Início > Cinema > Dois bobalhões e um bebê

Dois bobalhões e um bebê

A trama de “Juntos Pelo Acaso” – no qual duas pessoas sem nada em comum tem de se unir após a morte dos melhores amigos, que lhes nomearam tutores da filha pequena – é tão batida que, se não me falha à memória, chegou a ser mote de piadas num episódio de “Friends”, em que os amigos discutiam quem cuidaria do bebê de Ross e Rachel se ambos morressem. Essa situação bobinha e previsível, geralmente contada numa versão disneyficada, dá margem a muitas gags que envolvendo fralda suja de cocô, papinha sendo atirada pra tudo que é lado e vômito no rosto.

O bebê, por regra, deve ser fofo o suficiente para que a plateia exclame a cada nova gracinha, e os adultos em questão, aqui interpretados por Katherine Heigl e Josh Duhamel, devem ser atrapalhados a ponto de nem conseguir aconchegar a criança (o que nos faz questionar a responsabilidade dos pais que faleceram, mas, já que numa das únicas cenas em que aparecem antes do acidente de carro, o marido afirma que ele e a esposa costumam fumar um baseado, a falta de tato nessa decisão tão importante não chega a espantar). E não podemos esquecer que, em algum momento, o par central, que vivia se desentendendo antes de ser forçado a abraçar a paternidade, irá canalizar a tensão no sexo e formar um lindo casalzinho.

Sem modificar um só ingrediente nessa receita tantas vezes requentada, temos em “Juntos Pelo Acaso” uma comédia romântica descartável e esquecível – mas nem por isso ofensiva. Ainda que os clichês transbordem do prato, o bebezinho (de acordo com os créditos, três trigêmeas dividindo o papel) tem reações ótimas, capazes de entalhar um sorriso no mais carrancudo dos rostos, e a dupla Heigl e Duhamel tem excelente química (ela acabou se tornando uma referência no gênero, no qual investiu pesado, inclusive se demitindo da série “Grey’s Anatomy” e servindo como produtora executiva da fita; ele, marido da cantora Fergie, tem o tipo certo de pai relutante).

"Viva, consegui quebrar meu contrato!"

O diretor é Greg Berlanti, executivo da televisão americana com pouca experiência no cinema. Talvez por isso o filme tenha ficado com a aparência de um seriado encurtado: os acontecimentos são episódicos, o roteiro usa canções como muletas e muitos dos atores são rostos conhecidos da telinha (Christina Hendricks, Melissa McCarthy, Jean Smart e a própria Heigl são identificáveis a grande parte do público graças a suas aparições na TV). Quem também participa, parecendo envelhecido e cansado, desprovido do charme de outrora, é Josh Lucas, como um pediatra que flerta com a protagonista. Para o público feminino, em especial àquelas que se derretem com as caras e bocas de bebês, esta será uma boa diversão. Para os homens, se visto num bom dia, também pode ser.

.:. Juntos Pelo Acaso (Life As We Know It, 2010, dirigido por Greg Berlanti). Cotação: C+

Categorias:Cinema
  1. 18 outubro 2010 às 10:39 pm

    sem nenhuma curiosidade, ainda que goste muito da Heigl. mas é o tipo de filme que eu vou ver sem querer um dia, ou passando na tv, ou na casa de alguém…
    agora eu só quero ver três tipos de filme: os do Herzog, todos com o Ricardo Darín, e documentários.

    tô arrasando na locadora, amigo! logo mais vou arrasar na net e começar a baixar as coisas, porque né, chega de bancar glamour dos outros.
    =***

  2. 19 outubro 2010 às 1:16 am

    Não me chama a atenção. Talvez baixe.

    • 19 outubro 2010 às 1:34 pm

      Quéroul, isso que é bom gosto pra cinema!! Certa está você, de dar prioridade pro que realmente tem qualidade. Eu, na minha tentativa de ver de tudo um pouco, mais do que frequentemente esbarro com essas bobagens da Heigl! Beijo.

      Robson, não é mesmo filme que precise ser visto nos cinemas.

  3. Indara
    22 outubro 2010 às 3:45 pm

    Vc implica muito com a Heigl. Ela já mostrou que é boa comediante e que tembém é boa como atriz dramática (arrasava em Grey’s). O único problema é que ela não se arrisca em novos projetos.

    • 24 outubro 2010 às 2:41 pm

      Indara, não é implicância! Eu reconheci, nesse texto mesmo, que ela tem boa química com o Josh e consegue segurar um filme. Só que sua figura pública – mais precisamente, as várias declarações que ela já fez sobre as pessoas com quem trabalhou – é a prova de que ela não tem um pingo de profissionalismo.

  4. Indara
    24 outubro 2010 às 8:00 pm

    Acho que a Katherine tem um senso de humor estranho e às vezes é mal interpretada, mas o que me encanta nela é que mesmo estando no ramo há um certo tempo, ela não passa a impressão de ser mais uma dessas estrelas vazias. Gosto muito disso e acho que ela não é odiada no meio, pois é amiga do elenco de Grey’s Anatomy e é muito elogiada pelos atores e diretores que trabalharam com ela. Pra mim, tudo isso aí que falam dela é só fofoca.

    PS: Vamos admitir também que ela é linda e talentosa, né?!

  5. Indara
    24 outubro 2010 às 8:08 pm

    Ahh, virei fã de Buffy por causa de vc. Já vi todas as sete temporadas e também é minha preferida.

    • 24 outubro 2010 às 9:55 pm

      Indara, sempre achei Heigl linda e talentosa, mas meio boca grande!🙂

      Que legal saber que você viu Buffy por minha recomendação. É minha série favorita da vida!!!

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: