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Mostra 2010: Os Amores Imaginários

A estreia de Xavier Dolan na direção de longas-metragens – aos 19 anos de idade, com “Eu Matei Minha Mãe”, também roteirizado e protagonizado por ele – foi tão promissora que saiu do Festival de Cannes não com uma, mas com três distinções (o filme, aliás, ainda está em exibição em São Paulo e outras localidades). É sintomático, portanto, que seu projeto seguinte “Os Amores Imaginários” tenha sido aguardado com antecipação.

E muito do que deu certo no primeiro filme se repete aqui: Dolan, franco-canadense assumido como homossexual desde muito novo, é craque em condensar na tela situações que vivenciou. Essa habilidade cria uma conexão instantânea com a plateia, que tende a se identificar com tudo aquilo que possui resquícios auto-biográficos (afinal, por mais que nossos problemas pareçam únicos e exclusivos, nada mais são que uma variante dos conflitos internos que cada um experimenta).

Se no filme anterior ele desenhava o relacionamento de amor e ódio com a mãe, agora essa figura é abstraída para o enfoque num vínculo mais carnal. Basicamente, essa é a história de um triângulo amoroso formado por dois amigos – uma jovem adulta interpretada pela ótima Monia Chokri e um rapaz gay vivido obviamente por Xavier – e um charmoso terceiro elemento que se aproxima deles (Niels Schneider). Como o sujeito lança sinais dúbios, não há como definir se ele é gay ou hétero – ou, o que é mais provável, que jogue nos dois times. A partir daí, os amigos iniciam uma competição disfarçada pelo coração do homem de seus sonhos.

Na vida real, todos já devem ter passado por caso semelhante: cair de amores por alguém que atira para todos os lados, aprecia a atenção que recebe e faz pouco caso dos sentimentos que angaria. Superar essa paixonite, como vocês também devem saber, é coisa que só pode ser resolvida com o tempo (e, quando ele lhe permite seguir em frente, você olha para trás e se condena pelas atitudes que tomava enquanto ludibriado por um amor passageiro). Ao menos foi o que aconteceu comigo: vendo “Os Amores Imaginários”, acompanhando as peripécias daqueles três personagens, fui forçado a relembrar passagens pessoais e a confrontar sensações que nunca serão resolvidas.

Por esses e outros motivos, o filme mexeu comigo não só por seus méritos cinematográficos – e, nesse quesito, infelizmente, Xavier não corresponde ao que tinha atingido antes. Sua propensão a abusar da câmera lenta realmente atinge o excessivo, assim como não são tão felizes os depoimentos (simulados) intercalados à trama (apesar de um deles, de uma garota que desenvolve tudo que é forma de relacionamento pela internet, render boas risadas). Ocasionalmente cansativo e nem sempre capaz de ir direto ao ponto, “Os Amores Imaginários” já não impressiona como “Eu Matei Minha Mãe” – mas, comparações à parte, Xavier Dolan permanece um nome a se observar com atenção e respeito. Dos mais interessantes de sua geração de cineastas.

.:. Os Amores Imaginários (Les amours imaginaires, 2010, dirigido por Xavier Dolan). Cotação: B-

 

Categorias:Cinema
  1. 2 novembro 2010 às 11:18 pm

    Teu texto me deixou curiosa o suficiente para assistir a este filme, apesar de não ter entrado em contato com nenhum filme anterior do diretor. Beijo!

    • 2 novembro 2010 às 11:58 pm

      Ka, não perca as esperanças de Eu Matei Minha Mãe aportar em breve por aí😉

      Beijo!

  2. 3 novembro 2010 às 12:41 am

    tenho curiosidade, mas um pouco de medo do menino ser um histérico neste filme também. é?
    e, vou ser sincera: acho que eu AMO cenas em câmera lenta, hehehe.

  3. 3 novembro 2010 às 12:42 am

    eita, que é a Quéroul aí em cima, logada (nem sei pq) com o endereço do namorado.
    sorry.

    • 4 novembro 2010 às 7:41 pm

      Quéroul, ele está um pouquinho mais controlado nesse filme! HAHAHA… E não tem problema sobre o login😉

  1. 3 dezembro 2010 às 9:06 pm

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