sua realização. Certamente diferente, curioso, talentoso e memorável, o filme é daqueles que encanta, que fica conosco, que dá vontade de recomendar para todo mundo e de rever mesmo após tendo acabado de assistí-lo.

7. O Segredo dos Seus Olhos

Filme belo, honrado e totalmente merecedor do Oscar de Produção Estrangeira (por mais difícil que seja para um brasileiro elogiar um produto argentino). Em geral, “O Segredo dos Seus Olhos” é excelente como thriller e ainda melhor quando ganha contornos mais intimistas – ou seja, sempre que se apóia nas lembranças (nem sempre exatas) e nos ressentimentos do protagonista, que sofisma sobre um grande amor que deixou escapar.

6. Kick-Ass: Quebrando Tudo

Se não é a melhor adaptação de super-herói já feita, ao menos é a mais diferente e original, tirando sarro das convenções das HQ’s e ousando como poucos filmes americanos recentes (como exemplo, a personagem Hit Girl, uma garotinha que fala palavrão e mata traficantes à tiros e facadas, seria inconcebível numa fita menos corajosa). Engraçado, descolado e delicioso.

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5. Toy Story 3

Um desfecho honorável para uma das melhores trilogias que o cinema já viu. Essa terceira parte é especialmente nostálgica para quem viu os primeiros filmes em sua época de pré-escola, e que agora reencontra os personagens – brinquedos que ganham vida quando não estão na presença de humanos – numa fase em que se identifica com as dores do crescimento. Além da conexão emocional, o filme é tecnicamente primoroso, no padrão de profissionalismo da Pixar.

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4. A Rede Social

Direção competente, roteiro ferino, atuações que transcendem o limite da ficção, e um tema tão atual e necessário que, além de servir a um primoroso desenvolvimento dos personagens, abrange questões universais. Na essência, este é um filme sobre um grupo de pessoas que, por uma união de brilhantismo e oportunidade, lideraram uma das inovações que redefiniram o mundo e se inebriaram com aquilo que conquistaram. Com méritos, o grande favorito ao próximo Oscar.

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3. A Fita Branca

Um triunfo técnico que fala ao público por muito além de seus méritos cinematográficos, “A Fita Branca” me causou uma impressão fortíssima quando o assisti pela primeira vez na Mostra de São Paulo de 2009. Após uma revisão, o filme não só se confirmou, como cresceu em todos os aspectos. Na trama, o austríaco Michael Haneke contempla uma aldeia alemã num período crucial da História do país: os anos que antecederam às Guerras Mundiais, nas quais os personagens desempenhariam função importante. É o registro de um certo modelo de vida que, quando incentivado, pode ter consequências catastróficas – e é também um olhar acusatório que fará com que muitos de nós vistamos a carapuça.

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2. Como Treinar Seu Dragão

“Como Treinar Seu Dragão” é a melhor animação já realizada pela DreamWorks, totalmente desprovida dos vícios que costumam banalizar os desenhos do estúdio (que, em geral, se apoiam num humor paródico e datado, emprestado de reality shows e fofocas de celebridade). Este, ao contrário, é uma belíssima adaptação de um livro infantil, modelada para agradar a todos os públicos. É a história de um viking franzino que faz amizade com um dragão, contrariando a tradição da sua aldeia de abater as criaturas (o roteiro, porém, não ameniza os riscos dessa relação, ignorando a rede de proteção que costuma amparar os personagens infantis e se permitindo opções corajosas). O plot prosaico e derivativo não antecipava o frescor e desvelo com que os temas propostos seriam desenvolvidos. Favorecido ainda pelo visual estonteante e por uma fabulosa trilha sonora, “Como Treinar Seu Dragão” é o mais próximo que a DreamWorks chegou do nível de qualidade Pixar – e, dessa vez, a deixou para trás.

