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Milagres acontecem!

Talvez a história de superação mais edificante que o mundo testemunhou tenha sido a de Helen Keller, no início do século XX. Cega, surda e muda (sequelas da escarlatina que contraiu logo nos primeiros anos de vida), Helen fora criada pela família latifundiária mais como um animal do que como um ser humano. Afinal, não havia como se comunicar com a menina, que crescia sem qualquer percepção do mundo que a rodeava.

Isto é, até encontrar Annie Sullivan, uma mulher que fora, ela própria, deficiente visual, e que conseguira recuperar a visão depois de uma série de cirurgias. Sullivan foi contratada pela família Keller como tutora, e depois de meses de tentativas infrutíferas de “domar” a garota (Helen era mimada e selvagem, acostumada a criar as próprias regras sem ninguém para lhe ensinar o contrário), conseguiu estabelecer contato. Graças ao trabalho de Annie, no qual ninguém além dela acreditava, Helen Keller cresceu para se tornar uma escritora de sucesso, tornando-se a primeira pessoa com tal grau de deficiência a se formar na universidade.

O filme “The Miracle Worker” – lançado no Brasil como “O Milagre de Anna Sullivan”, ou seja, com o nome da heroína soletrado errado – narra toda a primeira parte deste caso, encerrando no momento em que Annie finalmente consegue atingir a menina. Antes disso, foram inúmeras as tentativas de se comunicar com Helen, um exercício de paciência e persistência. O drama, que Arthur Penn dirigiu no início dos anos 60 antes de se consagrar com “Bonnie & Clyde”, foi inspirado numa peça de teatro honônima, que estreou na Broadway com as mesmas atrizes da versão cinematográfica.

Anne Bancroft como Annie Sullivan e Patty Duke como Helen Keller brilham como poucas vezes se viu duas atrizes brilharem. Ambas foram premiadas com o Oscar (Anne como protagonista e Patty, então com dezesseis anos de idade, como coadjuvante), por performances de um naturalismo contundente, que extrapolam os limites da ficção (uma sequência em particular, em que Annie tenta ensinar Helen a usar os talheres, estende-se por quase dez minutos, e é possivelmente uma das cenas mais bem atuadas que já vi). Mas não é somente denso e sério – o roteiro de William Gibson também sabe fazer uso do humor, o que ajuda a conferir ritmo ao filme, e suaviza uma história que poderia ser apenas sobre solidão e desespero. O resultado é uma obra-prima indiscutível que, para minha sorte, acabo de adquirir em DVD.

.:. O Milagre de Annie Sullivan (The Miracle Worker, 1962, dirigido por Arthur Penn). Cotação: A+

Categorias:Cinema
  1. 26 agosto 2010 às 11:58 pm

    NUNCA assisti a este filme antes na minha vida, mas já tinha ouvido falar dele!🙂 Beijo!

  2. 27 agosto 2010 às 12:57 am

    nossa, mas eu vi esse filme duzentas milhares de vezes. lembro sempre da tutora soletrando o alfabeto nas mãos da menina.
    passava tipos, todos os dias no SBT.
    queria rever, viu…
    🙂

    • 27 agosto 2010 às 11:42 am

      Ka, um crime você, uma cinéfila por natureza, nunca ter visto este filme! Providencie com urgência!!! Beijo.

      Quéroul, não cheguei a pegar essa época em que o filme passava direto no SBT. Esse é daqueles que SEMPRE merece uma revisitada!🙂

  3. 27 agosto 2010 às 12:21 pm

    Esse é um filme que sempre desejei assistir, mas, nunca encontrei pra alugar ou comprar.

    • 27 agosto 2010 às 11:03 pm

      Cleber, comprei em DVD na Livraria Cultura. Quem sabe você também não encontre em alguma? E em todo caso, encomende pela internet. Em última instância, procure para baixar!😉

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