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The Big C

Laura Linney é, sem sombra de dúvidas, uma das atrizes mais queridas e completas da atualidade. Nova-iorquina da gema, estudou teatro e se tornou um nome conceituado na Broadway antes de migrar para o cinema e a televisão. Acumula três indicações ao Oscar, duas ao Tony, e três estatuetas do Emmy (uma pelo telefilme “Wild Iris”, uma pela participação na série “Frasier” e uma pela minissérie “John Adams”). E provou, ao longo da carreira, que um bom ator vai sempre priorizar os melhores personagens, não importa aonde eles estejam. Por isso, não chega a ser uma surpresa que ela agora protagonize uma série de comédia no Showtime, numa época em que a televisão, apesar de ser mais prestigiada, ainda é vista de soslaio por aqueles que prezam a carreira cinematográfica acima de tudo.

No entanto, a premissa do programa, intitulado “The Big C”, é das mais batidas: personagem descobre sofrer de uma grave doença – no caso, melanoma em estágio avançado (o “grande C” do título seria câncer) -, e passa a reavaliar sua vida, pesando certas atitudes e modificando seu comportamento. Não só para aproveitar melhor o pouco tempo que lhe resta, considerando a possível fatalidade do tumor, mas também para ajeitar as vidas que vai deixar para trás (no caso, um marido interpretado por Oliver Platt, e um filho mimado vivido por Gabriel Basso). No primeiro episódio, que estreia nesta Segunda na televisão americana e já está disponível para download, é apresentado ainda um irmão (John Benjamin Hickey), uma vizinha rabugenta (Phyllis Somerville, que você talvez conheça pela marcante performance em “Pecados Íntimos”), e uma aluna negra e obesa (Gabourey Sidibe, a “Preciosa”, o ponto mais baixo do elenco e do plot). Todos os quais irritam a heroína e a levam ao descontrole.

Mas esses surtos, mesmo sendo engraçados e até revigorantes de acompanhar (quantos sapos não engolimos todos os dias, cautelosos demais para mandar alguém ir à merda?), são também previsíveis e pouco inspirados. Já acompanhamos tramas iguais a esta antes. A recente “Breaking Bad”, por exemplo, é justamente sobre um sujeito que, após se descobrir com câncer, abala seu estilo de vida e passa a produzir entorpecente. A ideia de quebrar a monotonia para a personagem de Linney vem através de atos mais inofensivos: passar alguns sermões, trancar o filho no banheiro até que ele aprenda a desentupir a privada, e derramar vinho no sofá de linho. Tudo abordado pela comicidade. Ou seja, nada de muito especial, ainda que a série tenha boas credenciais (a criadora e roteirista Darlene Hunt é comediante conhecida, e Bill Condon assina a direção). Só que o brilho de Linney é tanto, e sua composição é tão calculada quanto cativante, que as cenas com ela – ou seja, todas do episódio – são engrandecidas sem esforço aparente. No final, dá para assistir com simpatia e se interessar para descobrir o que ela ainda vai fazer com a personagem.

Categorias:TV
  1. 22 agosto 2010 às 11:08 pm

    Louis, acabo de ver o episódio e apesar de concordar com você que a série é bem previsível, gostei muito do resultado e acho que a Laura Linney vai ganhar fácil todos os prêmios que vierem por aí. Beijos.

    • 22 agosto 2010 às 11:11 pm

      Jô, sim, eu também vou insistir na série e não tenho dúvidas de que Linney será muito premiada por ela!😉 Beijo.

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