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Denso!

Assisti, como quem não quer nada, ao australiano “Animal Kingdom” (ainda sem título no Brasil, embora a tradução literal seja Reino Animal). O filme venceu o prêmio dramático no festival de Sundance e foi especialmente elogiado pela habilidade com que cineasta David Michôd, estreante em longas-metragens de ficção, conduzia uma história pesada e difícil de digerir. Na trama, um adolescente introspectivo, mais ouvido pela narração em off do que pela própria boca, vê a mãe morrer vítima de uma overdose de heroína, e vai logo em seguida morar com a avó e os tios, uma parcela da família que a falecida tentara lhe esconder a vida inteira.

E dá para entender o porquê: o clã tem uma ligação estreita com a criminalidade, carrega armas no porta-luvas do carro, se droga constantemente, fala baixarias e é demasiadamente influenciado pela matriarca. Neste papel está Jacki Weaver, desde já considerada a favorita ao próximo Oscar de Atriz Coadjuvante, e com chances reais de vitória. Sua personagem é escabrosa, capaz de receber pelo telefone a notícia de que a filha morreu e de não esboçar qualquer dor ou desespero. Pelo contrário: seu pesar ao se dirigir ao neto parece ser apenas uma questão de cortesia. Com os filhos adultos que ainda moram junto dela nutre uma relação doentia, de conotação incestuosa.

Não é à toa que são todos sociopatas, alguns mais claramente perturbados que outros – são frutos do meio em que vivem, e o jovem protagonista não demora a perceber que ele próprio será corrompido pelo ambiente hostil (infelizmente, o ator que o interpreta, James Frecheville, é muito fraco e opta por falar para dentro, como se tivesse engolido uma batata quente). Outra presença de destaque – pelo menos nos créditos – é a de Guy Pearce, como um policial que vê no garoto a testemunha ideal para desmantelar a família. A princípio, a história parece se arrastar, mas vai ganhando mais e mais clima para, na metade final, ter chegado ao ápice da tensão. O roteiro de Michôd acerta em distribuir o foco entre vários personagens; as ações de cada um não são amenizadas, mas o espectador entende que eles não são dignos de ódio, e sim de pena.

.:. Animal Kingdom (2010, dirigido por David Michôd). Cotação: B+

Categorias:Cinema
  1. 19 outubro 2010 às 2:35 pm

    mui interessei-me.
    vc baixa filmes de onde???

    e a Mostra, como estão os preparativos? fazendo exercícios, abdominais e tudo mais pra aguentar o tranco?😛

    beijo

    • 19 outubro 2010 às 5:53 pm

      Quéroul, esse em particular eu baixei no Up.tl, onde costumo baixar seriados!

      Tô tristinho porque não vou poder acompanhar tanta coisa nessa Mostra. Meu horário está bem mais apertado, mas claro que tenho alguns filmes em vista e farei de tudo para ver!

      Beijo.

  2. 19 outubro 2010 às 9:06 pm

    Não conhecia o filme. Seu texto me deixou curiosa. Beijo!

    • 20 outubro 2010 às 5:56 pm

      Ka, você que adora fazer lista de previsões, precisa ver este aqui para se atualizar😉

      Beijo.

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