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Archive for setembro \29\UTC 2010

Weekly Stitches #9

29 setembro 2010 3 comentários

Depois de duas semanas sem um Weekly Stitches, faço uma nova seleção de músicas, filmes, seriados e tudo o mais que tenho acompanhado ultimamente:

Música:

“UPular Remix” – Pogo
Olha que gracinha esse remix com cenas da animação da Pixar “Up – Altas Aventuras”. Poderia ver e ouvir isso o dia inteiro!

Filme:

Preciosa – Uma História de Esperança
Não sou grande apreciador de “Precious” e já falei tudo o que tinha pra ser dito sobre o filme na época do lançamento e do Oscar. Mas sempre reconheci suas qualidades mais evidentes, como a atuação assombrosa de Mo’Nique. Revendo a cena abaixo no YouTube, não tinha como não compartilhá-la aqui.

Série:

Dexter
As duas primeiras temporadas de “Dexter” foram excepcionais, a terceira e a quarta tiveram seus altos e baixos, e essa quinta, ao que tudo indica, colocará a série de volta aos trilhos. O season premiere que o Showtime exibiu neste domingo – batendo recordes de audiência com a transmissão – soube resolver o gancho da temporada anterior (a morte da esposa do protagonista, uma das personagens mais substanciais do programa) e sugeriu tramas interessantes (Michael C. Hall deu um show e soube ilustrar todos os conflitos internos de Dexter, que evoluiu muito desde o início, mas continua profundamente danificado).

Vício:

Harry Potter
Se não é verdade que a série “Harry Potter” vai ficando melhor ao longo dos anos (o terceiro filme é superior ao quarto e ao quinto, por exemplo), ao menos é fato consumado que, quando o assunto é trailer, eles nunca param de se superar. Custa pouco para os fãs se arrepiarem, mas o novo trailer de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, a primeira parte do final épico que estreia em novembro, é de empolgar até quem desdenha ou ignora a saga. Já vi umas quinze vezes, já pausei cada frame, já favoritei gifs de cenas apresentadas e tudo mais. Fã? Imagina.

E por aí vai…

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Categorias:Cinema, Diversos, Música, TV

Wall Street

28 setembro 2010 4 comentários

Geralmente, antes de assistir a uma sequência, procuro ver o filme que a originou. Infelizmente, nunca assisti à “Wall Street – Poder e Cobiça”, lançado em 1988, mesmo sendo um dos filmes mais celebrados de Oliver Stone e o trabalho que rendeu ao Oscar a Michael Douglas. Por outra infelicidade do destino, não consegui ver o filme a tempo do lançamento da segunda parte, “Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme”, que estreia no Brasil simultaneamente aos Estados Unidos.

Ou seja, fui ver a continuação completamente despreparado e não saquei qualquer simetria que ela possa ter em relação ao anterior. Mas a verdade é que o filme é muito bom (uma verdadeira surpresa, considerando que Stone só tem dado bola fora nos últimos anos, com fiascos do porte de “Alexandre” e “W”), e ainda pode ser experimentado como um programa avulso e independente. É focado no centro comercial de Nova York, aonde alguns dos homens mais influentes e poderosos do planeta compõe a engrenagem do sistema financeiro.

Douglas reprisa o papel de Gordon Gekko, outrora um dos líderes desse cenário, e agora desmoralizado após uma prisão longa e severa. Gekko tem uma filha adulta (Carey Mulligan) que cortou relações com ele – mas seu futuro genro (Shia LaBeouf), um jovem ambicioso e ansioso para galgar os degraus até o primeiro time, acaba se aproximando do sogro, com o qual espera aprender algumas lições valiosas sobre Wall Street e, mais especificamente, sobre como driblar um financista inescrupuloso (Josh Brolin), cujas falcratruas levaram o concorrente (Frank Langella) à ruína e eventual suicídio.

A história se passa em 2008, justamente quando a economia americana estava mais estraçalhada. Mas não é um filme sério ou reflexivo. Na verdade, é bem estiloso, elegante, editado com dinamismo e pontuado com leveza por canções contemporâneas. Aliás, a moral de que a ganância desenfreada é uma parte indelével do ser humano co-existe com um desfecho positivo e otimista. Boa direção, bom roteiro, bom elenco (Susan Sarandon, Eli Wallach e Charlie Sheen são outras das ilustres aparições) e uma Nova York muito bem fotografada garantem uma atração de qualidade muito superior à que eu imaginava.

.:. Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street – Money Never Sleeps, 2010, dirigido por Oliver Stone). Cotação: A+

Categorias:Cinema

O fim de uma era

Os cinéfilos paulistanos amanheceram mais tristes nessa segunda-feira, depois que foi confirmado, na noite de ontem, o fechamento do Gemini, um dos cinemas de rua mais antigos da cidade (35 anos de História, para ser mais exato). Sem alardes, o Gemini encerrou as atividades no domingo, mantendo sua programação normal. Eu não era um frequentador assíduo, mas sempre tive um carinho especial por aquelas salas, que ficavam escondidas numa galeria e não possuíam maiores requintes. O cinema não aceitava cartão, o ingresso era simples e destacado à mão, as poltronas não reclinavam e aquele carpete na entrada tinha um cheiro indissolúvel de mofo. Mesmo assim, sempre achei que aquelas salas tinham uma arquitetura linda, antiga, daquelas que sobreviveram desde o tempo em que cinema era mais do que um programa casual – era um evento ao qual as pessoas davam o maior valor e importância. O Gemini me transmitia muita dessa empolgação e nostalgia, mesmo que nos últimos anos só tenha exibido filmes que já saíram de cartaz nas salas maiores. De qualquer forma, era visto como um símbolo de resistência pela comunidade cinéfila e como uma atração simpática a todos os que se encontravam na Avenida Paulista com uma horinha e meia para gastar. Vai deixar saudades!

Categorias:Cinema

It’s all happening!

26 setembro 2010 11 comentários

Aproveitando que a semana foi marcada pela volta de uma porção de seriados em suas novas temporadas, vou comentar rapidamente sobre alguns desses premieres:

* 30 Rock – Quinta Temporada: Foi um episódio legal e engraçado, considerando o meu descaso com a série, que um dia eu considerei a melhor da televisão. A quarta temporada foi bastante irregular, com capítulos que iam do brilhante ao horroroso no intervalo de uma semana. Essa começou até que direitinho, com Matt Damon fazendo nova participação e Tina Fey arrasando.

* Community – Segunda Temporada: A melhor comédia na TV hoje em dia retornou com o episódio mais risível da semana. Teve uma ilustre participação de Betty White, mas o roteiro é tão bem sacado e o elenco fixo se encaixa tão bem nos papeis que a velhinha sequer foi o único ponto alto. E nenhuma outra série faz uso tão acertado da metalinguagem (Abed é Deus!).

* Glee – Segunda Temporada: Para “Glee”, a segunda temporada será definitiva para provar que a série tem qualidades e não é apenas fruto de um hype momentâneo. Nesse sentido, o season premiere cumpriu seu dever e até traçou uns paralelos legais com o Piloto. Destaque para a participação de Dot Jones, excelente como a nova treinadora do time de futebol, e para Jane Lynch, que continua destilando o veneno de Sue Sylvester com timing irretocável.

* Gossip Girl – Quarta Temporada: Dois episódios dessa nova temporada já foram exibidos, com base nos quais posso afirmar que “Gossip Girl” retomou a forma que me envolveu nos remotos 2008. Os conflitos são chinfrins e a gente sempre antevê as reviravoltas, mas não é toda série teen que se dá ao luxo de alternar a trama entre a beleza clássica de Paris e a cosmopolita de Nova York. E sei que a Jenny não vai sair da série, porque o nome da atriz continua nos créditos, mas viram só como não está fazendo a mínima falta? Muito pelo contrário: a série fica mais leve e dinâmica sem ela.

* Grey’s Anatomy – Sétima Temporada: Acho que Shonda Rhimes, a criadora de “Grey’s Anatomy”, é capaz de deixar bons ganchos, mas não muito hábil para desenvolvê-los. Eu, particularmente, esperava que os personagens estivessem mais traumatizados pela tragédia do final da temporada anterior, e achei que o season premiere foi menos denso do que deveria ser. Ainda assim, foi abarrotado dos momentos água com açúcar que os fãs tanto adoram. Viva o amor!

* House – Sétima Temporada: Sou da opinião de que, desde a brilhante quarta temporada, “House” vem decaindo cada vez mais. Vejo a série mais por inércia do que por interesse, não ligo para Huddy (como os fãs se referem ao casalzinho House e Cuddy), e não me importo com nenhum coadjuvante em particular (apenas o mala, mas querido, Doutor Wilson me provoca algumas reações). Nada no season premiere me fez ter uma impressão mais favorável. Pois é, acho que os roteiristas não tem mais pra onde ir.

* How I Met Your Mother – Sexta Temporada: Começou ótima, focalizando o tema central que dá título à série (ou seja, aproximando o protagonista de conhecer a futura mãe de seus filhos), e dando foco igualitário aos coadjuvantes. Um adendo: a claque (risadinhas e aplausos que acompanham as piadas) é extremamente dispensável, já que esta não é uma comédia que necessita de um humor tão marcado.

* Modern Family – Segunda Temporada: Às vezes tenho a impressão de que os atores de “Modern Family” são muito mais geniais que o texto com que trabalham, e que conseguem engrandecer, com química e talento, o que caso contrário seria apenas irregular. Foi essa impressão que me deixou o season premiere, um episódio apenas bonzinho, que não faz jus à série que, quando quer, destaca-se como uma das melhores da TV.

* Supernatural – Sexta Temporada: O primeiro episódio da última temporada do programa foi também o primeiro a não ter o criador Eric Kripke como show runner (ele foi substituído na função por Sera Gamble, que passará a filtrar as ideias dos roteiristas e decidirá os rumos da série). Mesmo adorando “Supernatural”, achei que o episódio não soube dar continuidade ao gancho deixado pela temporada anterior, e não me empolguei com algumas propostas que, aparentemente, terão muita importância no decorrer dos episódios. Vamos melhorar!

* The Big Bang Theory – Quarta Temporada: Como esta é uma sitcom com episódios auto-suficientes, cujos eventos dificilmente ecoarão nos episódios futuros, o season premiere não tem muito a acrescentar para o andamento da trama. Tivemos, contudo, uma nova participação da Blossom (sim, aquela do seriado que passava no SBT) como um interesse romântico para o Sheldon, e várias piadas memoráveis partiram dessa situação.

That’s all! Estou analisando minha carga-horária para ver se é possível encaixar alguma série nova que está estreando agora. Sugestões?

Categorias:TV

O pós-vida de Resident Evil

25 setembro 2010 2 comentários

Por mais corrida que tenha sido a semana que se passou (tanto que não tive tempo de atualizar o blog nos últimos dias), consegui uma tarde livre para conferir “Resident Evil 4: Recomeço” em IMAX. Tive o privilégio de ver o filme em tela gigantesca e definição perfeita de som e imagem, e recomendo a todos os leitores que, se não tiverem um IMAX perto de casa (afinal, só existem duas salas no Brasil até hoje), ao menos tentem assistir em 3D, pois o uso da tecnologia é fantástico, dos melhores que já vi. Na tentativa de conferir profundidade e textura às cenas de ação, Paul W. S. Anderson, que não assumia o posto de diretor desde o primeiro filme (embora tenha se envolvido diretamente com o segundo e o terceiro), consegue estabelecer uma identidade visual interessante e impressiona com a nitidez de cada sequência.

Por esse lado, “Resident Evil 4” é tudo o que o seu público pode esperar e mais um pouco. Quem vai ao cinema já conhecendo a série sabe que vai encontrar uma sucessão de cenas de luta (e eu diria que as que vemos aqui são muito bem coreografadas e superiores às dos filmes anteriores), efeitos especiais discutíveis, dezenas de milhares de zumbis, um vilão estereotipado que o roteiro não pretende desenvolver, e mulheres de beleza estonteante (Milla Jovovich continua firme e forte como a protagonista Alice, transformando os personagens originais do videogame em coadjuvantes). Não há necessidade de decupar as falhas da trama, porque o filme sempre se posiciona como uma ficção absurda e se guia direitinho dentro dos parâmetros traçados. Com a audiência já fidelizada, os produtores parecem confiantes em fazer um quinto “Resident  Evil” (o quarto deixa um gancho promissor). Outro que eu, certamente, verei.

.:. Resident Evil 4 – Recomeço (Resident Evil – Afterlife, 2010, dirigido por Paul W. S. Anderson). Cotação: B+

Categorias:Cinema

Retrospectiva Resident Evil

21 setembro 2010 5 comentários

Não me incluo entre os aficcionados por videogames. Na verdade, em toda a minha vida, só tive um MegaDrive, daqueles que, para fazer pleno uso, você precisava assoprar as fitas antes de colocá-las na máquina (a minha favorita era a do Aladdin, em que você assumia a posição do herói e enfrentava vários desafios em Agrabah para salvar a princesa Jasmine das garras do vilão Jafar). Isso cobriu apenas uma porção da minha infância, uma relação que não sobreviveu à medida em que eu e os games evoluíamos. Toda essa introdução foi para deixar claro que não estou entre os fãs de “Resident Evil”, um dos jogos eletrônicos de maior sucesso de todos os tempos, em especial entre o público adolescente.

A proposta do game, pelo que indica a pesquisa, é exterminar zumbis e outros monstros à medida em que se lida com as conspirações de uma companhia bioquímica chamada Umbrella. O exercício faz a alegria de milhões de jovens pelo mundo, mas as adaptações cinematográficas, que necessitam da violência gráfica das fitas de zumbi e do linguajar pesado que confere autenticidade a situação tão aflitiva, não são necessariamente apropriadas para a garotada. Por exemplo: o quarto filme da série, que acaba de estrear nos cinemas brasileiros, recebeu censura máxima (acabei comprando ingresso por um garoto de quinze anos na fila, pois já estive em situação parecida quando era menor de idade).

Para me preparar para assistir ao quarto capítulo, aliás, revi os três primeiros, considerando que nenhum estava fresco na minha memória. Aos olhos de um leigo, que não tem embasamento para traçar comparações com o jogo, a trilogia original é bem honesta. As sequências de ação por vezes exageram na câmera lenta e a narrativa não é nem um pouco elaborada, mas todos os três filmes são movimentados, empolgantes e mais do que satisfatórios para o seu gênero (uma mescla de ficção científica com horror, sendo que a presença dos zumbis é cientificamente justificada – um vírus acelera o funcionamento das células mesmo após a morte, reanimando cadáveres e despertando-lhes o desejo por carne humana).

A cada volume, o vírus maldito está mais disseminado – no primeiro filme, está contido num laboratório subterrâneo chamado Colméia; no segundo, espalhou-se pela cidade fictícia Raccoon; e no terceiro, tomou toda a América e o restante do planeta, exaurindo até mesmo os recursos naturais da Terra. O maior problema talvez sejam as incongruências entre uma parte e outra. No segundo filme, por exemplo, Sienna Guillory tem um papel marcante e influente na trama, mas no filme seguinte a personagem é simplesmente ignorada, sem maiores explicações. Esses erros de continuidade talvez sejam imperceptíveis quando os filmes chegam ao cinema com exatos três anos de diferença, mas vistos numa maratona, a opacidade fica bem evidente.

Envolvidos na série desde o princípio esteve o casal Milla Jovovich e Paul W. S. Anderson (não confundir com o cultuado Paul Thomas Anderson, de “Magnólia” e “Sangue Negro”). Milla, que desde “O Quinto Elemento” demonstrava potencial para o estrelato, foi casada anteriormente com Luc Besson. Ela não só tem o preparo físico necessário para desempenhar as acrobacias exorbitantes que sua personagem exige, como também é dona de beleza ímpar e hipnotizante (aliás, ao contrário de Michelle Rodriguez, que participa do primeiro filme, Milla consegue exalar feminilidade, mesmo ao desempenhar funções extremamente masculinas). Anderson, que dirigira “Mortal Kombat – O Filme”, uma das poucas adaptações de videogame que tinha dado certo, assumiu o roteiro e a direção da primeira parte e continuou envolvido com as posteriores.

Como diversão passageira, os filmes de “Resident Evil” são um deleite, como eu imagino que os jogos também sejam. Não há porque encafifar com os artifícios mequetrefes do roteiro, que parece reprisar a mesma trama em grau maior e faz péssima composição dos vilões (os homens que substanciam a inescrupulosa companhia Umbrella). Deve-se desligar o cérebro e aproveitar as aventuras da heroína Alice, vibrar com as sequências de luta (mesmo que algumas tenham cortes tão sobrepostos que fica difícil delinear a ação) e até com os efeitos especiais tosquinhos (o primeiro é de 2001 e a tecnologia que criou o monstro de maior importância já está obsoleta). Para quem capta o charme da saga, é difícil não esperar com ansiedade pela continuação!

.:. Resident Evil – O Hóspede Maldito (Resident Evil, 2001, dirigido por Paul W. S. Anderson). Cotação: B+

.:. Resident Evil 2 – Apocalipse (Resident Evil – Apocalypse, 2004, dirigido por Alexander Witt). Cotação: B-

.:. Resident Evil 3 – A Extinção (Resident Evil – Extinction, 2007, dirigido por Russell Mulcahy). Cotação: C+

Categorias:Cinema

Prêmio Louis de qualidade – Parte 4

20 setembro 2010 5 comentários

Vamos aos vencedores das categorias de Melhor Série de Comédia da temporada que passou!

OUTSTANDING COMEDY SERIES

COMMUNITY • Season 1 • NBC
Tape A: “Spanish” + “Introduction to Statistics”
Tape B: “Comparitive Religion” + “Physical Education”
Tape C: “Contemporary American Poultry” + “Modern Warfare”

Foi um ótimo ano para comédias. Se, por um lado, veteranos do gênero como “30 Rock” e “Family Guy” tiveram suas temporadas mais irregulares até então, por outro tivemos adesões de qualidade na programação, como três das minhas finalistas, “Community”, “Glee” e “Modern Family”. Dei à primeira o título de Melhor Série de Comédia 2009/2010, e creio que todos que já pararam para assistir vão considerar a decisão justa. “Community” tem um texto cheio de sacadas legais, uma direção sempre de acordo, e atores que parecem se importar genuinamente uns com os outros. Os personagens são adultos meio fracassados, cursando uma faculdade comunitária (que, nos Estados Unidos, é destinada aos párias da sociedade, que não foram aprovados nas universidades de grande porte). Mas acabam desenvolvendo uma amizade verdadeira, apoiando-se para enfrentar uma situação desfavorável. A primeira temporada apresentou episódios legendários, como o da guerra de paintball e aquele que parodia “Os Bons Companheiros”. Se você nunca viu, meus pêsames.

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OUTSTANDING LEAD ACTOR IN A COMEDY SERIES
The Big Bang Theory • Jim Parsons • “The Staircase Implementation”

O Dr. Sheldon Cooper, com suas paranóias e idiossincrasias, é o personagem mais relevante e risível de “The Big Bang Theory”, comédia que se tornou um cult instantâneo pelo vasto repertório nerd. Sheldon por vezes é um chato de galochas, a ponto de nos fazer imaginar porque os amigos do personagem suportariam conviver com alguém tão sistemático. Mas, mesmo quando é o caso, Jim Parsons pega o tom da piada e extrai todo o potencial de diálogos carregados e “overwritten”. Foi, merecidamente, o vencedor do Emmy 2010, ainda que pelo episódio errado (minha escolha, “The Staircase Implementation”, mostra como Sheldon e Leonard se tornaram colegas de quarto).

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OUTSTANDING LEAD ACTRESS IN A COMEDY SERIES
United States of Tara • Toni Collette • “Torando!”

A excelente australiana Toni Collette arrasava em “United States of Tara” desde a irregular primeira temporada, e neste segundo ano, que apresentou um salto criativo em termos de roteiro, a voltagem de sua atuação foi multiplicada. A série funciona tanto como uma comédia sobre uma família disfuncional, igual a muitas que encontramos no cinema independente americano, quanto como drama de personagem (no caso, uma mulher que sofreu um trauma muito grande no passado – não fica especificado que trauma foi esse -, e que, em função disso, sofre de um distúrbio de múltiplas personalidades). À medida em que se aproxima da verdade sobre seu passado, novas camadas da composição de Collette vão aflorando. Rainha!

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OUTSTANDING SUPPORTING ACTOR IN A COMEDY SERIES
Modern Family • Eric Stonestreet • “Fizbo”

Eric Stonestreet, vencedor do Emmy de coadjuvante deste ano, é, de fato, o mais engraçado e mais ilustre membro do elenco de “Modern Family”. A série é muito boa, capaz de resgatar algumas tramas clássicas das sitcoms familiares e de reciclá-las com o frescor dos dias de hoje. Mas, certamente, não seria tão bem sucedida nessa tarefa sem o gordinho gay e espalhafatoso Cam, que Stonestreet (hétero na vida pessoal) interpreta com a maior dignidade e precisão.

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OUTSTANDING SUPPORTING ACTRESS IN A COMEDY SERIES
Glee • Jane Lynch • “Throwdown”

Nenhuma atuação deu tanto o que falar na TV nessa temporada quanto a de Jane Lynch em “Glee”. Como a implacável treinadora Sue Sylvester, Lynch, uma atriz característica que já tinha abrilhantado outras comédias de sucesso com seu timing impecável, rouba a cena de todos do elenco. Como arquétipo, Sue é um daqueles indivíduos indissoluvelmente americanos, obcecados com a vitória e com seu status pessoal. Nesses parâmetros, Lynch rende as maiores risadas, mesmo que seu tempo seja limitado a alguns minutos por episódio. Também é curioso quando sugerem que, por trás desse escudo de crueldade e acidez, Sue é uma mulher frágil e insegura, que nem sempre compreende as coisas que a rodeiam, e por isso as despreza. Mas, em nenhum momento, ela desce do salto ou perde a pose.

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OUTSTANDING DIRECTING FOR A COMEDY SERIES
Community • “Modern Warfare” • Justin Lin

No melhor episódio cômico do ano, os personagens de “Community” se engalfinham numa guerra de paintball que destrói o campus da faculdade. A direção é extremamente importante para realçar a comicidade e (por que não?) o absurdo do acontecimento, transformando o campo de batalha numa réplica estilizada e colorida (bem ao clima da série) do que seria o ambiente inóspito de uma guerra de verdade.

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OUTSTANDING WRITING FOR A COMEDY SERIES
Community • “Modern Warfare” • Emily Cutler

Repito a honraria ao episódio “Modern Warfare”. Emily Cutler, uma das roteiristas mais requisitadas de “Community”, soube distribuir a ação e caprichou nos diálogos, que tiraram sarro dos clichês dramatúrgicos. Certamente, o Melhor Roteiro em Comédia do ano!

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Pois é. Que venha a temporada 2010/2011!

Categorias:Premiações, TV