Início > Cinema > Hot Tub Time Machine

Hot Tub Time Machine

“Hot Tub Time Machine” está chegando ao Brasil sob o título “A Ressaca”, enquanto “The Hangover”, que realmente significa ressaca em sua tradução literal, acabou se tornando “Se Beber, Não Case”. Essa confusão não chega a espantar, considerando que a tradução dos títulos nacionais é mote constante de piadas. Mas é uma circunstância ao menos curiosa, já que ambos os filmes tem uma premissa bastante parecida: são sobre um grupo de amigos (homens) que acordam para lidar com as consequências de uma noite de bebedeira. Com a diferença de que, neste aqui, tentam inserir um pouco de ficção científica, e os marmanjos acordam na década de 80 (a máquina do tempo que os transporta para lá fica numa jacuzzi, o que explica o título original).

Obviamente, esta não é uma história da qual se pode exigir lógica. Nada é para ser entendido ou justificado – nem mesmo a presença de John Cusack, um ator de repertório cult, que sabe-se lá como, acabou estrelando e co-produzindo a fita. Ele é sério demais para essas empreitadas descoladas e não parece estar em sintonia com os três caras que compõe sua entourage (Rob Corddry, que tem os melhores momentos e mais relevância no roteiro que o próprio Cusack; o comediante negro Craig Robinson; e o gordinho Clark Duke, do seriado “Greek”). A trama é a mesma que já vimos antes: no presente, são todos fracassados e insatisfeitos com as escolhas que tomaram na vida; no passado, tem a chance de corrigir algumas besteiras e aproveitar uma época saudosa que já não existe mais.

É o tema perfeito para o público masculino americano, principalmente se levarmos em conta o apelo nostálgico dos anos 80. Além do mais, o americano comum não está nem aí para humor sofisticado (não se espante se as piadas de “A Ressaca” se voltarem para vômitos e fezes de animais), e está mais do que acostumado a rir de banalidades que, sob a influência de álcool e drogas, parecem as coisas mais engraçadas do universo (pois, sim, americano bebe muito, mesmo sem perceber, e tem familiaridade com maconha e cocaína, ambas presentes no filme). Já o brasileiro tende a ser mais intolerante, e ainda que se divirta com algumas baixarias, não deve se conectar com o longa em geral – o público no cinema em que o assisti, numa sessão cheia de domingo, não esboçou maiores reações.

O maior problema reside no roteiro, escrito a seis mãos. Os personagens voltam no tempo (e o pessoal dos anos 80 parece caracterizado para uma festa à fantasia estilo anos 80, e não pessoas que vivem naqueles dias), mas encaram apenas situações bobinhas. Faltam maiores sacadas, piadas que reforcem a estranheza entre um período e outro, ou alfinetadas mais pertinentes. O maior absurdo, porém, foi terem desperdiçado o veterano Chevy Chase num papel ingrato e sem maiores lances. Claro que algumas risadas acabaram surgindo durante a projeção, mas muito pouco pelo que poderia ter sido. Numa comparação final, “A Ressaca” leva um banho de “The Hangover”.

.:. A Ressaca (Hot Tub Time Machine, 2010, dirigido por Steve Pink). Cotação: C-

Anúncios
Categorias:Cinema
  1. Larissa
    27 janeiro 2011 às 7:44 am

    nossa meu, adoro suas críticas, por enquanto vejo que pensamos iguais..hahahahh

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: