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O susto que não veio

“O Último Exorcismo” segue o estilo bem-sucedido de “A Bruxa de Blair”, “Cloverfield”, “Atividade Paranormal” e a série “[REC]”, dentre tantos outros. É uma história de terror/suspense contada através de uma câmera subjetiva, manuseada por um dos personagens para que o público só consiga ver as imagens que o aparelho capturou. Esse artifício é útil para envolver literalmente a plateia nas situações apresentadas, e também para conferir um realismo que falta a esse gênero tão apoiado no exagero e nas decisões estúpidas dos personagens.

Por outro lado, essas produções costumam custar uma mixaria, e graças ao marketing virtual pesado e ao boca-a-boca de fãs equivocados, arrecadam nas bilheterias o suficiente para cobrir todos os gastos e ainda fechar com saldo positivo. Este “O Último Exorcismo”, por exemplo, mesmo sendo produzido por Eli Roth (uma das piores invenções de Quentin Tarantino, que o apadrinhou), parece corriqueiro, feito às pressas, com indiferença e desmazelo.

É sobre uma equipe (na verdade, apenas um camera man e uma contra-regra) que acompanha um pastor especializado em exorcismos a uma de suas sessões. O próprio pastor é descrente: admite que todos os exorcismos que realizou na vida foram encenados, e está determinado a comprovar as falcatruas diante das câmeras. Como todos sabemos, porém, o caso que ele vai atender é realmente demoníaco – uma menina boazinha, humilde e pouco instruída da zona rural tem tido crises de sonambulismo e retornado para casa no dia seguinte com as roupas ensanguentadas.

Um tempo imenso é perdido na introdução dos personagens e da situação. Teoricamente, as coisas deveriam ficar mais e mais aflitivas no decorrer da projeção, mas os sustos soam calculados demais e o uso da câmera jamais convence como autêntico. A ideia fica mesmo melhor quando divulgada em comunidades da internet.

.:. O Último Exorcismo (The Last Exorcism, 2010, dirigido por Daniel Stamm). Cotação: C-

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Categorias:Cinema
  1. 1 outubro 2010 às 11:28 pm

    Este filme me foi muito bem recomendado por um amigo que é fã desse gênero, mas este teu texto me deixa com um pé atrás. A conferir! Beijo!

  2. 2 outubro 2010 às 2:30 am

    Esse estilo já está com os dias contados. Abraço 🙂

  3. Caroline®
    2 outubro 2010 às 2:58 am

    Não vi esse filme, nem nunca veria, já que não gosto de filme de terror. Só passei pra dizer que decretei luto oficial na minha vida de seriados, pois o showrunner de 21 Jump Street morreu.

    • 2 outubro 2010 às 3:06 am

      Ka, pelo que eu me lembro, você não gostou nem de Atividade Paranormal. Tenho certeza que não vai curtir este aqui! Beijo.

      Jeniss, também acho que vai ficar datado logo, logo. Abraço! o/

      Caroline, não via isso, mas sinto muito pela sua perda e a dos fãs! 😦

      • Caroline®
        3 outubro 2010 às 5:59 pm

        Acho que vc era bem novinho pra conhecer a série. É o primeiro trabalho do Johnny Depp no show business. Saudade!

      • 4 outubro 2010 às 3:43 pm

        Caroline, assim que você comentou eu fui procurar no Google e, assim que vi o Johnny, me deu uma vontade doentia de ver! 😦

  4. 2 outubro 2010 às 2:28 pm

    tava esperando esta sua resenha. 🙂
    vou contar a verdade: fui no cinema porque queria ir no cinema, e escolhi esse filme porque dentre as escolhas, era o que menos me dava não-vontade (oi?).
    fui sem esperar absolutamente nada e te digo: achei a ideia muito boa, o começo muito bom, o texto bom e os atores carismáticos. mas o final é uma cagada tão homérica que me deu pena. não fiquei com raiva, não fiquei com medo (pra ser sincera, me deu até aquele mal estar que sempre me dá quando o assunto é enganação das pessoas, uma espécie de tristeza e dó, sobretudo após o exorcismo, naquelas cenas muito legais do pastor preparando o quarto). mas aí eu realmente fiquei com aquela cara de QQQQ no cinema, quando começou a parte final, após o encontro com o mocinho da lanchonete. tava meio assim pq achei que o filme acabaria ali, o que seria um anti climax, mas vá lá. só que o final é realmente esculhambado, apressado, descuidado e ruim. aí me deu pena, porque eu realmente achei que o filme era promissor.
    Eli Roth eu acho uma besta, não vou com a cara mesmo, não gosto dos filmes dele e tenho vontade de chutar. juro que nem sei pq as pessoas vão atrás desse filme por causa dele.
    enfim, te juro que até a hora da lanchonete o filme tava com reais chances de pegar um 4° lugar no meu ranking de filme de exorcismo, mas aí se cagou todo e foi láááá pro fim da fila, se pans até depois d’A Repossuída, que é o pior filme que eu já vi com o Leslie Nielsen. hahaha.

    =***
    boa votação. tá entusiasmado? vou trabalhar na eleição BEIJOEBOANOITE!

    • 3 outubro 2010 às 3:09 am

      Quéroul, pra falar a verdade, também achei o comecinho do filme meio convincente (a introdução do pastor, de sua mulher, filho, congregação etc, foi bem feitinha e realista), mas comecei a me cansar porque ficou ganhando clima por tempo demais, foi perdendo a autenticidade no uso da câmera, e terminou de maneira RIDÍCULA!

      Sobre a eleição, não voto nessa (quem sabe em segundo turno?), mas ai, espero que seu trabalho seja suave! Beijo e boa sorte!

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