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Globo de Ouro 2011: Indicações comentadas

Não entendo as críticas às indicações ao Globo de Ouro. Nós, “predictors”, estamos carecas de saber como esse prêmio funciona. Os votantes – jornalistas estrangeiros radicados em Hollywood – se consideram essenciais para o funcionamento da indústria e apreciam os mimos e paparicos que recebem dos estúdios durante a temporada. Nas indicações, privilegiam os astros aos atores, indicando, por vezes, trabalhos impronunciáveis. Também evidenciam um certo conservadorismo e uma predileção pelos filmes academistas, mesmo onde caberiam certas ousadias.

Em geral, Hollywood leva o prêmio em consideração porque, bem ou mal, o Globo de Ouro tem tradição e prestígio, premia tanto cinema como televisão (com categorias divididas em drama e comédia, para dar oportunidades a todos) e é receptivo aos novos talentos. Nada foge desse padrão na lista de 2009, cuja cota de absurdos não é pouca (filmes massacrados pela crítica, como “O Turista” e “Burlesque”, encontraram vaga entre os finalistas da caótica categoria Melhor Filme Musical ou Comédia) – mas, como já disse, nada disso é inesperado para o que o prêmio significa.

Das esnobadas, a maior foi à “Bravura Indômita”, o novo filme dos irmãos Coen, que, ao que parece, não foi visto pelos votantes a tempo (de qualquer forma, Jeff Bridges e a garota Hailee Stenfield devem recobrar as forças com o SAG e chegar ao Oscar com facilidade). Também houve quem esperasse mais amor a “127 Horas”, que indicou apenas o ator James Franco, o roteiro e a trilha, mas não o diretor Danny Boyle. “O Vencedor”, dramalhão de boxe, fez bonito, mas desse ponto em diante, só deve se destacar nas premiações pelos três coadjuvantes, Christian Bale, Melissa Leo e Amy Adams (os dois primeiros favoritos às estatuetas).

Ryan Gosling e Michelle Williams foram louvados pelas performances em “Blue Valentine” e caso repitam as indicações no SAG, passarei a acreditar piamente em indicação ao Oscar (ele, no caso, entraria como melhor ator, numa categoria que parecia fechada, mas que, aparentemente, ainda está indefinida). A indicação da excelente Emma Stone – Melhor Atriz de Comédia por “A Mentira” – também foi muito celebrada por mim. Stone, junto de Jesse Eisenberg e Andrew Garfield, compõe a minha Santíssima Trindade do cinema atual. E todos trabalharam juntos: ela com Jesse em “Zumbilândia”, ela com Andrew no reboot de “Homem Aranha” e Jesse com Andrew em “A Rede Social”, pelo qual estão ambos indicados. O filme de Fincher, aliás, perde em número de indicações para “O Discurso do Rei” (seis contra sete), mas detém todo o favoritismo às principais estatuetas.

Emma Stone e Jesse Eisenberg

Entre quem viu “O Turista”, há um consenso de que a) o filme não é musical, tampouco comédia, de modo que seria inelegível para a categoria em que adentrou independente da qualidade, e b) as indicações de Angelina Jolie e Johnny Depp (ele concorrendo também por “Alice no País das Maravilhas) são implausíveis e injustas com trabalhos superiores que ficaram de fora, como os de Sally Hawkins (“Made in Dagenham”) e Stephen Dorff (“Um Lugar Qualquer”, de Sofia Coppola, outro para quem não sobrou nada).

Desse ponto em diante, tudo é tão óbvio que nem tem graça: “Rede Social” deve vencer Filme Dramático, Direção e Roteiro; “Minhas Mães e Meu Pai” ficará com Filme e Atriz de Comédia (Annette Bening); “O Discurso do Rei”, com Ator Dramático (Colin Firth) e Trilha Sonora; “O Vencedor” com atores coadjuvantes (Bale e Leo); “Cisne Negro” com Atriz Dramática (Natalie Portman); e Johnny Depp como Ator de Comédia por qualquer dos filmes indicados.

Em televisão, o que chama a atenção de imediato é a não-inclusão de Glenn Close como atriz dramática por “Damages”, apesar da terceira temporada da série ser elegível. Ao menos adentraram na categoria desempenhos elogiados como os de Katey Sagal por “Sons of Anarchy” (que não vejo) e Elisabeth Moss por “Mad Men” (ela esteve realmente fantástica nessa quarta temporada e muito superior à January Jones, que representava a série no Globo até então). Aliás, se houver justiça, “Mad Men” será novamente premiado como Melhor Drama e Jon Hamm como Melhor Ator.

A quinta temporada de “Dexter” não é digna de reconhecimento nenhum, mas a série acabou indicada, assim como o protagonista Michael C. Hall e Julia Stiles como coadjuvante (que, mesmo detendo um papel crucial, é apenas atriz convidada, da mesma forma que Chris Noth, indicado sem motivo por “The Good Wife”). “Carlos”, minissérie que foi lembrada por alguns círculos de críticos, parece ser a favorita da categoria – nesse campo, Al Pacino (“You Don’t Know Jack”) e Claire Danes (“Temple Grandin”) devem repetir as vitórias que cravaram nos Emmy Awards (a categoria de atriz tem a inclusão bizarra de Jennifer Love Hewitt, que não é boa em nada e mesmo assim terá o nome anunciado junto ao de Judi Dench).

“The Big C” não é uma boa série – tem uma protagonista insuportável que o talento de Laura Linney consegue tornar mais tolerável. Sua inclusão entre as melhores comédias é, portanto, injustificada, ainda mais com programas geniais do porte de “Community” sendo totalmente ignorados. “Glee” não precisava indicar nenhum ator além de Jane Lynch. Entrementes, a indicação de Bryan Cranston por “Breaking Bad” – a primeira que ele recebe pela série, mesmo já tendo três Emmys na estante – foi bem-vinda, mas porque não estender o reconhecimento ao ilustre Aaron Paul?

Antes de arriscar palpites para as categorias de TV, vou passar por elas com mais atenção. Por enquanto, vamos continuar acompanhando a temporada de prêmios. O SAG Awards é o próximo a anunciar seus indicados. Listas de previsão a caminho!

Categorias:Premiações
  1. 14 dezembro 2010 às 11:21 pm

    As indicações na categoria de comédia/musical foram as mais constrangedoras. Mas, isso era até esperado. A produção, neste ano, neste gênero, foi fraca. Entretanto, a maior trapalhada da lista, pra mim, foi a indicação de Scott Caan por um programa de TV que é um verdadeiro LIXO!! Beijo!

  2. Caroline®
    15 dezembro 2010 às 1:36 pm

    Eu li tudo, mas só retive uma informação: Andrew Garfield e Emma Stone serão os novos Peter Parker e Mary Jane Watson???? Onde eu estava que não soube disso???? Ainda há esperança neste mundo! Estou completamente apaixonada por ele desde que vi Social Network – que, aliás, é um filmão.

    • Caroline®
      15 dezembro 2010 às 1:37 pm

      E ignoraram completamente Inception, hein? Que absurdo…

    • 15 dezembro 2010 às 3:52 pm

      Ka, não acho que a produção no gênero tenha sido fraca, já que filmes excelentes como Kick-Ass e Scott Pilgrim foram solenemente ignorados! O Globo é que optou por privilegiar os sucessos, mesmo. Não vi essa série com o Scott Caan mas realmente duvido que ele seja digno de indicação a alguma coisa! Beijo.

      Caroline, na verdade, Garfield será Peter Parker e Emma Stone será Gwen Stacy. Ela já está loirinha para o papel🙂 E Inception apareceu nas categorias esperadas mesmo.

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