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Temple Grandin

Neste domingo, o telefilme “Temple Grandin” se consagrou como o grande vencedor do Emmy 2010, levando cinco das principais estatuetas de sua modalidade – Melhor Telefilme, Melhor Direção para Mick Jackson (cujos créditos incluem “O Guarda-Costas”, com Kevin Costner), Melhor Atriz para Claire Danes, Melhor Ator Coadjuvante para David Strathairn, e Melhor Atriz Coadjuvante para Julia Ormond. Considerando que concorriam, em algumas dessas categorias, com a grandiosa minissérie “The Pacific” e com o comentado filme de Al Pacino “You Don’t Know Jack”, essas vitórias tem um sabor ainda mais especial.

É como se “Temple Grandin” tivesse unido a técnica – afinal, possui o mesmo pedigree de toda produção original da HBO – à capacidade de tocar o coração dos votantes com sua história edificante e absorvente, mas nem por isso apelativa. Para adicionar emoção, Temple Grandin em pessoa estava presente na cerimônia, e era focalizada na plateia fazendo a maior festa sempre que uma estatueta era concedida ao filme. Inclusive, ela subiu ao palco junto da equipe quando venceram na categoria mais nobre, e deu um abraço afetuoso na produtora – um progresso hercúleo da parte dela, como todos que viram o filme sabem muito bem. Aos desinformados, Temple sofre de uma forma avançada de autismo, e depois de muito esforço e sofrimento, conseguiu construir uma vida triunfal para si.

Enquanto os médicos acreditavam que ela sequer falaria – não pronunciou uma palavra até os quatro anos de idade, se revirava no chão, e evitava contatos físicos como o abraço da mãe -, Temple foi alfabetizada, formou-se no colégio e depois na faculdade, e estabeleceu uma carreira bem-sucedida, primeiro criando uma “máquina de abraços” (que acalma os autistas com a sensação de toque, sem que eles tenham que interagir com outras pessoas), e depois desenvolvendo um sistema de abatimento de gado totalmente humanitário (o mesmo que é hoje utilizado em toda parte dos Estados Unidos). Também ajudou na compreensão de sua condição, palestrando sobre o autismo em conferências dentro e fora do país. Ou seja, um exemplo de alguém que não só superou suas limitações, mas também conseguiu extrair algo positivo delas (os autistas tendem a perceber o mundo em riqueza de detalhes, e tem facilidade anormal para compreender certas coisas).

O filme é realizado com imensa criatividade, como se estivéssemos, de fato, enxergando cada situação através dos olhos de Temple. Por mais inteligente e perceptiva que ela seja, nem sempre é capaz de entender metáforas e de realizar tarefas simples para a maioria de nós (passar por portas automáticas, que ela associa à guilhotinas, é praticamente um suplício). Mick Jackson é muito feliz nas opções que faz para externalizar essas sensações – e, para nosso ganho, teve o bom senso ou a inspiração de confiar o papel à Claire Danes. Ela é uma atriz discreta, bonita e eficiente, que já dera provas anteriores de talento (estourou ainda muito nova com a série “My So-Called Life”, pela qual ganhou o Globo de Ouro de Atriz Dramática aos quinze anos). Mas nunca antes tinha atingido esta voltagem: uma performance de garra e acerto, capaz de comover e convencer. Um programa imperdível, enfim.

.:. Temple Grandin (Idem, 2010, dirigido por Mick Jackson). Cotação: A-

Categorias:Cinema, TV
  1. 1 setembro 2010 às 1:45 am

    Adorei, Claire Danes estaria no Oscar com esse filme.

  2. Gustavo Naspolini
    1 setembro 2010 às 6:10 am

    E ganharia com muito louvor, independente das adversárias. Claire está magnífica nesse telefilme, perfeita. Para mim, entrou no rol das grandes atrizes.

    Julia Ormond também está fantástica, prêmio justíssimo.

    E o que eu gostei no filme foi que não apelou para coitadismos ou sentimentalismos. E, para mim, foi muito gratificante conhecer a trajetória da Temple, história lindíssima e que tem muito a nos ensinar.

    • 1 setembro 2010 às 8:49 pm

      L. Vinícius, concordo. Esta mesma performance no cinema seria indicada e provavelmente premiada com o Oscar.

      Gustavo, sempre achei Claire talentosa, mas nunca tinha visto um trabalho tão excepcional quanto o que ela entregou aqui. Esses filmes “inspirational” cabem muito bem à TV, e às vezes realmente apelam – felizmente, este não é o caso.

  3. 1 setembro 2010 às 9:59 pm

    Olha, você gostou desse telefilme mais do que eu. Ainda acredito que “You Don’t Know Jack” era o melhor nesta categoria, mas compreendo a vitória de “Temple Grandin”, porque a história tem uma força enorme! A Claire Danes está sensacional! Beijo!

    • 2 setembro 2010 às 5:50 pm

      Ka, não vi You Don’t Know Jack e bodeei de The Pacific, mas gostei muito de Temple Grandin, e sou só elogios à direção e ao elenco, especialmente Claire Danes. Beijo!

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