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Megamente

Hoje em dia, os trailers costumam entregar tantos detalhes e informações sobre a trama que, em certos casos, até evito assistí-los antes de conferir os filmes. A nova animação da Dreamworks, “Megamente”, é uma feliz exceção: não consegui me desviar do trailer, exibido com frequência nas salas de cinema nos últimos meses, mas quando finalmente fui assistir, descobri que um mínimo de informação tinha sido antecipada (o teaser trazia, basicamente, cenas dos minutos iniciais que motivam a ação, mas não são o centro dos acontecimentos). Assim, tinha à minha frente um filme fresco, com um roteiro mais criativo do que poderia supor e soluções inesperadas em sua totalidade.

Para que você, leitor, também embarque na experiência sem detalhes adicionais, revelo apenas o que o próprio estúdio liberou: Megamente, o vilão que dá nome ao filme (voz de Will Ferrell no original), é um alienígena azul de testa saliente que foi enviado à Terra ainda recém-nascido com nada além de uma chupeta e um lacaio. Ao mesmo tempo, outro planeta despacha para o Universo um bebê cujo DNA o torna capaz de suportar feitos grandiosos – o mesmo, dublado por Brad Pitt, viria a ser chamado de Metro Man. Nasce de imediato uma rivalidade entre os dois, com Megamente sempre sendo desfavorecido e relegado ao ostracismo. Com o tempo, Metro Man se transforma no super herói definitivo de Metro City, enquanto Megamente, aceitando a sua posição e determinado a se tornar o melhor malvado que puder ser, orquestra um plano fracassado após o outro na tentativa de combater o inimigo (quase todas as falcatruas envolvem o rapto de uma repórter dublada por Tina Fey).

Mais do que um filme divertido (o humor satírico da Dreamworks, nem sempre eficaz, cabe perfeitamente aqui) e bem feitinho (a animação é extremamente charmosa), “Megamente” é tocante quando chega à sua mensagem mais elementar. O antagonismo, sofisma o protagonista, é necessário para a construção do caráter: a competição e a rivalidade podem ser, à sua maneira, saudáveis para incentivar a dedicação e o crescimento pessoal de cada um. Sem isso, não só as normas da sociedade perdem o valor, mas também a nossa própria existência se torna vazia e sem propósito.

.:. Megamente (Megamind, 2010, dirigido por Tom McGrath). Cotação: A-

Categorias:Cinema
  1. 7 dezembro 2010 às 11:57 pm

    Perfeito seu texto sobre “Megamente”, especialmente o último parágrafo. Este filme foi uma agradável surpresa para mim. Achei cativante, engraçado e emocionante. Pena que não terá muitas chances na próxima temporada de premiações. Beijos!

    • 8 dezembro 2010 às 12:10 am

      Ka, pelo visto você fez uma interpretação bem parecida à minha. Fico feliz quando a gente concorda🙂 E também acho que, infelizmente, não sobrará espaço para Megamente nas premiações. Beijo!!

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