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Disney sob encomenda

A superprodução da Disney “O Aprendiz de Feiticeiro” é melhor do que se esperava, considerando que esta é mais uma parceria do estúdio com o produtor Jerry Bruckheimer, e que a mesma união rendeu um dos piores blockbusters do verão, o insuportável “O Príncipe da Pérsia”. Já este aqui funciona como uma aventura infanto-juvenil agradável, ambientada em Nova York e fazendo excelente uso das locações. Serve também para homenagear o clássico da Disney em que o Mickey assume o papel de aprendiz de feiticeiro, e causa a maior confusão quando tenta arrumar o estúdio por meio da magia, sem a supervisão do mestre. A cena é recriada numa sequência de muito bom gosto. Aliás, todo o filme é bem feitinho, com efeitos convincentes (o orçamento foi generoso, e é uma pena que não tenha emplacado nas bilheterias; talvez seja melhor acolhido em DVD, como um programa para toda a família).

Desconfio que a figura de Nicolas Cage tenha sido prejudicial: ele não está exatamente nas graças do público, já que se tornaram conhecidas as extravagâncias de sua vida pessoal (compra propriedades caríssimas pelo mundo, mas sonega impostos), e tampouco tem feito boas escolhas na carreira (com exceção de “Vício Frenético” e da participação em “Kick-Ass”, tudo o que fez recentemente se resume a canastrice). O herói é interpretado pelo quase desconhecido Jay Baruchel, que já tem quase trinta anos, mas é magricela e baixinho, e portanto convence como jovem adulto. Você talvez se lembre dele como o garoto com atraso mental que frenquentava a academia em “Menina de Ouro”, ou como membro da gangue de Judd Apatow (foi um dos amigos em “Ligeiramente Grávidos”). Neste ano, também dublou Soluço na belíssima animação da DreamWorks “Como Treinar Seu Dragão”. Enfim, Jay é esforçado, mas não sei se o suficiente para carregar um filme. Alfred Molina e a italiana Monica Belucci completam o elenco.

Na trama, Cage é um feiticeiro imortal que aprendeu o ofício com o próprio Merlin. Ele testemunhara o duelo que acabou por aprisionar a vilã Morgana, e até hoje protege o recipiente que guarda a feiticeira. Caso ela seja libertada, seu poder bastaria para extinguir a Humanidade. O único capaz de rivalizá-la seria um discípulo de Merlin, um rapaz como todos os outros, que de repente se descobriria capaz de feitos extraordinárias (Jay). Tudo fica bem explicado dentro da lógica do filme: eles justificam que as pessoas só usam 10% do cérebro, e que os feiticeiros são capazes de usar os 90% restantes. Isso os possibilita perceber a energia e alterar a física de um lugar – ou seja, feitiçaria seria a combinação de magia e ciência. Obviamente o roteiro é bastante simples, previsível e esquecível. A metragem também poderia ter sido encurtada, e não se sente que o diretor Jon Turteltaub (de “A Lenda do Tesouro Perdido”, outra fita da Disney com Nicolas Cage) imprimiu algo de pessoal na obra. Mas, para separar o joio do trigo, afirmo que esta é uma típica aventura Disney, solar, digerível e ocasionalmente divertida.

.:. O Aprendiz de Feiticeiro (The Sorcerer’s Apprentice, 2010, dirigido por Jon Turteltaub). Cotação: B-

Categorias:Cinema
  1. 23 agosto 2010 às 2:09 am

    sério? com Nicolas Cage e tudo?
    gente, peguei um noGão dele que eu vejo o nome e só quero correr léguas. eu adoro O Senhor das Armas, outro dia comecei a ver… aí ele apareceu e broxei.

    que coisa, não?

    • 23 agosto 2010 às 7:29 pm

      Quéroul, Cage está menos exagerado que de costume, mas eu super entendo que ele inspire antipatia. Afinal, fez por merecer…

  1. 31 outubro 2011 às 2:31 am

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