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1. A Origem

Do primeiro ao último plano, a ficção científica “A Origem” exige da plateia atenção e comprometimento para que não se confundam as indas e vindas da trama, todas calcadas e justificadas na lógica interna do filme. O diretor Christopher Nolan casa a habilidade de orquestrar e coreografar cenas de ação (que exercitara nos dois “Batman”) com o jogo psicológico de seus projetos mais intrigantes (“Amnésia” e “O Grande Truque”). Basicamente, vai um degrau acima de onde tinha ido antes e consolida a reputação de ser um cineasta que fala ao grande público sem subestimar sua inteligência. Fechou 2010 como o filme que eu vi mais vezes no cinema em toda a vida: dez sessões contadas. Em todas as quais, a impressão de que estava diante de uma obra-prima se confirmou.

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É isso! Logo mais, as grandes cenas do ano e o placar final de “medalhas”.

Categorias:Cinema, Top 10
  1. 29 dezembro 2010 às 11:40 am

    tô doida pra ver Scott Pilgrim, mas ainda não deu. além dele, não vi os números 2, 3, 4, 5 e 8 (então seria mais fácil ter dito que eu só vi 1, 6, 7 e 9, hahaha).
    e os que vi, eu amei sobremaneira. eu chorei horrores com Kick Ass, nossa senhora! ele só é engraçado porque tem umas tiradas pra dar risada, mas é, em essência, um baita drama. pra mim, pelo menos. achei lindo de morrer e até fiquei amigona do Nicolas Cage de novo, num é milagroso? achei que ele estava estupendo!
    A Origem é um filme lindo, mas pensando hoje, não sei se ele merece estar na lista dos meus preferidos, como ainda permanece (eu sempre boto essas coisas filmológicas no Filmow, que eu sempre pergunto se vc usa, e vc nunca responde. isso mesmo, SEMPRE e NUNCA, juro!). saí do cinema super embasbacada com a beleza, mas hoje eu já nem lembro tanto assim; diferente de O Segredo dos Seus Olhos, que eu a cada dia acho mais lindo, embora tenha assistido só uma vez. é o efeito Darín por quem, confesso, obcequei loucamente neste ano.
    As Melhores Coisas do Mundo eu achei uma fofura sem fim, amei o menino principal e a garotinha, e achei o Fiuk liiiiiiiiiiiiiiiindo – Fiuk este que eu só conhecia de site de fofoca; aí vi o filme e achei o menino uma gracinha.
    e eu preciso loucamente de A Fita Branca.

    eu amo seus tops, ai meu deus.🙂

  2. Caroline®
    29 dezembro 2010 às 5:35 pm

    “por mais difícil que seja para um brasileiro elogiar um produto argentino”

    Certamente vc ainda não foi à Argentina, né, Louis? Porque eu também tinha essa visão meio preconceituosa sobre eles, mas bastou uma visita a Buenos Aires para mudar completamente a minha cabeça. Voltei totalmente encantada pela cidade e pelas pessoas. Nós é que somos bobos de ficar de picuinha com eles….

    • 29 dezembro 2010 às 9:36 pm

      Quéroul, minha linda🙂 Kick-Ass é mesmo tudo isso que você falou, mas eu já tinha virado buddy do Nic Cage antes nesse mesmo ano por Vicio Frenético. Quando ele não bota uma peruca e vai fazer qualquer merda pra pagar as mansões que compra por aí, é um ator de muita capacidade. DESCULPA se deixei de responder alguma coisa antes rsrs… Mas, não, não uso o Filmow, me apresenta? A Origem permanece imaculado pra mim (sei que não é perfeito, mas abstraio suas falhas e não acho que elas comprometam a experiência fantástica que o filme é). E O Segredo dos Seus Olhos tem uma das cenas mais lindas da vida – a do estádio – e é fantástico por inteiro. Também não sabia nada de Fiuk antes de As Melhores Coisas do Mundo e achei ele tão bem, ali. Uma gracinha mesmo. Entrou no meu top 10 de coadjuvantes no post passado, mas um pouquinho foi pra polemizar hahaha! E sim, corra atrás da Fita Branca.
      PS: Amo que você ame meus tops😉

      Caroline, na verdade, eu já fui sim e ADOREI tudo o que conheci lá rsrs… Na verdade, esse “preconceito” parte de nós, brasileiros, mesmo. Mas, como é uma visão comum, achei válido comentar. E O Segredo dos Seus Olhos é um puta filme!

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