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Watercolors

“Aquarela – As Cores de Uma Paixão” foi comprado e distribuído no Brasil pela Festival, especializada em filmes de temática gay, e tem sido vendido diretamente a este público-alvo. É uma pena, no entanto, que esse nicho seja tão fechado, e que em pleno século 21 os homossexuais encarem esse tipo de segregação. Nada na fita ou na maneira com que ela está sendo divulgada serve para despertar o interesse de um público mais amplo, e os gays que forem assistir provavelmente já passaram pela fase de auto-aceitação e não precisam ser convencidos contra preconceitos.

Logo, o filme resulta banal e dispensável – um romance água com açúcar com escopo de telenovela, ou o que seriam as novelas se beijo gay não fosse um tabu tão grande no Brasil. É uma história de amor entre dois garotos, um deles do time de natação do colégio e o outro um desenhista de certo talento. Ambos se aproximam porque tem pais alcoólatras que se conheceram no AA. Enquanto o primeiro vive em negação, a homossexualidade do segundo é mais acentuada (aliás, o filme começa com ele já adulto; no futuro, é um bem-sucedido artista plástico e tem um namorado bafo).

Mas ambos vão se conhecendo melhor, e evoluindo de um sentimento platônico para algumas carícias, até transarem. A cena de sexo, porém, é ridícula, como se os dois rapazes estivessem apenas posando para uma fotografia e não prestes a fazer penetração anal. Ou seja, para um filme que se julga tão sincero, este se refreia bastante para não sensibilizar a plateia. Essa artificialidade se faz presente durante todo o roteiro, escrito pelo estreante David Oliveras, que também assina a direção. Nota-se um quê de autobiográfico na história (posso apostar que a conversa que um deles tem com a mãe realmente aconteceu com Oliveras na vida real), mas falta substância aos personagens, e os conflitos de um deles – que quer ser nadador profissional, mas é epilético e cheira cocaína – carecem de consistência dramática.

O elenco, no entanto, não é ruim. Os garotos Tye Olson e Kyle Clare dão conta do recado, e sugerem que o filme não tem estofo para entender o quão talentosos eles são. A veterana Karen Black participa como a professora de artes, e o medalhista olímpico Greg Louganis, gay assumido, faz o técnico da equipe de natação. Mas, como já estamos cansados de saber, boas intenções não seguram um filme, e o texto fraco somado à direção preguiçosa comprometem toda a experiência. Duvido até mesmo que os gays serão receptivos.

.:. Aquarela – As Cores de uma Paixão (Watercolors, 2008, dirigido por David Oliveras). Cotação: D-

Categorias:Cinema
  1. 19 agosto 2010 às 2:57 am

    Está muito difícil, ou quae impossível se achar um filme que seja sincero ao tema, só não sei porque.

  2. 19 agosto 2010 às 6:25 pm

    O filme gay mais sincero é Phillip Morris, que nem gay é direito. Patrik 1,5 é todo ideológico e talz, mas só de o casal ter pancinha de adultos trabalhadores, e não o corpão do médico (?) de Do Começo ao Fim, já ganha pontos.

  3. 19 agosto 2010 às 11:59 pm

    Mesmo com suas ressalvas, acho que este é um filme que eu assistiria. Beijo!

    • 20 agosto 2010 às 12:33 am

      Pedro, não vi Patrik 1,5, mas não gostei de Phillip Morris, muito menos de Do Começo ao Fim (para mim o pior filme do ano passado, dentre qualquer nacionalidade).

      Ka, talvez você seja mais receptiva que eu… Beijo!

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