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Comer Rezar Amar Xingar

“Comer, Rezar, Amar”, drama de grande orçamento com Julia Roberts que acaba de estrear nos cinemas do Brasil, é uma caixa de bombons como “Sex and the City”, “Desperate Housewives” e tantas outras falácias sobre a mulher moderna e independente que, no final das contas, só vai encontrar o sossego e a felicidade ao lado de um homem. Não que haja algo de errado em querer uma companhia: o problema é renunciar a aspectos de si mesma por essa outra pessoa.

O mais irônico é que a personagem de Julia é uma jornalista determinada a se libertar deste estigma – tanto que, após terminar dois relacionamentos (um casamento de longa data com Billy Crudup e um namoro apressado com James Franco), ela emprega as economias restantes numa viagem de um ano. Primeiro para a Itália, aonde descobre a boa culinária e o calor do povo; depois para a Índia, aonde se refugia num templo de meditação e se aproxima de um senhor americano (Richard Jenkins); e por fim na Indonésia, aonde busca aconselhamento com um guru em Bali e descobre novamente o amor (Javier Bardem, interpretando um brasileiro).

O primeiro segmento do filme é simpático o bastante para despertar a vontade de comer bem e de viajar. Daí em diante, porém, impera a banalidade, pois a protagonista não tem um problema mais sério (o roteiro, ciente disso, se perde em ladainhas para justificar os conflitos), e o público jamais fica convencido de que meditação seja solução para alguma coisa (até porque milhões de pessoas vivenciam os mesmos dramas diariamente e superam sem ter de se deslocar para o outro lado do mundo em busca de paz espiritual).

O filme encerra com um casal feliz, partindo de lancha rumo ao horizonte – um final sensível e inofensivo, perfeito para a plateia americana e no ponto para arrancar suspiros das mulheres embasbacadas. Mas também um final vazio, de uma fita fútil e sem conteúdo, que se acha muito mais relevante do que realmente é (nem mesmo Julia, sempre capaz de esbanjar carisma, consegue despertar empatia). A direção coube a Ryan Murphy, mais conhecido por seus feitos na TV (é dele as séries “Glee” e “Nip/Tuck”). Sua falta de familiaridade com o cinema é evidente, e não surpreende que ele se prove tão medíocre como realizador. A trilha, que demarca demais os personagens, os cenários e as situações (Bardem, por exemplo, é apresentado com a mesma música de Bebel Gilberto que tocou em “Closer”), também é de um didatismo e uma redundância absurdos. Não deixe de perder.

.:. Comer, Rezar, Amar (Eat Pray Love, 2010, dirigido por Ryan Murphy). Cotação: D+

Categorias:Cinema
  1. 2 outubro 2010 às 9:50 pm

    UHAUHAUHUAHUHAUA.
    nem li a crítica ainda porque me agüei toda com o título.
    (y)

  2. Mark
    2 outubro 2010 às 10:21 pm

    Aff, não acredito. Preciso ver, mas acho que vou gostar, haha.

    • 3 outubro 2010 às 3:04 am

      Quéroul, já fiz várias combinações diferentes para completar esse título, e acredite, essa foi a mais inofensiva delas! HAHAHA

      Mark, sei que você adora o Ryan Murphy, mas saiba que eu não estava de má vontade e vi o filme querendo gostar. Mas ai, é muito bobinho!!!

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