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Emmy 2010: Vencedores e Cerimônia

Acaba de acontecer, em Los Angeles, mais uma edição dos Emmy Awards, o mais conceituado prêmio da televisão americana. A comparação mais elementar é a de que o Emmy vale, para a TV, o mesmo que o Oscar vale para o cinema, o Grammy para a música, e o Tony para o teatro. Embora, é claro, isto nem sempre reflita a opinião do público, já que muitas séries que não são acolhidas pelas grandes multidões podem ser premiadas e vice-versa. O Emmy é, ainda, especialmente criticado por seu sistema de votação: o que os membros da Academia avaliam não são as temporadas completas dos seriados, e sim alguns episódios avulsos, submetidos pelos produtores ou os atores do show. Ou seja, às vezes o público é mesmo o mais adequado a julgar. Em função disso, o Emmy costuma ser imprevisível, e as surpresas variam de boas a ruins.

A cerimônia deste ano foi apresentada por Jimmy Fallon, discípulo do “Saturday Night Live”, mas nem por isso bom comediante. Tanto que os produtores da festa não confiaram apenas nele para prender os espectadores. No número de abertura, por exemplo, ele foi auxiliado por parte do elenco de “Glee”, mais Tina Fey, Jon Hamm, Joel McHale e Betty White, que cantaram e dançaram “Born to Run”. Momentos como este se repetiram ao longo da noite, e esquetes como a de “Modern Family”, em que o elenco interagia com Stewie Griffin e George Clooney, foram os pontos altos. Assim como no ano passado, as categorias foram divididas em blocos, com os prêmios de comédia, drama e telefilmes sendo entregues em sequência. Essa estrutura pode conferir maior dinamismo à cerimônia, mas também permite que a nossa atenção oscile com maior facilidade. E chegamos, enfim, à distribuição de estatuetas.

As séries que, segundo as apostas, disputariam voto a voto pela estatueta de Melhor Série de Comédia, “Modern Family” e “Glee”, começaram a noite se engalfinhando por prêmios. Os dois primeiros foram para “Modern Family” – Melhor Roteiro em Comédia pelo Piloto e Melhor Ator Coadjuvante para Eric Stonestreet (o gay gordinho Cameron) -, e os dois próximos foram para Glee – Melhor Direção, também pelo Piloto, e Melhor Atriz Coadjuvante para Jane Lynch (hilária como a treinadora Sue Sylvester). O Melhor Ator em Comédia foi Jim Parsons, o Sheldon de “The Big Bang Theory” (os votantes corrigiram a injustiça do ano passado, quando deixaram de premiá-lo), e a Melhor Atriz foi Edie Falco por “Nurse Jackie” (sua quarta vitória, somando às três anteriores como atriz dramática por “The Sopranos”). Como o prêmio de Melhor Comédia ficou para o final da noite, demoraram para desempatar o placar entre “Modern Family” e “Glee”: venceu “Modern Family”, acabando com a maré das três vitórias consecutivas de “30 Rock”. De fato, era a melhor série dentre as indicadas.

Começam, então, as categorias dramáticas. “Mad Men”, o Melhor Drama dos dois anos anteriores, começou bem, levando Melhor Roteiro (episódio “Shut the Door. Have a Seat.”). “Dexter” surpreendeu levando Melhor Direção, prêmio que era previsto para o final de “Lost”. “Breaking Bad” tem os dois melhores atores – o excelente Aaron Paul, que venceu pela primeira vez como coadjuvante, e Bryan Cranston, que leva como protagonista pelo terceiro ano consecutivo (ao que eu pergunto: será que não era hora de premiar Hugh Laurie? Ou mesmo Michael C. Hall? Ambos tiveram anos incríveis). A Melhor Atriz Coadjuvante foi Archie Panjabi – sua personagem, a investigadora Kalinda, é um dos elementos mais envolventes de “The Good Wife”, mas não o suficiente para bater a concorrência (Christina Hendricks, de “Mad Men”, é muito superior). E a Melhor Atriz foi uma surpresa: Kyra Sedgwick, por “The Closer”, contrariando qualquer expectativa (Julianna Margulies era a favorita, e Connie Britton, a mais merecedora). Ao final da noite, anunciaram o Melhor Drama: “Mad Men”, sem surpresas.

A vitória mais surpreendente da noite talvez tenha sido a de “Top Chef” como Melhor Reality de Competição. Desde que esta categoria foi criada, “The Amazing Race” nunca tinha perdido a estatueta! Entre os programas de variedade, vence a cerimônia do Tony Award como Melhor Roteiro, a transmissão das Olimpíadas pela NBC como Melhor Direção, e “The Daily Show with Jon Stewart” como Melhor Série. Já que os programas em questão são muito distantes de nós, brasileiros, não há muito mais a se comentar. Exceto que Ricky Gervais fez uma boa aparição para anunciar estas categorias (novamente, não estão confiando toda a responsabilidade à Jimmy Fallon). Gervais chegou inclusive a distribuir cerveja para os convidados, remetendo à sua apresentação do Globo de Ouro no início do ano, que ele conduziu sempre com um copo de uísque na mão. Um momento bacana foi Julianna Margulies apresentando o prêmio humanitário para George Clooney, seu colega de muitos anos em “E.R. – Plantão Médico”. Ele recebeu essa menção por liderar várias campanhas de caridade, angariando o apoio de outras celebridades para causas nobres. E em seu discurso, confirmou o imenso carisma.

Começam as categorias de Minissérie e Telefilme, aonde todos os premiados, sem exceção, foram produções originais da HBO. “Temple Grandin” se destacou logo a princípio. Venceu três dos prêmios de atuação – Melhor Atriz Coadjuvante para Julia Ormand (que você talvez conheça como a filha de Benjamin Button; ela bateu uma competição forte, que incluía Susan Sarandon e Kathy Bates), Melhor Ator Coadjuvante para David Strathairn, e Melhor Atriz para Claire Danes (ela começou a carreira na TV aos quinze anos, na cultuada “My So-Called Life”, pela qual ficaram lhe devendo uma estatueta). Também ganhou o prêmio de Direção e o de Melhor Telefilme. Aos interessados, a HBO Brasil exibe “Temple Grandin” nesta Terça. “You Don’t Know Jack” venceu Melhor Roteiro e Ator para Al Pacino, sua segunda vitória (a primeira foi pela obra-prima “Angels in America”). E a superprodução da “The Pacific” levou o mais óbvio, Melhor Minissérie. Aliás, uma das únicas piadas boas da noite foi Fallon chegando até Tom Hanks e mencionando que eles estão ficando sem guerras para filmar, já que a este ponto recriaram tudo que é conflito!

Não que se possa esperar muito mais de uma cerimônia como a do Emmy. Na verdade, todos esses shows de premiação feitos por americanos e para americanos podem soar aborrecidos para nós, absorvidos numa cultura diferente. O jeito é se focar nos premiaos – e, nesse quesito, acho que as escolhas foram sensatas e muito menos injustas do que poderiam ter sido. Até o Emmy que vem!

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Categorias:Premiações, TV
  1. 30 agosto 2010 às 3:07 am

    Sério, adorei esse Emmy, gostei de quase todos os vencedores (como ponto negativo só penso na Archie Panjabi e Julia Ormond), em especial “Modern Family”, “Mad Men”, Aaron Paul, “Temple Grandin”, Stonestreet, e claro, Kyra, quase chorei quando vi.

  2. 30 agosto 2010 às 11:36 am

    nada pra Lost é triste, hein? :/
    eu saí esgotada de um filme, aí nem tive paciência de assistir o Emmy – eu quase nunca assisto mesmo.
    mas gostei de ver que Top Chef ganhou de melhor reality; acho um dos melhores no momento (desbancou Project Runaway do meu coração há umas 3 temporadas…).
    eu gosto muito do moço do Breaking Bad, muito. mesmo tendo assistido só a primeira temporada (é que na verdade, essa série não me pegou de jeito. tenho as outras temporadas baixadas, mas ai…).
    e que pena que a Margulies não levou. ia ser lindo, o ano todinho dela. 🙂

    e que foto péssima da Danes, hein? uhauahuhaa. saudade dela, viu. a última vez que vi foi no Garota da Vitrine. :S

    =***

  3. 30 agosto 2010 às 1:06 pm

    O interessante é que nenhum daqueles que foram ( Lost, Julia Louis e Tony Shaloub) foram lembrados em homenagem – como aconteceu com Família Soprano e seus protagonistas.

    • 30 agosto 2010 às 1:30 pm

      L. Vinícius, achei a distribuição das estatuetas muito justa, também. E nem discordo da vitória da Julia Ormond – vi Temple Grandin assim que a cerimônia acabou, e achei o trabalho dela muito bom! E a vitória da Kyra foi mesmo super comemorada pelos fãs de The Closer. Nem vejo a série, mas dá pra ver que ela se dedica muito ao programa.

      Quéroul, não sei se Lost merecia tanto assim… E como você, adorei a vitória de Top Chef, um dos poucos realitys que eu gosto. The Amazing Race é demais, só que já ganhou além da conta. E por moço de Breaking Bad você se refere ao Cranston ou ao Aaron Paul?? rsrs… E sim, Danes fez caras e bocas em seu discurso, mas mereceu o prêmio – está fantástica em Temple Grandin!! Beijo.

      Flavio, mas nenhuma das respectivas séries tiveram o impacto de Sopranos. E Lost foi lembrado numa apresentação bem-humorada do Jimmy Fallon, junto de Law and Order SVU e 24 Horas.

  4. Caroline®
    30 agosto 2010 às 1:36 pm

    Fiquei contente pela Jane e pela Archie (we S2 Kalinda), mas achei patético a Kyra Sedgwick ganhar da Julianna (eu detesto as caras e bocas dela em The Closer). Também fiquei meio desapontada porque tava torcendo pro Allan Cumming em ator convidado – drama (não tem como não amar o Eli de TGW)….

  5. 30 agosto 2010 às 5:31 pm

    LOOOOOOOOOOOOOOOUIS, acabei de ler o post e como disse que iria comentar, aqui estou eu, rere (: E você escrevendo perfeitamente como sempre, maan (: Agora, sobre o Emmy: confesso que nunca acompanhei nenhum por completo e, desse o que aocmpanhei foi os tweets que apareciam uma hora ou outra. Mas sempre fico de olho nos premiados. Outra confissão que devo fazer é que ainda não conferi nenhum episódio de Mad Men, The Good Wife, Nurse Jackie, Modern Family e Dexter. Conclusão: tenho que me atualizar já nessas séries que parecem ser MUITO boas. Fiquei muito feliz com a premiação da Jane. Afinal, Jane como Sue é simplesmente SENSACIONAL, rere! E sobre The Pacific ter ganho o de melhor minissérie acho extremamente justo! Apesar de só ter acompanhado três episódios, a minissérie tem uma qualidade incrível!
    AHH, e claro que conferi a abertura do Emmy, que ficou DEMAIS!
    Fico por aqui, então… Aguardando outros posts, ein (: rere
    abraço, Louis O/

  6. 30 agosto 2010 às 8:14 pm

    Quando o Aaron ganhou! Dei o maior berro! Foi o momento de felicidade.

    • 30 agosto 2010 às 9:57 pm

      Caroline, como não vejo The Closer, não posso opinar. Mas conheço muitos defensores ferrenhos da Kyra que juram que o trabalho dela merecia reconhecimento! Sobre a Archie, seria minha segunda escolha na categoria – só que meu amor por Christina Hendricks é muito maior!! E era virtualmente impossível o Allan Cumming bater o John Lithgow na categoria de Ator Convidado! =/

      Vitor, obrigado pelo elogio! Acho que você devia correr atrás de boa parte dessas séries aí. Pelo menos acompanha Glee pra dividir nosso entusiasmo pela vitória da Jane Lynch. A mulher arrasa!!! 🙂 Abraço.

      Cleber, eu dei pulinhos com a vitória dele. Literalmente! HAHAHA. Muita felicidade.

  7. 30 agosto 2010 às 10:59 pm

    AHHH, mas Glee eu acompanho sim! rere Só no aguardo pela segunda temporada O/
    GLEE É DEMAIS! rere (: Abraço

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