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Uma nova Avenida Q

O musical “Avenida Q”, transposto da Broadway para o Brasil por Charles Moeller e Cláudio Botelho, foi o que eu vi de melhor no teatro no ano passado. A ideia original se aproveita dos programas infantis que utilizam bonecos para ensinar o alfabeto e outras lições elementares às crianças – com o diferencial de que os fantoches que povoam a Avenida Q são adultos em desenvolvimento, que cantam, com bom humor e sem papas na língua, sobre problemas palpáveis como falta de dinheiro, frustração sexual, solidão urbana e assim por diante.

A primeira montagem brasileira era quase um triunfo, seja pelo excepcional conjunto de atores, seja pelas modificações acertadíssimas que a dupla de diretores fazia para adaptar uma trama indissoluvelmente americana à nossa cultura. Os fãs de “Avenida Q”, que não são poucos, cobravam um retorno do musical, e eis que acabou acontecendo. Está em cartaz em São Paulo uma nova Avenida, que esteve no Rio por uma temporada e viajou por vários cantos do país, feito inédito para uma produção deste porte. Para baratear os custos, a orquestra foi dispensada e toda a parte instrumental foi gravada previamente. O elenco, todo repaginado, continua cantando ao vivo.

Como não adianta fugir de comparações, devo dizer que tivemos perdas e ganhos em relação aos atores. Destaque para Roberto Donadelli, que tinha a difícil tarefa de substituir o protagonista André Dias e o fez com a maior dignidade, compondo do zero os dois personagens a quem dá vida; Carla Masumoto, que eu tinha visto anteriormente (era stand-in na versão anterior), agora está muito mais confortável e divertida; e Jonathas Joba dá uma inflexão particular e muito correta ao seu papel. Os demais, se não impressionam, ao menos dão conta do recado – com exceção do fraquíssimo Adriano DiSidney, uma péssima escolha para interpretar Gary Coleman (na verdade, o original Maurício Xavier também costumava ser o mais inferior do grupo).

Embora creditados pela direção original, Moeller e Botelho não são responsáveis por essa montagem, que está pior em praticamente tudo o que difere daquilo que eles haviam feito. Felizmente, as alterações são mínimas e algumas poucas chegam a ser bem pensadas. Ainda que não exale o brilhantismo prévio, “Avenida Q” permanece uma delícia de espetáculo e as duas horas de risadas mais garantidas do teatro paulistano. Corra para ver: só fica em cartaz até 28 de novembro!

.:. Avenida Q. Teatro Brigadeiro. Av. Brigadeiro Luís Antonio, nº 884. Bela Vista, São Paulo – SP. Sextas às 21h. Sábados às 18h e 21h. Domingos às 18h. Cotação: A-

Categorias:Teatro
  1. 7 novembro 2010 às 11:51 pm

    Um dia, assistirei in loco a estes musicais…. Beijo!

    • 9 novembro 2010 às 1:31 am

      Ka, com certeza. Da próxima vez que vier pra São Paulo, por que não tenta ver algum ?? Beijo !

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