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Archive for novembro \28\UTC 2010

15, com muito amor

28 novembro 2010 15 comentários

Me desafiaram pelo Facebook a completar o MEME Top 15 séries. As regras são as seguintes:

– Listar 15 seriados que sempre te acompanharão no decorrer da vida.

– Não demorar demais para pensar. No máximo 15 minutos, um por seriado.

– Passar a brincadeira adiante para 15 amigos.

Respondi devidamente no Facebook, mas aproveito a falta de assunto para colar essa lista aqui no blog também, e para que os queridos leitores possam enumerar as suas próprias séries. As minhas foram:

1. Buffy – A Caça-Vampiros

2. Six Feet Under

3. Friends

4. Supernatural

5. Battlestar Galactica

6. The Sopranos

7. The Golden Girls

8. Arrested Development

9. Veronica Mars

10. Desperate Housewives

11. Friday Night Lights

12. Gilmore Girls

13. Freaks and Geeks

14. Grey’s Anatomy

15. Will & Grace

Algumas listadas não são exatamente inatacáveis, mas entram pelo valor afetivo e por terem estimulado meu vício ao ponto em que está hoje. Pronto. Agora é sua vez!

Categorias:TV

Monthly Stitches

25 novembro 2010 6 comentários

Percebi que faz muito tempo que não faço um Weekly Stitches por aqui e resolvi montar um bem grandinho para compensar pelas semanas perdidas. Vamos lá…

– Música –

“Down by the Water” – The Drums

Se “Gossip Girl” não chega exatamente a prestar, pelo menos sempre me apresenta a alguma música boa, tipo essa aí, que eu tenho ouvido sem parar.

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“Cabaret” – Natasha Richardson

Como fã de teatro musical, eu gosto de showtunes, baixo álbuns originais da Broadway e tal. Mas não tinha tido muito contato com a trilha do revival de “Cabaret”, dirigido pelo Sam Mendes antes de “Beleza Americana” com a falecida Natasha Richardson como Sally Bowles. Andei vendo uns vídeos e a versão dela pra personagem era super diferente, meio trabalhada no padê. E, desse jeitinho, acabou ficando bem interessante. Aí vai a redenção da melhor canção.

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“O’ Children” – Nick Cave

A música que Harry e Hermione dançam em “As Relíquias da Morte”. Enough said.

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“Dog Days Are Over” – Florence and the Machine

Uma das mais canções gostosas da Rainha.

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– Filmes –

“Inception”

Depois que o assisti dez vezes (literalmente) nos cinemas, saiu na rede em qualidade de DVD, e claro que já está salvo aqui no meu laptop. Nos últimos meses minha animação com o filme foi passando. Não muito, mas um pouco. Mas bastou rever pra todo o amor e a paixão voltarem com força total.

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“Jovens Bruxas”

Lembro que eu adorava esse filme há uns dez anos e achava até um pouquinho assustador. Não é, é super bobinho, mas as quatro amigas praticantes de magia tem uma química legal e a Fairuza Balk está incrível.

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– Séries –

“Doctor Who”

Estou descobrindo essa série inglesa criada há 47 anos! Ficou parada por uns quinze anos antes de ganhar um reboot, que na verdade é uma espécie de continuação, já que o Doctor do título – um alienígena capaz de se deslocar por tempo e espaço, resolvendo problemas de todas as civilizações – é capaz de assumir uma nova forma humana sempre que o ator principal precisa ser substituído (porque, né, ninguém fica no mesmo papel por tanto tempo, com exceção do pessoal das novelas americanas). “Doctor Who” é uma produção inglesa e, curiosamente, endereçado ao público infantil, embora sua base de seguidores envolva todas as idades.

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“Six Feet Under”

Dessa eu revi o último episódio, pra mim o melhor desfecho para qualquer série já produzida. É um final lindo, mas bicas triste. Eu quero muito chorar de novo só de lembrar, mas estou me segurando. Mais não digo, em consideração ao leitor que ainda não assistiu a esse primor (tá esperando o quê?).

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“Firefly”

Baixei e vou começar a ver um dos únicos trabalhos de Joss Whedon que eu ainda não conheço. “Firefly” durou só catorze episódios e até agora eu só vi o primeiro, que é praticamente um filme e tem uma hora e meia de duração. É genial demais e eu fico triste por saber que não vingou.

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– Livro –

Oprah: Uma Biografia” – Kitty Kelley

Fiz uma leitura dinâmica dia desses na Fnac da polêmica biografia não-autorizada de Oprah Winfrey, a apresentadora mais famosa dos Estados Unidos e uma das personalidades blacks mais influentes do mundo. A autora fez uma pesquisa extensa e chegou à essência dessa figura, que exagera nos relatos da infância sofrida para angariar a simpatia do público e que, antes de uma celebridade admirada pelas ações filantrópicas, é uma mulher complicada e de temperamento nada maleável. Recomendo.

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– Vício –

“Avenida Q”

Desde que retornou aos palcos paulistanos – com elenco bem melhor do que poderíamos esperar – tenho revisto sempre que possível. Uma canja para os leigos:

 

E vocês, como vão?

Categorias:Cinema, Literatura, Música

Cabine: Skyline

23 novembro 2010 4 comentários

“Skyline – A Invasão” custou a bagatela de 10 milhões de dólares, mas o resultado final sugere um orçamento pelo menos três vezes maior. Os efeitos vistos na tela, se não revolucionários e inovadores, funcionam muito bem dentro da proposta e jamais remetem ao amadorismo que a falta de verba pode ocasionar. Mérito dos diretores, os irmãos Colin e Greg Strause, técnicos de efeitos especiais cujos currículos se estendem de “Titanic” à “Avatar”, passando por dezenas de produções de grande porte nos últimos quinze anos. Como cineastas, só tinham realizado anteriormente “Alien vs. Predador 2”, do qual não tenho lembranças.

Com base neste aqui, porém, arrisco algumas considerações: ainda que não sejam inventivos para narrar uma história – que já começa prejudicada por um roteiro irregular e acomodado nos clichês -, ambos têm a capacidade de aderir ao cinema independente americano elementos que se julgavam exclusivos do mainstream. Dessa conjugação, obtém-se o que há de melhor e pior em cada modelo. Na parcela dos ganhos, há um quê de subversão numa trama que teria de obedecer às regras intransigentes de uma produção mais caprichada (o desfecho é de certa forma inesperado, diferente). Do lado das perdas, há muletas narrativas óbvias que chegam a incomodar e truques tão manjados – como a câmera lenta conduzindo os momentos de tensão – que devem provocar risos involuntários ao invés de agonia e contorção.

Trata-se de mais um episódio de invasão alienígena, em que a raça forasteira chega exterminando os humanos em quantidade e rapidez avassaladoras. Ao final, descobrimos que o mundo inteiro está sob ataque, mas o foco da fita é sempre Los Angeles, aonde os protagonistas – um rapaz imaturo (Eric Balfour) e sua namorada grávida (Scottie Thompson) – tentam sobreviver à todo custo. Não são heróis, mas cidadãos comuns que se vêem acossados num condomínio sem qualquer forma de comunicação com o mundo exterior. Fugir seria tão arriscado quanto ficar, pois as naves emanam uma luz azul que contamina com radiação e hipnotiza aqueles que fazem contato visual. Se a sinopse parece risível, não se espante: o filme tem sua cota de ridículo. Mas também tem qualidades que passarão despercebidas ao espectador mais cético. As quais, sinceramente, espero que você esteja disposto a descobrir.

.:. Skyline – A Invasão (Skyline, 2010, dirigido por Brothers Strause). Cotação: C+

Categorias:Cinema

Obituário Harry Potter

21 novembro 2010 8 comentários

Quero deixar claro que o blog não está sem atualizações a troco de nada. É que em semana de estréia de Harry Potter não dá mesmo pra pensar em outra coisa, e tudo o que eu tinha pra dizer sobre o novo filme – e sobre os seis anteriores – já foi dito. Então é isso. Vá ao cinema assistir o inevitável. Leia e releia os livros a seu dispor. Passe por aqui quando a poeira tiver baixado. Afinal, amando ou odiando, o que as pessoas não conseguem é ignorar esse fenômeno.

A quem já conhece a saga por completo e quer fazer um balanço dos mortos e sobreviventes, aí vai um obituário. Só para quem acompanhou Harry até o fim!

• James Potter, 27 de Março de 1960 – 31 de Outubro de 1981

• Lily Potter, 30 de Janeiro de 1960 – 31 de Outubro de 1981

• Quirinus Quirrell – 4 de Junho de 1992

• Cuthbert Binns, Século 16 – Século 18 (fantasma)

• Nick Quase Sem-Cabeça, ? – 31 de Outubro de 1492 (fantasma)

• Nicolau Flamel, 1327 – 1992

• Murta-Que-Geme, 1926 – 1940 (fantasma)

• Basilisco de Salazar Sonserina, 990 – 29 de Maio de 1993

• 12 Trouxas, ? – 1 de Novembro 1981

• Tom Riddle Sr, 1905 – 1943

• Bartolomeu Crouch Sr, 1942 – 24 de Maio 1995

• Cedrico Diggory, 1 de Outubro 1977 – 24 de Junho 1995

• Sirius Black, 1959 – 18 de Junho de 1996

• Igor Karkaroff, 1950 – 31 de Julho de 1996

• Hepzibah Smith, ? – 1947/8

• Alvo Dumbledore, 1865 – Junho de 1997

• Caridade Burbage, ? – 1997

• Edwiges, Anterior à 1991 – 27 de Julho de 1997

• Alastor Moody, ? – 27 de Julho de 1997

• Régulo Black, 1961 – 1979

• Percival Dumbledore, ? – 1870

• Kendra Dumbledore, ? – 1885

• Ariana Dumbledore, ? – 1890

• Rufus Scrimgeour, ? – 1 de Agosto de 1997

• Gregorovitch, ? – 2 de Setembro 1997

• Gellert Grindelwald, 1883 – Março 1998

• Batilda Bagshot, Anterior à 1881 – antes de 24 de Dezembro de 1997

• Helena Ravenclaw, Século 10 – Século 11 (fantasma)

• Barão Sangrento, ? – Século 11 (fantasma)

• Ted Tonks, – 1998

• Dirk Cresswell, 1961 – 1998

• Pedro Pettigrew, 1960 – Março de 1998

• Dobby, 27 de Junho (?) – Março de 1998

• Vincent Crabbe, 1980 – 2 de Maio de 1998

• Fred Weasley, 1 de Abril de 1978 – 2 de Maio de 1998

• Remo Lupin, 10 de Março de 1960 – 2 de Maio de 1998

• Ninfadora Tonks, 1973 – 2 de Maio de 1998

• Colin Creevey, 1981 – 2 de Maio de 1998

• Severo Snape, 9 de Janeiro de 1960 – 2 de Maio de 1998

• Nagini, ? – 2 de Maio de 1998

• Bellatrix Lestrange, 1951 – 2 de Maio de 1998

• Lord Voldemort, 31 de Dezembro de 1926 – 2 de Maio de 1998

Fim.

Categorias:Cinema, Literatura

Harry Potter retrô

18 novembro 2010 9 comentários

Próximo do lançamento oficial de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, que tem pré-estreias a partir da meia-noite dessa quinta feira, republico o post de retrospectiva feito na ocasião da estreia do filme anterior, “O Enigma do Príncipe”. O retrospecto foi atualizado com comentários sucintos sobre os seis filmes passados.

* Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, 2001, dirigido por Chris Columbus): Não é segredo pra ninguém que Chris Columbus é um diretor de grande mediocridade – e talvez por isso tenha sido escolhido, já que por contrato a autora J.K. Rowling tem controle sobre o resultado. Ou seja, antes um diretor passivo que acate ordens do que um muito inventivo com grandes sacadas. Columbus se provara capaz, entretanto, de arrancar interpretações mirins convincentes (vide “Esqueceram de Mim” e “Lado a Lado”). E nesse ponto ele acerta: conduz o elenco juvenil com habilidade e talento. Daniel Radcliffe, escalado como o protagonista, era bonitinho e carismático (charme que viria a perder com a maturidade). Os amigos Rupert Grint e Emma Watson (Rony e Hermione) também davam conta do recado. E os mais notáveis e consagrados atores do teatro e cinema britânico ficaram com os papeis coadjuvantes. Surgiu daí um passatempo bem feito, ainda que esquecível (uma ressalva é que os efeitos visuais são bastante discutíveis). Os fãs ficaram satisfeitos e alguns outros que não conheciam os livros se fidelizaram a partir daqui. Cotação: C+

* Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, 2002, dirigido por Chris Columbus): À um primeiro olhar, “A Câmara Secreta” me agradou mais do que o anterior – talvez pela expectativa, que já estava mais moderada. Revendo agora, porém, percebo que é um pouquinho pior. É o menos redondo de todos. Tenho a sensação de que as crianças menores (até porque este é um filme assumidamente infantil) vão ter dificuldade em acompanhar a trama, que não é auto-explicativa, e sim mais próxima daqueles que já a conhecem. Columbus errou a mão mais uma vez, apesar do jovem elenco ainda não ter perdido a espontaneidade. No mesmo esquema, os veteranos continuam relegados a míseros minutos (neste há a inclusão de Kenneth Brannagh e Jason Isaacs). Mas o que mais chama a atenção é a presença de Richard Harris, que tem em Dumbledore o último personagem de sua carreira (ele faleceu pouco antes da estreia do filme e foi substituído no capítulo seguinte por Michael Gambon). A Cezar o que é de Cezar: os efeitos melhoraram 100%, e o elfo Dobby, criado por computadores, é impecável. Cotação: C-

* Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004, dirigido por Alfonso Cuarón): A escolha do mexicano Cuarón para a direção (Columbus fez o favor de se ocupar com o musical “Rent” e passou o bastão) foi no mínimo excêntrica (ele vinha do sucesso “E Sua Mãe Também”, um drama erótico que não o credenciava para um filme infanto-juvenil). Mas não é que deu certo? Cuarón fez uma adaptação digna, ajudado por um roteiro mais engenhoso, que comprime as passagens do livro com maior liberdade. Só erraram no uso do humor, que quando mal dosado deixa a impressão de que não conseguiram definir o tom da piada. Tecnicamente é irretocável. Os efeitos estão melhores (apenas a figura do lobisomem parece artificial), a fotografia passa de solar a sombria, e até os figurinos se distanciam das cores alegres e se tornam mais frios, lúgubres. Já o trio principal começa a dar sinal de suas limitações, com os personagens mais carregados de emoções. Cotação: B+

* Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005, dirigido por Mike Newell): Primeiro filme de Harry Potter dirigido por um inglês, mesmo que um sem experiência no gênero (Newell é mais conhecido por comédias românticas como “Quatro Casamentos e um Funeral” e “O Sorriso de Monalisa” – ou seja, fita de menina). Fica cada vez mais difícil esconder que os atores estão crescendo mal (o que interpreta Neville Longbottom é o mais desengonçado), mas o filme não ignora essa fase, dando indícios de paqueras e namorinhos (Harry se interessa por uma mestiça e Hermione por um cossaco). Há dessa vez um torneio entre bruxos estrangeiros acontecendo na escola Hogwarts, o que dá espaço para boas sequências de ação e para efeitos eficientes. Entrementes, as forças das trevas se regeneram com o retorno de Lord Voldemort (Ralph Fiennes, sob uma maquiagem pesada). O engraçado é que Michael Gambon, tão adequado em “O Enigma do Príncipe”, errou aqui na abordagem do personagem: Dumbledore chega a dar medo, e nem de longe lembra o mago pausado e sereno dos livros. Cotação: B-

* Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007, dirigido por David Yates): Um retrocesso da série, que acertava desde o terceiro capítulo. Este quinto se salva pela participação de Imelda Staunton, formidável como a tirana Professora Umbridge. Em geral é muito arrastado, com poucos atrativos para quem já não é fã. Foi também o primeiro (e único) filme a não ser roteirizado pelo Steve Kloves (que fez do primeiro ao quarto e do sexto aos dois últimos em produção). No lugar entrou Michael Goldenberg, que não tinha como fazer milagres diante do livro inflado e cheio de excessos de Rowling (um dos mais fracos como literatura). O jeito foi apelar para as manchetes de jornal, a forma (deselegante) que eles encontraram de resumir um punhado de acontecimentos e transições. A moral da história é batida e cafoninha (precisávamos ver Harry dizendo que é feliz porque tem amigos enquanto o vilão tenta possuí-lo?), e os pontos altos são os alunos praticando feitiços às escondidas e o duelo entre os bruxos experientes que serve de clímax. Reparem também na certa precariedade dos efeitos (o gigante é constrangedor). Cotação: C+

* Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009, dirigido por David Yates): Não só o diretor parece mais confiante, mas também o roteirista Steve Kloves, que retoma o posto. Dessa vez ele teve mais liberdade para seguir caminhos diferentes dos propostos pela autora, e acertou em tudo (a cena onde o casebre da família Weasley é atacada não existia, e foi muito oportuna para balancear o ritmo de uma trama que, originalmente, se arrastava e não ia para lugar algum). Outra modificação arriscada diz respeito ao casal Harry e Gina. Eu, que sempre achei a menina insuportável (e mais rodada do que moeda de cinco centavos, diga-se de passagem!), comemorei ao ver o namoro dos dois reduzido a um único beijo, mixuruca e trocado às escondidas. De resto, a competência habitual: cenografia, direção de arte, figurinos, tudo feito no maior capricho e agindo em conjunto para tornar palpável aquele mundo fictício. A fotografia é ainda essencial para atestar o clima do longa, e a trilha sonora, repaginada por Nicholas Hooper, é linda No mais, sei que Harry Potter tem um punhado de detratadores, mas devo confirmar que assisti a “O Enigma do Príncipe” com mais prazer do que os anteriores. Cotação: A-

É isso aí! Boa premiere para todos.

Categorias:Cinema

Cabine: Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte 1)

16 novembro 2010 10 comentários

A escritora britânica J.K. Rowling planejou a saga do bruxinho Harry Potter para que o herói crescesse e amadurecesse junto de seus leitores. Isso é muito perceptível quando se folheia a coleção completa, atento às mudanças no tom e na estrutura desde o primeiro livro, lançado em 1997, até o sétimo, publicado dez anos depois. Se, a princípio, a série era assumidamente infantil, com o decorrer dos volumes os problemas enfrentados pelo protagonista se tornaram mais espinhosos, e a narrativa, cada vez mais séria e soturna.

O mesmo pode ser avaliado pelas versões cinematográficas. Os primeiros filmes, dirigidos sem qualquer sopro de inspiração por Chris Columbus, eram solares, coloridos e pueris. Já o terceiro – que deve muito a Alfonso Cuarón, responsável por dar novo escopo à série nos cinemas – começava a sugerir que, num mundo mágico, o que há de sonho há também de pesadelo. O quarto, comandado por Mike Newell, trazia a primeira morte crucial da saga e atestava, por fim, que os personagens, assim como os atores que os interpretam, não eram mais crianças inocentes. A partir do quinto, a direção ficou por conta de David Yates, que não se afastou do cargo desde então e que deve ser louvado por manter a atmosfera crescente (foi no sexto, “O Enigma do Príncipe”, que ele chegou ao ápice e imprimiu algo de pessoal no que poderia ser genérico).

Na sétima e última parte, “As Relíquias da Morte”, Harry atinge a idade adulta e, como tal, tem de abandonar o mundo literalmente protegido em que vivia – os limites encantados da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts – para abraçar o desconhecido – afinal, o universo que o rodeia está mergulhado no caos, desde que Lord Voldemort, o bruxo das trevas mais poderoso de todos os tempos, instaurou uma ditadura através de seus asseclas. Mas a maior recompensa para o vilão seria exterminar Harry Potter de uma vez por todas, já que uma certa profecia antecipou que, no final, um deles terá de encerrar a vida do outro – e, em todas as ocasiões em que ficaram frente à frente, Harry acabou frustrando os planos do rival.

Não que Harry seja um bruxo excepcionalmente talentoso: ele apenas dá valor às suas virtudes e cultiva amigos preciosos, dos membros da Ordem da Fênix, organização que luta contra a magia negra, aos íntimos Rony e Hermione, que o acompanham na longa jornada do último livro. Forçados a abandonar o castelo de Hogwarts e a viver como fugitivos, os três se deslocam entre as colinas verdes da Inglaterra e as florestas inóspitas da Albânia, enquanto tentam dar continuidade à missão do Professor Dumbledore, morto no encerramento do “Enigma”, que rastreava os esconderijos das Horcruxes de Voldemort (objetos encantados nos quais o lorde depositara fragmentos de sua alma na ambição de se tornar imortal).

“As Relíquias da Morte” chegará aos cinemas dividido em duas partes – a primeira estreia nessa sexta-feira, 19 de novembro, e a segunda, em julho próximo. A posição oficial da Warner é a de que um filme somente não faria jus ao potencial artístico da história. Os mais cínicos insistem que a decisão foi puramente comercial (afinal, “Harry Potter” é a franquia mais rentável da História do cinema, e o estúdio não quer abrir mão da sua galinha de ovos de ouro). Independente das intenções, é fato que “As Relíquias” se trata do livro mais difícil de adaptar, pois, para amarrar as pontas soltas espalhadas pelos seis volumes anteriores, a autora resgata inúmeros personagens e situações, muitos dos quais reduzidos ou suprimidos nos filmes passados.

O roteirista Steve Kloves foi capaz de integrar esses novos fatos à trama, formulando em míseros diálogos o que Rowling levara capítulos inteiros para desenvolver. A divisão dos filmes dá a chance dos acontecimentos ganharem vida sem pressa – a calmaria, aliás, chega a passar da conta, e mais do que ocasionalmente esse sétimo filme resulta lento e monótono. As sequências de ação e aventura, porém, não decepcionam e atingem proporções que a escrita apenas vislumbra. Com mais tempo para dispensar, este é o filme mais fiel ao material original dentre os sete já lançados, e dentro desses limites, Yates até consegue seguir seu próprio estilo (em comparação, as adaptações do Chris Columbus, que também eram regradas em relação aos livros, costumavam ser bem ordinárias). Mas, ainda assim, o diretor fica um degrau abaixo do que demonstrou no “Enigma”.

Entrementes, o trio principal nunca esteve tão bem, e após uma década de relacionamento com os personagens, finalmente parece compreendê-los. Mesmo tendo crescido mal, Daniel Radcliffe começa a reforçar as qualidades mais nobres de Harry Potter, enquanto o ruivo Rupert Grint rouba as atenções como o alívio cômico do terceto e Emma Watson demonstra maturidade, desprovida dos tiques incômodos de outrora (como resumir toda a expressão facial às arqueadas de sobrancelhas). Veteranos consagrados do teatro e do cinema inglês lhes fazem companhia, mas, novamente, são meros coadjuvantes às estrelas juvenis. Ralph Fiennes reprisa o papel de Voldermort, irreconhecível sob a maquiagem pesada, mas não especialmente assustador. Nas breves aparições, alguns, como Jason Isaacs (Lúcio Malfoy) e Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange), conseguem provar seu propósito; outros, como o recém-chegado Bill Nighy (o novo Ministro da Magia), nem chegam a ter a chance.

