Início > Cinema > Cabine: 72 Horas

Cabine: 72 Horas

No elogiado thriller francês “Pour elle” um homem tenta, a todo custo, livrar da cadeia a esposa condenada erroneamente por assassinato. Como não encontra a solução no sistema judiciário, resolve orquestrar uma fuga que o leva a ultrapassar todos os seus limites pessoais e morais, chegando ele próprio a recorrer ao crime. Essa premissa foi devidamente remodelada em “72 Horas”, uma refilmagem americana com Russell Crowe e Elizabeth Banks nos papéis principais (que foram, na versão européia, de Vincent Lindon e Diane Kruger) e Paul Haggis, o premiado roteirista de “Crash”, no cargo de diretor (o idealizador do original, Fred Cavayé, permanece creditado pela história).

Como um autêntico produto de Hollywood, “72 Horas” atenua o que pode: os personagens são amenos mesmo em suas características mais negativas, os vínculos familiares são açucarados e todas as pontas soltas são devidamente amarradas (inclusive nas situações em que a indefinição e a dúvida seriam mais adequadas, como em relação à autoria do crime do qual a mulher é acusada). Algumas opções, contudo, são pouco convencionais. Enquanto procura uma maneira de burlar a segurança penitenciária, o herói chega a muitos becos sem saída que parecem antecipar um anticlímax, o que seria, por si só, ousado e diferente.

Um punhado de cenas chega a esboçar certa plasticidade, como o flashforward que abre o filme, que só será alcançado pela narrativa no ato derradeiro: nele, o protagonista dirige desenfreado com o rosto ensangüentado, enquanto um personagem (nunca visto, apenas ouvido) agoniza no banco traseiro. Manter a câmera fixa em Crowe, sem oscilar a atenção, é um sinal de respeito ao personagem e ao momento transformador que ele vivencia – momento este que supera qualquer ação ou tensão. Esses instantes, porém, constituem exemplos isolados, e a conclusão estagna no lugar comum.

Haggis, um cineasta sem timbre pessoal, se contenta em seguir fórmulas conhecidas e aprovadas. Por esses critérios, “72 Horas” não se destaca, mas tampouco se retrai. O filme se sustenta bem entre a safra atual de thrillers, e só passou despercebido nos Estados Unidos graças à decisão tola da Lionsgate de estreá-lo simultaneamente ao lançamento de “Harry Potter”. No Brasil, a Imagem lançará 100 cópias em 24 de dezembro. Pode não ser o programa natalino ideal, mas deve garantir visibilidade o suficiente para que os brasileiros o descubram. Os fãs de um bom Super Cine não vão se desapontar.

.:. 72 Horas (The Next Three Days, 2010, dirigido por Paul Haggis). Cotação: B+

Categorias:Cinema
  1. 13 dezembro 2010 às 11:12 pm

    Assistiria somente por causa do Paul Haggis e do Russell Crowe.

    Beijos!

    • 14 dezembro 2010 às 6:13 am

      Ka, se você é um fã dos dois, não há de se decepcionar! Beijo.

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: