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Mostra 2010: O Mágico

Os especialistas garantem que “O Mágico”, desenho co-produzido por França e Inglaterra, é um concorrente garantido ao próximo Oscar de Melhor Filme de Animação – e a julgar pelas credenciais impecáveis do diretor e roteirista Sylvain Chomet, que já adentrou nessa categoria com “As Bicicletas de Belleville”, as chances disso acontecer são realmente expressivas. Aliás, não se espante se “O Mágico” te remeter a muitos detalhes de “Bicicletas”. Trata-se de outra fita curiosa, talentosa e peculiar, cuja história é contada quase que inteiramente sem diálogos.

Baseado em texto original de Jacques Tati, o filme é sobre um velho mágico francês que viu seus dias de glória ficarem para trás. Nos anos 60, a Europa e o mundo se renderam a atrações mais sensacionalistas e os bons e velhos shows de variedade ficaram obsoletos. Sem emprego nos grandes centros, aonde seus truques são desacreditados, o senhor, que não perde a pose e a elegância, se refugia num vilarejo distante, finalmente trazendo, com sua apresentação, frescor e alegria aos habitantes do lugar. Mas a impressão mais forte ele causará numa garota pobre e ingênua, que acredita que os truques correspondem à magia de verdade. Ela vai segui-lo até Londres quando a temporada chega ao fim, e se transforma imediatamente numa figura filial, responsável por tirar o mágico de seu insulamento emocional. Daí em diante, o filme o acompanha tentando emplacar sua arte, enquanto a menina se torna mocinha, se interessa por vestidos e sapatos, fica próxima de um rapaz e percebe, enfim, que nem tudo na vida pode ser resolvido com ilusionismos.

A identidade visual do filme é um de seus principais atributos. A concepção dos personagens com traços amaneirados e rústicos e os cenários simplificados e estáticos são charmosos e eficazes, contrariando a noção atual, em especial no que diz respeito à animação, de que alta definição e senso tridimensional são indispensáveis à narrativa. Segundo “O Mágico”, nem toda tradição pode ser descartada, já que muito do que se diz ultrapassado possui beleza e pureza ímpares (caso dos vários artistas circenses vivendo como párias num pensionato caindo aos pedaços). Infelizmente, esse é o mundo em que vivemos, e nada mais justo que o desfecho do filme seja melancólico, triste e pessimista. Ainda que a trama dê sinais de cansaço, esta é uma obra que merece ser vista e celebrada. Os cinéfilos devem lacrimejar com um momento específico: quando o personagem entra no cinema e os desenhos estão assistindo aos atores de carne e osso.

.:. O Mágico (L’Illusionniste, 2010, dirigido por Sylvain Chomet). Cotação: B+

Categorias:Cinema
  1. 25 outubro 2010 às 9:57 pm

    Gosto muito de “As Bicicletas de Beleville” e este teu post me deixou curiosa para conferir “O Mágico”. Beijo!

    • 26 outubro 2010 às 12:07 am

      Ka, tenho a impressão de que você também irá gostar deste aqui! Beijo.

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