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Cabine: Enterrado Vivo

Todos devem se lembrar do clássico do Cinema em Casa “Sepultado Vivo”, um telefilme dirigido por Frank Darabont que o SBT reprisava à exaustão na década de 90. Contava a história de um homem dado como morto que recobra os sentidos depois de enterrado, e sai do túmulo para se vingar da esposa e do amante dela que o envenenaram. No entanto, o plot novelesco não fazia jus ao título, já que um mínimo de tempo era reservado ao sepultamento e praticamente nada se sentia sobre a aflição e o desespero de ser depositado num caixão abafado enquanto ainda se está vivo.

Esse deve ser o tema dos nossos piores pesadelos e um trauma tão real que muitas pessoas precisam discutir em terapia. E é justamente nessa posição que se encontra o personagem de Ryan Reynolds em “Enterrado Vivo” (sem semelhanças com o filme de Darabond), um thriller tenso, claustrofóbico e lancinante que atinge todos esses estados sem jamais variar o cenário. Os 88 minutos de projeção são ambientados no caixão, iluminado ora por um isqueiro, ora pelo Blackberry enterrado junto do protagonista. Quando privado dessas fontes de luz, o personagem mergulha em completa escuridão, e o espectador, incapaz de visualizar qualquer coisa, junta-se a ele na experiência, ouvindo apenas a respiração ofegante de quem está ficando sem oxigênio.

Por mais desafiador que seja sustentar um longa-metragem nesses termos, o diretor espanhol Rodrigo Cortés acerta na tarefa, tanto pela confiança que deposita em Reynolds – que, apesar de direcionar a carreira para as comédias, não deixa dúvidas sobre sua versatilidade e alcance dramático -, quanto pelas soluções que encontra, junto do diretor de fotografia, para filmar um espaço mínimo em ângulos inventivos. Mas, como a situação não poderia ser gratuita, existe por trás dela um motivo: o personagem, na verdade, trabalhava como caminhoneiro para uma multinacional no Iraque, e acabou trancafiado no caixão após um ataque de xiitas, que exigem uma soma exorbitante como resgate – quantia essa que o governo não se dispõe a pagar.

Ou seja, o roteiro pretende levantar, também, uma discussão política. Pelo celular, o protagonista se comunica com oficiais que deixam claro que a imagem pública do conflito será priorizada acima da segurança pessoal dos soldados e civis envolvidos. Essa denúncia, além de não ser inédita, não cabe muito bem ao filme, e deve ser encarada como um artifício para movimentar a trama, construir um passado para o personagem, definir seu caráter. Nesse ponto, o filme fica devendo em consistência e se assemelha a um thriller qualquer. E isso acontece em mais de uma ocasião: enquanto sua estrutura atípica é um destaque, elementos como a trilha sonora intrusiva e a câmera lenta desnecessária colaboram para banalizar o projeto. Felizmente, não se sente esse peso ao final. O saldo é positivo com muita folga – desde que a plateia esteja preparada para embarcar no conceito e se agonizar também.

.:. Enterrado Vivo (Buried, 2010, dirigido por Rodrigo Cortés). Cotação: B+

Categorias:Cinema
  1. 1 novembro 2010 às 9:39 pm

    tinha me esquecido deste filme; curiosei-me quando li sobre. também gosto bastante do Reynolds, mas acho que cansei um pouco da cara (linda) dele.
    vc assistiu o CSI dirigido pelo Tarantas, ep. final acho que da 6ª temporada? pois é isso, o cara lá (o csi mais bonitinho), enterrado vivo por boa parte do episódio.
    dá uma falta de ar…
    😉

    • 1 novembro 2010 às 10:04 pm

      Quéroul, não vi esse episódio, mas todos meus amigos viciados em CSI me garantem que é incrível. Depois desse thriller, estou ainda mais inspirado a ver! (Se bem que já vi Tarantino enterrando Uma Thurman viva em Kill Bill 2, então meio que estou quite)🙂

  2. 1 novembro 2010 às 10:31 pm

    Gosto de filmes que proporcionam essa sensação claustrofóbica. Beijo!

    • 2 novembro 2010 às 3:34 am

      Ka, se prepare! Você certamente nunca viu algo assim antes… Beijo!

  3. 2 novembro 2010 às 3:45 am

    Aqui ainda tá passando … só tenho que caçar o cinema que passa …
    e eu confio em Ryan Reynolds … em The Nines ele aguenta rojão e mesmo nos baqueados Horror em Amytiville e A Ultima Cartada, é ele que faz a diferença …

    Te cuida manolex!

    • 4 novembro 2010 às 1:50 am

      JP, concordo sobre o Reynolds. Vá muito atrás do cinema que está exibindo esse filme. Tenho certeza que irá gostar. Abs!

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