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Tron

Com “Tron – O Legado”, a Disney dá continuidade à aventura de ficção científica “Tron – Uma Odisséia Eletrônica”, que, mesmo datando do início dos anos 80, ainda hoje é lembrada por uma parcela específica do público e celebrada pelo uso dos efeitos digitais num plano integral, algo até então inédito no cinema. Não que essa sequência tenha ambição de se tornar cult: trata-se de uma elaborada produção hollywoodiana, para experimentar em tela gigantesca, com som em alta definição e um balde de pipoca amanteigada no colo. E não há nada de errado nisso – em especial, quando a proposta é tão bem atendida pela equipe.

O diretor estreante Joseph Kosinski sabe orquestrar cenas grandiosas e justifica a confiança do estúdio, enquanto o roteiro de Edward Kitsis e Adam Horowitz, por mais insignificativo que seja na composição dos personagens e no desenvolvimento de uma trama coesa, ao menos  cria oportunidades para que as sequências cinéticas tomem forma (as famosas motocas do filme original são repaginadas à perfeição e utilizadas em perseguições estrondosas – os efeitos, que fique claro desde já, são empregados como muleta narrativa, mas impecáveis do primeiro ao último contorno). A impressão de que os personagens estão inseridos num jogo virtual é adequada à premissa, mas nem por isso existe o apelo óbvio à câmera subjetiva, recurso que é esquecido por completo, evitando o desconforto do espectador que, em casos como este, se imagina diante de um videogame sem o joystick em mãos.

Mas é mesmo a presença de Jeff Bridges que faz toda a diferença: ele protagonizou o primeiro “Tron” quando ainda era um jovem e promissor ator, e retorna para essa sequência logo após chegar ao ápice da brilhante carreira (no início do ano, faturou um Oscar por “Coração Louco”). Quase trinta anos depois, ele perdeu o físico de herói – precisa dividir o posto com o novato Garrett Hedlund, que interpreta seu filho -, mas nem por isso deixa de mostrar serviço, interpretando dois personagens diferentes e conferindo propósito à estreia tardia dessa segunda parte. Ainda assim, fica evidente que este não é um filme de atores, e o restante do elenco é apropriadamente insípido – de Olivia Wilde (a Thirteen da série “House”, que tem uma personagem crucial) à Michael Sheen (que, depois de pagar mico na saga “Crepúsculo”, novamente compromete a reputação com sua participação exagerada, planejada como alívio cômico, mas totalmente mal calculada).

O enredo é bastante simples e simétrico ao do primeiro filme: Kevin Flynn (Bridges), magnata da tecnologia, desaparece misteriosamente, deixando o filho Sam (Hedlund) ao cuidado dos avós. Vinte anos depois, o garoto descobre que o pai desenvolvera um complexo e estruturado mundo de inteligência artificial, e que fora, na verdade, incorporado à realidade virtual e impedido de sair dela por um programa que criou para segurança (o vilão é uma representação do próprio Bridges, rejuvenescido por efeitos). Infelizmente, Sam só vem a saber de tudo isso depois que ele próprio permeia nesse universo volátil, o que arma aquele velho conflito do herói que chega a uma terra desconhecida e tem de, rapidamente, entender as regras que a regem, para então agir de acordo ou contestá-las. Que “Tron – O Legado” se acomode nas fórmulas batidas é um contraponto à boa execução e desempenho que as cópias 3D lhe conferem. A reação vai variar conforme as exigências de cada um.

.:. Tron – O Legado (Tron: Legacy, 2010, dirigido por Joseph Kosinski). Cotação: B-

Categorias:Cinema
  1. 18 dezembro 2010 às 8:30 am

    “Que “Tron – O Legado” se acomode nas fórmulas batidas é um contraponto à boa execução e desempenho que as cópias 3D lhe conferem.” Essa frase define o filme e resume bem sua crítica. Pois eu vi em 2D e dublado, e a experiência foi aborrecida. Os efeitos pareciam confusos e não muito impressionantes (já que certamente o ideal era se ter a 3ª dimensão), o que só ressaltava a trama tolíssima. Eu até que achei divertida a composição de Sheen, mas no geral a direção é tão frágil que, somada a um roteiro ridículo, não consegue extrair grande coisa dos atores. Dessa experiência defasada (sem 3D e sem áudio original), sobra mesmo a excelente trilha sonora e a interessante direção de arte.

    • 18 dezembro 2010 às 9:12 am

      Mateus, com certeza o filme é inferiorizado em exibição convencional e, portanto, não tem carreira a longo prazo. Analisando pelos seus termos, seria mesmo uma experiência muito inferior. De qualquer forma, não deixe de escrever a respeito😉

  2. 18 dezembro 2010 às 11:36 pm

    Apenas as belas imagens façam com que eu tenha uma certa vontade de conferiri, de resto nada mais me interessa. Nunca fui fã do estilo então é be provável que eu saia do cinema com muita raiva do valor do ingresso, rs

    abs,
    sebosaukerl.blogspot.com

    • 19 dezembro 2010 às 4:13 am

      James, é ambivalente: não vale gastar muito dinheiro com Tron, mas também não vale gastar pouco, já que a experiência só compensa em 3D e tela grande (ou seja, na sessão do ingresso mais caro). Na dúvida, é melhor não ver at all! hahaha

      Abs!

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