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Whatever Works

Não dei muita atenção quando o novo filme de Woody Allen “Tudo Pode Dar Certo” (tradução equivocada de “Whatever Works”, que seria “Tudo O Que Der Certo”) estreou nos cinemas do Brasil. Afinal, não me simpatizo com o protagonista do longa, o produtor e comediante Larry David. Ele ganhou fama como um dos criadores de “Seinfeld”, e depois que se cansou de contar os milhões originados pelo programa, concebeu para a HBO a esquisita comédia “Segura a Onda”, onde interpreta uma variante de sua persona. Ou seja, um velho produtor mal-humorado e nada carismático.

O papel principal de “Tudo Pode Dar Certo” teria caído melhor ao próprio Allen, que é craque em interpretar tipos neuróticos, e ainda assim preservar certa candura e humanidade. Enfim, acabei conferindo o filme no Gemini, um cinema antigo, escondido numa galeria de São Paulo que nem todo mundo conhece, e que tem o costume de exibir filmes que já saíram de cartaz nas outras salas. Vi mais por conveniência (tinha uma hora e meia para matar) que por interesse, já esperando uma fita mediana, baseado na recepção fria dos críticos e na própria carreira de Allen, que ultimamente tem mais erros que acertos.

A boa notícia é que o filme não é ruim. A má é que também não é bom. Mesmo empacando na mediocridade, tem alguns momentos de inspiração que valem a assistida. Por exemplo, a boa e inesperada química de David, que interpreta um físico indicado ao Nobel com tendências suicidas, e Evan Rachel Wood, luminosa como uma garota interiorana que foge para Nova York e é acolhida pelo protagonista. Ele a aceita em seu apartamento sem razão, e acaba compartilhando sua visão pessimista do mundo (a moça é bem burrinha, e se deslumbra com o sujeito). Com o tempo eles se casam, e quando o público não tem mais ideia para onde a história vai caminhar, surge uma nova figura – a mãe de Evan, interpretada por Patricia Clarkson. A partir daí, um ritmo termina para dar início a outro, e Larry perde o papel central para servir apenas de coadjuvante.

O roteiro, que Allen escreveu na década de 70 e engavetou para só filmar agora, não chega a soar datado, mas bem que merecia uma revisada. É irregular e desigual, ainda que tenha a cara do diretor (David olha diretamente para a câmera e conta a história para o espectador, uma metalinguagem que se prova muito eficiente na cena final). De resto, espere pelas mesmas marcas registradas de Woody: os créditos iniciais idênticos, com elenco listado em ordem alfabética; as tomadas longas, que não devem ter sido rodadas mais que um par de vezes (ele não gosta de ensaiar, já contrata cada ator conhecendo suas limitações e sabendo o que esperar deles); e canções antigas sendo resgatadas. Obrigatório para os fãs do cineasta, inofensivo para os demais.

.:. Whatever Works (Tudo Pode Dar Certo, 2009, dirigido por Woody Allen). Cotação: C+

Categorias:Cinema
  1. 22 agosto 2010 às 9:43 pm

    Bom, um filme do Woody Allen é sempre um filme do Woody Allen. Ou seja, a gente, que é cinéfilo, tem obrigação de assistir. Além disso, tem a atuação da Evan Rachel Wood, que foi bem elogiada. Beijos!

    • 22 agosto 2010 às 10:14 pm

      Ka, Evan é a melhor coisa do filme, e todos os elogios à sua atuação são justos. E acho impressionante a disposição que os cinéfilos tem com o Woody Allen! Ele conseguiu consolidar seu prestígio que, mesmo dando motivos para ser contestado, permanece inabalável. Beijo!

  2. 22 agosto 2010 às 10:59 pm

    Vi esse filme no avião faz quase um ano já! Achei legal; não o melhor do Woody Allen, claro, mas melhor que muitos recentes dele como Scoop e Sonho de Cassandra! Sim, sou fãzona dele hehe.. Beijos.

    • 22 agosto 2010 às 11:12 pm

      Jô, nisso você está certa, é melhor que muitos trabalhos do Woody nos últimos anos – mas também é inferior a outros, como Match Point e Vicky Cristina Barcelona. Beijo!

  3. 23 agosto 2010 às 2:17 am

    Não acredito que você deu C+ pra Whatever Works!

    • 23 agosto 2010 às 7:29 pm

      Fábio, pois eu achei que fui até generoso demais! Cogitei dar C- hahaha…

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