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The Expendables

Os fãs das fitas de ação não são poucos. E por fitas de ação, entenda aquelas que não param em prateleira de locadora e que são reprisadas à exaustão na televisão. Aquelas com protagonistas turrões, sequências barulhentas de explosão e tiroteio, e perseguição em meio ao trânsito com veículos colidindo à torto e à direito. Fitas como estas não são e nunca serão exemplo de bom Cinema, mas são tudo o que muitos reconhecem como Cinema (quem não tem um pai ou um tio que fica até altas horas na sala assistindo pela décima vez a um filme do Stallone no Domingo Maior, e se divertindo a valer?).

Este é um nicho de admiradores concretos e fervorosos – e são essas as pessoas que curtirão “Os Mercenários” em todo o seu potencial. Agora, se este não for o seu baile, se as situações artificiais e recicladas te incomodam, se a canastrice do elenco te faz ranger os dentes, e se já viu filmes o suficiente para diferenciar uma cena de ação bem filmada de outra apenas básica, então “Os Mercenários” não é o seu tipo de programa, e seu dinheiro será melhor empregado revendo “A Origem” pela quinta vez. Escolha seu lado. Não há nada de errado em pertencer ao primeiro ou ao segundo grupo.

Para quem não se lembra, Stallone rodou parte deste filme no Rio (além de atuar, ele é roteirista e diretor), mas acabou sendo deselegante ao falar mal do Brasil em entrevistas. Os brasileiros obviamente ficaram doídos – afinal, o Brasil é como um membro das nossas famílias: nós podemos falar mal, mas não admitimos que ninguém de fora faça o mesmo! Mas há incentivos para a nossa plateia, como a presença da mexicana naturalizada brasileira Giselle Itié, rosto conhecido das novelas da Globo. É dela o papel da mocinha, que defende muito bem, ainda que o roteiro não lhe dê maiores chances.

Fora isso, nada é identificado. O Brasil serve como locação para o que seria uma pequena ilha comandada por um general tirano (David Zayas, da série “Dexter”, numa interpretação que desafia os limites da ruindade). O verdadeiro vilão, porém, é um americano (Eric Roberts, irmão de Julia), antigo membro da CIA que agora gerencia a plantação de cocaína no local. Como é prejudicial ao governo dos Estados Unidos enviar as tropas oficiais para remediar a situação, contratam um grupo de low-lifes liderado por Stallone – sujeitos fortes, brutalizados e habilidosos, acostumados a matar primeiro e perguntar depois (o engraçado é que eles se voltam uns contra os outros e vivem se enfrentando em termos físicos, ao mesmo tempo em que mantém intacta a amizade).

O grande atrativo de “Os Mercenários” foi Stallone ter convidado outras cartas marcadas do gênero para se juntar a ele. No time que lhe faz companhia se encontram Jet Li (craque das artes marciais, mas que tem suas sequências de luta prejudicadas pelo excesso de cortes e uso ocasional de câmera lenta), Jason Statham (da série “Carga Explosiva”, que o transformou em referência) e Mickey Rourke. Há ainda duas pontas não-creditadas, as participações mais que especiais de Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger, sendo que o último estava afastado das telas desde que foi eleito Governador da Califórnia. Eles chegam a fazer piada de si mesmos, numa cena breve, rodada certamente num único dia. Mas faltam melhores sacadas humorísticas, ou maiores lances na execução da ação. Talvez isso seja pedir demais. O resultado é bem o que se poderia esperar: uma fitinha mediana, para ser aproveitada pelos que enxergam o copo meio cheio e abominada pelos que o enxergam meio vazio.

.:. Os Mercenários (The Expendables, 2010, dirigido por Sylvester Stallone). Cotação: C-

Categorias:Cinema
  1. 16 agosto 2010 às 1:23 pm

    confesso: eu AMO Stallone. por mais que eu queira esconder, ou achar que não, imagine só, eu amo sim.
    e quando eu vi o trailer desse filme, quase morri. ver o Drago, o Schwá, o Bruce, todos juntos num só coração – e o Statham, que eu amo muito por causa dos filmes do Guy Richie – foi assim, uma coisa linda.
    eu detesto “filme de ação”; não aguento explosões, tiros, músculos jogados na nossa cara. e esse filme tá fora da minha zona de conforto. mas que posso fazer eu se o meu amor pelo Sly é maior? hahaha. aloka.
    vou ter que esperar o dvd. meu cartãozinho da claro não chega e eu não posso pagar meia + 1 pra ver essa lindeza. porque nem f*** que eu pago 20 conto pra assistir a esse filme.
    o amor é grande, mas a pobreza também.

    =*

  2. Caroline®
    16 agosto 2010 às 1:41 pm

    Eu gosto muito de filme de ação (culpa do meu pai, fã inveterado do Charles Bronson – WTF????), mas não gosto de clichês e de canastrice… Como proceder? A verdade é que, depois do primeiro Missão Impossível e da trilogia Bourne, os filmes de ação atingiram outra fronteira pra mim. É difícil curtir esse estilo old school que o Stallone e companhia fazem. Mas acho divertido ver todos esses medalhões da porrada, tiros, explosões e batidas juntos!

    • 16 agosto 2010 às 3:54 pm

      Quéroul, não tenho o mesmo amor que você pelo Stallone haha… Ele é um canastrão assumido, e isso é até legal. Não se pretende à algo mais do que realmente é. Mas os filmes mais icônicos da carreira dele eu realmente não suporto, assim como eu não respeito a opção que ele fez de continuar explorando o personagem Rocky em continuações pioradas, que não fazem jus ao filme vencedor do Oscar. Mas se esta é sua praia, tente conferir Os Mercenários em DVD, ou assim que seu bolso deixar!😉 Beijo.

      Caroline, bem lembrado. Filmes como a trilogia Bourne colocaram a barra lá em cima e provaram que dá para fazer uma ação muito bem elaborada. Qualquer coisa depois disso parece inferior…

  3. 16 agosto 2010 às 4:31 pm

    (mudando de assunto: vc assistiu “Matadores de Vampiras Lésbicas”?)

  4. 16 agosto 2010 às 10:33 pm

    Este filme faz totalmente jus ao cinema de ação dos anos 80. É tão ruim, mas tão ruim, que chega a ser bom!🙂 Agora, impossível ignorar as péssimas atuações de Dolph Lundgren e Sylvester Stallone! Uma vergonha! rsrsrsrs

    Beijo!

    • 17 agosto 2010 às 12:07 am

      Quéroul, não vi, mas sei que é imperdível para o meu repertório trash!!!

      Ka, bota péssimas nisso! Embora pra mim nada supere a ruindade da interpretação do Angel de “Dexter”! HAHAHA… Beijo!

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