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Retrospectiva Resident Evil

Não me incluo entre os aficcionados por videogames. Na verdade, em toda a minha vida, só tive um MegaDrive, daqueles que, para fazer pleno uso, você precisava assoprar as fitas antes de colocá-las na máquina (a minha favorita era a do Aladdin, em que você assumia a posição do herói e enfrentava vários desafios em Agrabah para salvar a princesa Jasmine das garras do vilão Jafar). Isso cobriu apenas uma porção da minha infância, uma relação que não sobreviveu à medida em que eu e os games evoluíamos. Toda essa introdução foi para deixar claro que não estou entre os fãs de “Resident Evil”, um dos jogos eletrônicos de maior sucesso de todos os tempos, em especial entre o público adolescente.

A proposta do game, pelo que indica a pesquisa, é exterminar zumbis e outros monstros à medida em que se lida com as conspirações de uma companhia bioquímica chamada Umbrella. O exercício faz a alegria de milhões de jovens pelo mundo, mas as adaptações cinematográficas, que necessitam da violência gráfica das fitas de zumbi e do linguajar pesado que confere autenticidade a situação tão aflitiva, não são necessariamente apropriadas para a garotada. Por exemplo: o quarto filme da série, que acaba de estrear nos cinemas brasileiros, recebeu censura máxima (acabei comprando ingresso por um garoto de quinze anos na fila, pois já estive em situação parecida quando era menor de idade).

Para me preparar para assistir ao quarto capítulo, aliás, revi os três primeiros, considerando que nenhum estava fresco na minha memória. Aos olhos de um leigo, que não tem embasamento para traçar comparações com o jogo, a trilogia original é bem honesta. As sequências de ação por vezes exageram na câmera lenta e a narrativa não é nem um pouco elaborada, mas todos os três filmes são movimentados, empolgantes e mais do que satisfatórios para o seu gênero (uma mescla de ficção científica com horror, sendo que a presença dos zumbis é cientificamente justificada – um vírus acelera o funcionamento das células mesmo após a morte, reanimando cadáveres e despertando-lhes o desejo por carne humana).

A cada volume, o vírus maldito está mais disseminado – no primeiro filme, está contido num laboratório subterrâneo chamado Colméia; no segundo, espalhou-se pela cidade fictícia Raccoon; e no terceiro, tomou toda a América e o restante do planeta, exaurindo até mesmo os recursos naturais da Terra. O maior problema talvez sejam as incongruências entre uma parte e outra. No segundo filme, por exemplo, Sienna Guillory tem um papel marcante e influente na trama, mas no filme seguinte a personagem é simplesmente ignorada, sem maiores explicações. Esses erros de continuidade talvez sejam imperceptíveis quando os filmes chegam ao cinema com exatos três anos de diferença, mas vistos numa maratona, a opacidade fica bem evidente.

Envolvidos na série desde o princípio esteve o casal Milla Jovovich e Paul W. S. Anderson (não confundir com o cultuado Paul Thomas Anderson, de “Magnólia” e “Sangue Negro”). Milla, que desde “O Quinto Elemento” demonstrava potencial para o estrelato, foi casada anteriormente com Luc Besson. Ela não só tem o preparo físico necessário para desempenhar as acrobacias exorbitantes que sua personagem exige, como também é dona de beleza ímpar e hipnotizante (aliás, ao contrário de Michelle Rodriguez, que participa do primeiro filme, Milla consegue exalar feminilidade, mesmo ao desempenhar funções extremamente masculinas). Anderson, que dirigira “Mortal Kombat – O Filme”, uma das poucas adaptações de videogame que tinha dado certo, assumiu o roteiro e a direção da primeira parte e continuou envolvido com as posteriores.

Como diversão passageira, os filmes de “Resident Evil” são um deleite, como eu imagino que os jogos também sejam. Não há porque encafifar com os artifícios mequetrefes do roteiro, que parece reprisar a mesma trama em grau maior e faz péssima composição dos vilões (os homens que substanciam a inescrupulosa companhia Umbrella). Deve-se desligar o cérebro e aproveitar as aventuras da heroína Alice, vibrar com as sequências de luta (mesmo que algumas tenham cortes tão sobrepostos que fica difícil delinear a ação) e até com os efeitos especiais tosquinhos (o primeiro é de 2001 e a tecnologia que criou o monstro de maior importância já está obsoleta). Para quem capta o charme da saga, é difícil não esperar com ansiedade pela continuação!

.:. Resident Evil – O Hóspede Maldito (Resident Evil, 2001, dirigido por Paul W. S. Anderson). Cotação: B+

.:. Resident Evil 2 – Apocalipse (Resident Evil – Apocalypse, 2004, dirigido por Alexander Witt). Cotação: B-

.:. Resident Evil 3 – A Extinção (Resident Evil – Extinction, 2007, dirigido por Russell Mulcahy). Cotação: C+

Categorias:Cinema
  1. 21 setembro 2010 às 2:26 pm

    tô com problema aqui no wordpress, não sei se meu comentário foi ou se foi duplicado, ou sei lá.
    desculpe.

  2. 21 setembro 2010 às 10:19 pm

    Nunca assisti e nem quero assistir a um filme desta série! Beijo!

    • 22 setembro 2010 às 2:24 am

      Quéroul, o único comentário seu nesse post que o WordPress registrou foi esse mesmo. AI, agora quero saber o que você acha de Resident Evil!!!😦

      Ka, que pena. Você costuma tomar os filmes pelo que eles se propõe, e curtiria Resident Evil! Beijo.

  3. 22 setembro 2010 às 5:06 pm

    afe, wordpress… meu comentário era tão pertinente!
    na verdade, eu não conheço Resident Evil : P mas sua resenha me deu muita vontade de conhecer. eu dizia no desaparecido comentário que eu não costumo me interessar por ficção científica, mas que não tenho nada contra filmes que se baseiam em jogos – por exemplo, quando lançou Doom eu tive faniquitos pra ver, mas porque eu era a mais viciadinha em Doom; mas não vi, acabou passando a vontade, e eu sei no fundo do coração que deve ser um filme péssimo. por outro lado, não conheço direito o jogo, mas assisti Silent Hill e gostei muito.
    também dizia que acho a Jojovich uma linda, mesmo duvidando um pouco da capacidade interpretativa dela. mas gosto demais dela n’O quinto elemento e, mais ainda, na Joana D’arc do Luc Besson. e que sua feminilidade é absurda, ainda mais em contraponto àquele HOMEM chamado Michelle Rodriguez, que sempre interpreta a mesma caminhoneira com dentadura de cavalo em TODOS os filmes que eu já tive o desprazer de encontrá-la. não suporto essa mulher.

    e enfim, será que o sumiço do comentário, no fim das contas, não foi uma coisa BOA? porque né, eu só falo mal de tudo mesmo, hahahha.
    beijo.

    • 25 setembro 2010 às 7:17 pm

      Quéroul, respondendo ao seu comentário depois de vários dias, devo dizer que você tem tudo pra gostar de Resident Evil, e que bom que também é favorável à Milla. Casquei o bico com a sua descrição da Michelle Rodriguez! É a mais pura verdade – acho que no dia em que ela fazer um papel de mulher delicada e feminina vai acabar ganhando um Oscar pela transformação!!!🙂

      Beijo!

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