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Mostra 2010: Homens e Deuses

O último longa conferido por mim nessa nada ilustre Mostra de Cinema de São Paulo foi o francês “Homens e Deuses”, um enorme sucesso na Europa e submissão oficial do país ao próximo Oscar de Filme Estrangeiro. Foi uma maneira de fechar a Mostra com simetria, já que o primeiro filme conferido por mim, “O Sequestro de Um Herói”, também veio da França. Aliás, quando escrevi sobre ele há alguns dias, reclamei que era extremamente frio e distanciado, como é de praxe no cinema francês. Já em “Homens e Deuses”, tive a confirmação de que mesmo com essa abordagem, digamos, menos calorosa, os filmes podem, sim, tocar e emocionar.

E sem recorrer a artifícios batidos, como o de potencializar a trilha sonora em ápices de tensão e momentos de catarse. Pelo contrário: o filme não tem música (a não ser quando entoada pelos personagens ou tocada no rádio), frases de efeito e diálogos explicativos cafonas. É coisa fina, para apreciar, refletir e se envolver por completo com essa história real, quer ela lhe seja familiar ou não (imagino que tenha tido muita repercussão na época, mas como não tenho idade o suficiente para recordar, embarquei na trama totalmente às cegas).

Trata de um grupo de freis franceses que tentam manter um mosteiro na Argélia em 1996. O país está enfrentando guerra civil e é dominado por fundamentalistas islâmicos. Conscientes dos perigos que enfrentam, os monges discutem a possibilidade de retornar ao país natal, mas optam por permanecer ali, já que forneciam assistência médica gratuita à população e eram auto-suficientes (o roteiro deixa claro que não estavam no país com o intuito de converter ninguém, e por mais que eu seja completamente desligado de religiões, devo dizer que admiro aqueles de fé altruísta, que renunciam a tudo para seguir o que acreditam, sem julgar e interferir nas opções dos que vão por um caminho diferente).

Não vou além disso na descrição do enredo, para que os que também desconhecem a história possam apreciá-la do zero. Só posso afirmar que “Homens e Deuses” é um belo trabalho de equipe – o elenco, em especial, é formidável, com todos os atores convincentes em seus respectivos papéis -, e que mereceu as honrarias que recebeu e ainda receberá (foi “medalha de prata” no Festival de Cannes, de onde saiu com o Grande Prêmio do Júri). No Brasil, tem estreia marcada para fevereiro de 2011.

.:. Homens e Deuses (Des hommes et des dieux, 2010, dirigido por Xavier Beauvois). Cotação: A-

Categorias:Cinema
  1. 5 novembro 2010 às 11:07 pm

    Sua opinião é BEM diferente sobre outra que li sobre o mesmo filme. A pessoa detestou esta obra. A conferir!🙂

    Beijo!

    • 6 novembro 2010 às 4:07 am

      Ka, imagino que seja um filme sem meio-termo, para amar ou odiar. Cá entre nós, acho que você vai estar entre os que gostam😉

      Beijo!

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