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A música de hoje

Não sou tão ligado em música quanto sou em cinema e séries de TV, o que talvez justifique a minha indiferença às premiações como os Grammy Awards ou os Video Music Awards. Dito isso, assisti à edição deste ano do VMA, que aconteceu ontem nos Estados Unidos, e devo fazer algumas considerações. O prêmio é realizado anualmente pela MTV, com o intuito de premiar os videoclipes de maior destaque da temporada – só que as estatuetas são distribuídas de acordo com o voto popular, e todos sabemos que na música, mais do que em qualquer outro ramo, a vendagem quase nunca é sinônimo de qualidade.

Não quero pagar de superior ao restante da humanidade, como se o meu gosto fosse refinado e erudito enquanto todos os demais se contentam com merda. Pelo contrário: gosto de muitas das canções que fazem a alegria das noites contemporâneas. Até a Lady Gaga, que foi a grande vencedora do VMA (com a distinção de Videoclipe Feminino e Video do Ano por “Bad Romance”, entre outros), tem pontos a seu favor: ela pode ser fruto de estúdio, mas conseguiu desenvolver uma personagem e se manter fiel à ela, chamando a atenção pelas roupas extravagantes que parecem ter sido desenhadas por carnavalescos, e pela postura de quem está se lixando para o que acham dela (fórmula infalível para cair nas graças do público gay, que a coloca num pedestal).

Só que, para meu gosto pessoal, essas músicas para soltar à franga na balada não tem muito a dizer. Primeiro porque não sou baladeiro – é um aspecto indelével da minha personalidade, e eu super acredito que algumas pessoas nascem predestinadas a se sentir confortáveis nessas situações, enquanto outras só querem saber de paz e sossego. E segundo porque músicas dançantes costumam ter um ritmo e uma batida muito característicos, que se transformam na identidade daquela obra, e desviam a atenção da letra, que é o que realmente me interessa. Ou seja, o conteúdo é secundário, de modo que não consigo apreciar por completo, mesmo me contentando com a proposta (ser uma canção contagiante e uplifiting). Isso não impede que canções inesquecíveis partam desse nicho, como muitas do repertório da Madonna, que é Rainha do pop e sempre estará um nível acima dos meros mortais. Porém, o que se ouve hoje em dia (da própria Gaga, inclusive) parece mais um pastiche do que já se ouvia nos anos 80 e menos uma conquista artística com méritos individuais.

Logo, dos finalistas ao VMA, 90% eram performers que eu ignoro, desconheço ou desprezo, e os 10% restantes pareciam deslocados em meio a tanta banalidade. Fico feliz por Florence + the Machine, que teve bala na agulha para se apresentar numa festa de cobras criadas. Aliás, Florence Walsh, que tem uma das vozes mais impressionantes da atualidade, confiou no gogó e fez uma apresentação que, perto de micagens como a de Justin Bieber apelando para o playback, se tornou um dos pontos altos da noite. Além disso, Florence foi a primeira banda em muito tempo que eu peguei pra gostar, virar fã assumido e conhecer as músicas de frente para trás (estou fazendo o mesmo agora com Passion Pit). Também gostei da apresentação do Kanye West, que se redimiu com o público depois de ter arrancado o microfone da Taylor Swift na edição do ano passado (o tempo provou que ele estava certo em fazer o que fez, já que a menina é realmente chatinha e adora posar de magoada).

Resumo da ópera: acho melhor me ater ao Oscar, ao Emmy e ao Globo de Ouro, ao invés de dar pitaco em premiações que não são pro meu bico.

Categorias:Música, Premiações
  1. 13 setembro 2010 às 11:14 pm

    Faz tempo que não sei o que é assistir a um VMA e, sinceramente, nem sinto falta! Beijo!

  2. 14 setembro 2010 às 2:21 am

    Ponto pra mim que nem sabia que tinha passado VMA e nem faço questão de saber.

  3. 14 setembro 2010 às 1:10 pm

    eu sou uma velha; acho que “a música de hoje é uma bosta” e “no meu tempo não era assim”.
    quer dizer, a banda que eu mais escuto hoje é nova, mas bebeu na fonte do joy division e agora anda se voltando pra música eletrônica ou, mais agradável pra mim, a dance music dos anos 80/90. pelo menos eu acho isso quando ouço.
    Lady Gaga, Beyoncé, e demais mulheradas gritadeiras eu nem chego LONGE. eu detesto.
    e VMAs parei de ver quando premiavam, sei lá, Guns n’ Roses.
    prefiro falar de filmes também, hehehhe.

  4. 14 setembro 2010 às 2:50 pm

    Gosto do VMA na medida do possivel, o clipe do MUSE (Uprising) é fantástico, e gostaria que eles tivessem levado, mas, Kings and Queens (confesso gostar do 30STM) também é ótimo. Mas, como em todas as outros premiações, tem sempre o favorito Lady Gaga levou tudo.

    • 15 setembro 2010 às 12:29 am

      Ka, não perdeu muito! Beijo.

      L. Vinícius, não fosse o Twitter, eu nem saberia também.

      Quéroul, falou tudo. Tento ser mais condescendente, mas no fundo penso bem igual a você nesse quesito!

      Cleber, a única injustiça que posso pensar foi Florence Rainha ter perdido!!!😦

  5. 15 setembro 2010 às 1:56 am

    (oi, querido Louis. vim aqui pra mudar de assunto pela 23389748368 vez no seu blog. claro que eu podia ir no orkut, tipos, ou mandar mail, mas eu gosto de ser chata. mas acho que vc não vai ficar tão bravo por isso: vi Inception, finalmente. meu deus do céu, o que é aquilo? quase me esgoelei de chorar nos primeiros minutos, que filme bonito. amei, amei pra toda vida. eu tardo mas não falho!😛 )

    • Caroline®
      15 setembro 2010 às 2:07 am

      Eu tb vi Inception e amei forever! Aliás, eu ando meio paranoica, penso que ando recebendo inceptions a torto e a direito – alocka!

  6. Caroline®
    15 setembro 2010 às 2:09 am

    Ah, sobre o VMA: ano passado vc defendeu a picolé de chuchu da Taylor, e eu disse que o Kanye tava certo, lembra? O resto do prêmio – e da música – é irrelevante.

    • 15 setembro 2010 às 12:32 pm

      Quéroul, claro que eu não me importo de mudar de assunto, ainda mais sobre um filme ÉPICO como Inception que eu já vi dez vezes e ainda não me cansei. É fantástico, sensacional, obra-prima!!! Bom saber que também ficou empolgada🙂

      Caroline, também fiquei super paranóico e convencido de que estou recebendo inceptions, e reconheço que me precipitei julgando o Kanye, como todo mundo agora percebe! Taylor Swift é uma loser.

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