Os ares de superprodução continuam evidentes, e claramente o estúdio não fez concessões no orçamento. Os efeitos são convincentes, a direção de arte é de encher os olhos e a fotografia, ora fria, ora sombria, é bastante adequada. O visual como um todo, planejado inicialmente para ser convertido para 3D (as cópias não ficaram prontas a tempo e estréiam nas duas dimensões tradicionais), realmente inspira à grandeza. Um momento em particular, que se utiliza de animação para narrar um conto infantil, é o mais inspirado dessa primeira parte. Por outro lado, a nova trilha sonora, composta por Alexandre Desplat, é neutra e apagada, inferior ao trabalho notável de Nicholas Hooper e ao antigo de John Williams. A edição também parece desleixada, abusando demais da tela preta para simbolizar o término de um ato e não delineando com precisão a quantidade de tempo que transcorre entre evento A e B.

Por fim, o encerramento de “Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 1” é tão abrupto que sequer cria as deixas corretas para o filme seguinte. Traçando uma comparação inevitável com a saga “O Senhor dos Anéis”, dividida em três filmes, percebemos que a obra de Tolkien originou longas mais auto-suficientes. Mesmo que a história fosse contínua, cada volume de “Senhor dos Anéis” fechava seu próprio ciclo interno antes de dar início ao outro. Nesse quesito, “Harry Potter” fica devendo um pouco em simetria e coesão. Que a segunda parte coloque o ponto final definitivo nessa aventura épica com um pouco mais de certeza e elegância!

.:. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1, 2010, dirigido por David Yates). Cotação: B-

Categorias:Cinema

Se cair na estrada, não case

Não é a primeira vez que o diretor Todd Phillips faz um filme de viagem. Em 2000, ele dirigiu “Caindo na Estrada”, uma comédia que não parou nas prateleiras das locadoras por um tempo e que até hoje é reprisada com frequência pelo TeleCine. Justiça seja feita: a fita era realmente hilária, capaz de explorar o conceito surrado da viagem desastrosa entre um grupo de amigos e de brincar, dentro dos limites do besteirol, com estereótipos da cultura americana. Isso foi bem antes de “Se Beber, Não Case”, a comédia mais rentável de 2009 que ajudou a colocar Phillips no mapa daqueles que o tinham descartado.

Com seu novo trabalho, “Um Parto de Viagem”, ele parece disposto a unir o elemento “fita de estrada” que já desbravou com a personalidade mais risível de “Se Beber, Não Case”, o ator característico Zach Galifianakis. Adicione à fórmula o sempre irresistível Robert Downey Jr e teria-se, aí, um resultado imperdível. Infelizmente, nem todas as expectativas para essa conjugação épica são correspondidas. O roteiro, escrito à oito mãos, fica devendo melhores piadas (na sala em que o assisti a reação foi bastante fria, apesar de estar lotada em função do feriado) e carece de uma unidade (fica a sensação de que cada roteirista ficou responsável por um segmento e depois juntaram tudo sem revisar).

Na trama, o personagem de Downey Jr. precisa voltar à Los Angeles antes que a esposa dê à luz o primeiro filho do casal. Como um mal-entendido faz com que ele seja banido do sistema aéreo, tem de pegar carona justamente com o sujeito que o fez ser expulso do avião – um aspirante à ator sem qualquer tipo de conduta social interpretado por Galifianakis. Os papeis não lhes dão oportunidades (sugerem, por exemplo, que Downey Jr teve problemas com o pai e que não está, ele próprio, preparado para lidar com uma criança, mas jamais levam isso adiante). De qualquer maneira, a dupla tem química e carisma de sobra, e consegue segurar as pontas mesmo quando o texto não está à altura. O público ainda pode se espantar de ver Jamie Foxx numa mísera ponta – sinal indubitável de que a carreira não vai nada bem.

.:. Um Parto de Viagem (Due Date, 2010, dirigido por Todd Phillips). Cotação: B-

Categorias:Cinema