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The Crazies

Não assisti “A Epidemia” durante a curta e limitada temporada nos cinemas brasileiros, mas aproveito o eminente balanço de fim de ano para conferir e resenhar antes que aporte 2011. Em anos recentes, não tivemos filmes memoráveis de zumbis, embora a primeira série de TV sobre o tema, “The Walking Dead”, tenha se provado muito eficaz. “A Epidemia” não ficará gravado como um grande exemplar desse filão, mas passa por um entretenimento decente que quase sempre atinge o que se propõe.

Na trama, um vírus se alastra pelo reservatório de água de uma comunidade rural, causando reações extremas e imediatas aos moradores infectados. Os zumbis do filme são menos selvagens que os tradicionais, mas nem por isso pouco agressivos: eles perdem qualquer senso e noção, e atacam para matar quem quer que encontrem pela frente. Como estão concentrados numa cidadezinha minúscula, dessas em que todo mundo sabe o nome de todo mundo, fica fácil para o governo colocá-los em quarentena.

O problema é que o protagonista, um xerife interpretado por Timothy Olyphant, é colocado no grupo dos não-infectados, enquanto a esposa, uma médica vivida por Radha Mitchell, é diagnosticada com uma febre insistente (que, para todos os efeitos, poderia ser fruto da gravidez) e levada pelas forças armadas. Não resta ao herói outra opção senão invadir o antro dos infectados para resgatá-la, enfrentando quem quer que seja no caminho, aliado apenas a um fiel delegado (Joe Anderson).

Nesse confronto, os militares serão uma ameaça ainda mais cruel que os zumbis, com sua política de atirar primeiro para perguntar depois. Mas fazer qualquer tipo de denúncia não é – e nem deveria ser – a intenção de “A Epidemia”, que acerta quando se volta para as regras implícitas a todo filme de zumbi (elas ditam, por exemplo, que toda infecção deve acabar se espalhando, independente dos esforços do governo, e que nem mesmo os personagens principais estão imunes ao risco). Por outro lado, algumas situações, ao invés de aflitivas, surgem apenas razoáveis, e as saídas são extremamente manjadas (perde-se a conta de quantas vezes os mocinhos se encontram num beco sem saída – metafórico ou não -, para, no último instante, um terceiro elemento vir ao auxílio).

O roteiro sequer tenta desenvolver os personagens em algo além de arquétipos, de modo que o público jamais se importa com eles num nível pessoal. Isso, porém, não desencoraja diretor Breck Eisner, que parece disposto a imprimir no projeto uma marca autoral. Mesmo quando não consegue, sempre deixa evidente essa pretensão, o que basta para diferenciar levemente “A Epidemia” de seus similares. Basta, também, para satisfazer a todos aqueles que se simpatizam com os trâmites desse subgênero. Se esse é o seu baile, dê uma olhada.

.:. A Epidemia (The Crazies, 2010, dirigido por Breck Eisner). Cotação: C+

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Categorias:Cinema
  1. 20 dezembro 2010 às 3:58 pm

    zumbis e vampiros figuram no final do final da minha lista de temas que eu quero assistir (ou ler, ouvir, vários verbos…). eu vi esse filme na locadoUra outro dia (pq eu te disse que tô na maratona. assisti Kick-Ass e chorei; O Profeta, e quase chorei; Os Mercenários \o/, que é uma bostona adorável; a Princesa e o Sapo e quase chorei; The Runaways e ameeeeeeeeeeeeeei a Crepúscula, mais até que a Dakota. E também chorei um pouquinho)… e, bom, não me interessei muito.

    e agora eu li que aquele Olifante (o cara é o quê? nascido na terra média?) tá no elenco e eu achei ele um VERMÍFUGO. só que eu vi num filme horroroso com a horrorosa da Jennifer Garner, então né… vai que em filme de zumbi ele se encaixa melhor.
    e teve sim um filme mó bom de zumbi que eu vi nestee ano: Zombielaaaaaand! amor, amor, amooor.

    😉
    comentários gigantes, prolixos e nonsenses… “I HAS THEM”. 😉

    • 20 dezembro 2010 às 4:48 pm

      Quéroul, excelente maratona, mas dispenso The Runaways (bode da Kristen Stewart!!). “Olifante” não fede nem cheira pra mim e o filme é razoável. E bem lembrado, Zumbilândia é ÓTIMO! Mas em seu tom de humor e paródia, e não como um filme realmente assustador. E adoro to have seus comentários gigantes 🙂

      • 21 dezembro 2010 às 12:55 pm

        Louis, eu achei a Kristen Stewart muito bem no filme, viu. tem duas escorregadelas na interpretação, mas tirando isso, ela tá uma graça, dosando bem o carinho e a fúria…
        a Dakota eu achei fofa, mas a Kristen me pareceu superior – ainda mais pq achei a Dakota meio constrangida, sabe? sei lá, como eu só vi a Kristen em ‘Quarto do Pânico’ e, na época, eu achava que ela era um menino lindo, eu nunca prestei atenção de verdade (não lembro dela em Na Natureza Selvagem, juro). e, por preconceito, eu nunca vou assistir Crepúsculo. então, super não sei o que achar dela de verdade…
        mas acho que vale a assistida. o filme é, no mínimo, fofo. 🙂

      • 22 dezembro 2010 às 2:14 am

        Quéroul, no Crepúsculo é um desastre, mas tem sido elogiada por suas atuações em filmes indie. Como não as vi, mantenho a impressão temporária de que Kristen é uma tragédia !

  2. 20 dezembro 2010 às 9:33 pm

    Esse é justamente o tipo de obra que NÃO me atrai!!

  3. 21 dezembro 2010 às 2:17 am

    Uma pena não terem feito um filme à altura do original. George Romero deu uma pausa dos zumbis na década de 70 e concebeu “O Exército de Extermínio”, que é um ótimo filme de horror, mas também tem aquela veia crítica para a sociedade que só o próprio sabia fazer no gênero. Recomendo, Louis! O remake, sei lá, eu dispenso por enquanto =)

    abs!

    • 21 dezembro 2010 às 2:49 am

      Ka, até gosto desse tipo de obra, mas entendo a sua rejeição!

      Tom, não conhecia o remake e essa nova versão não me animou para assisti-lo. Mas, sei que provavelmente é superior! Abs.

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