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La Jolie

A este ponto da vida e carreira, Angelina Jolie se tornou mais uma personalidade que uma atriz – algo que ninguém que queira ser reconhecido primariamente por seus dotes interpretativos deseja para si, já que a superexposição da figura pública pode impedir que o ator se camufle no personagem na cabeça do público. Esta é, no entanto, a meta que muita gente na indústria almeja e dificilmente alcança: tornar-se uma estrela de primeira grandeza, capaz de decolar um projeto simplesmente por assinar seu nome, e se tornar sinônimo de bilheteria polpuda, que justifique o recebimento de um cachê estratosférico.

Não há um manual que dite as regras para tornar isso possível. Em outros tempos, quando qualquer foto publicada precisava ser aprovada previamente pelos agentes das atrizes, era fácil controlar as repercussões daquilo que se via ou ouvia da vida privada de cada um. Hoje, com a internet e os paparazzi a disposição de todos, não há como mascarar certas verdades. Logo que começou a ganhar destaque, Angelina fez pouco para se reservar: assumiu sua personalidade forte, desfilando de qualquer jeito e exibindo pelo corpo tatuagens e cicatrizes (adquiriu o hábito de se cortar no final da adolescência). Não ficou por muito tempo na sombra do pai famoso Jon Voight, com quem brigou publicamente e não retomou relações – pelo contrário, foi ganhando notoriedade por conta própria, pela participação em telefilmes (como “Gia”, que lhe rendeu o Globo de Ouro e indicação ao Emmy) ou mesmo no cinema (seu retrato de uma paciente revoltada em “Garota, Interrompida” lhe valeu o Oscar de Coadjuvante).

Nesta fase, o falatório se concentrava em sua proximidade quase doentia com o irmão, com quem a mídia acredita que Angelina mantinha relações sexuais. Logo depois se casou com Billy Bob Thorton, seu segundo marido (o primeiro foi Jonny Lee Miller, de “Trainspotting” e “Eli Stone”), e continuava causando por usar um frasco com o sangue do cônjuge pendurado no pescoço. A transformação de moça drogada e desvirtuada numa missionária da Unicef que sai por aí adotando crianças de países subdesenvolvidos foi quase que do dia para a noite. A posterior união com Brad Pitt, que ainda era comprometido com Jennifer Aniston quando a conheceu, bastou para torná-los o casal mais fotografado – e, diga-se de passagem, fotogênico – do mundo. Neste ínterim, Angelina tinha se contentado com a canastrice, participando de filmes ruins que nada lhe acrescentavam e colecionando indicações ao Framboesa de Pior Atriz. Mas ultimamente anda acertando em suas escolhas, em especial quando se presta à heroína de fitas de ação.

Afinal, ela não só tem o físico ideal, mas também tem pleno controle de seu corpo e uma lucidez espantosa sobre o seu poder de sedução. Ou seja, faz mais posar do que atuar, o que é completamente compreensível e aceitável. Isso é muito perceptível em “Salt”, seu mais novo filme em cartaz no Brasil, lançado dois anós após sua última empreitada (outra ação, “O Procurado”). No longa, Angelina faz uma agente da CIA acusada de se compactuar com os russos (nesta realidade, a Guerra Fria não está encerrada, mas apenas adormecida). E dá-lhe acrobacias e sequências de tirar o fôlego, todas as quais ela tira de letra. Não vou entrar em maiores detalhes da trama, nem culpar o roteiro pelos flashbacks mal intercalados ou a previsível solução. Só o que importa para este filme é a presença e desenvoltura de Jolie, e é por ela – e somente ela – que “Salt” está estourando nos cinemas mundiais. O diretor Phillip Noyce foi o mesmo que a dirigiu em “O Colecionador de Ossos”, e sabe não resistir à beleza da protagonista, e sim usá-la a seu favor. Enquanto essa técnica der certo, é besteira tentar algo diferente.

.:. Salt (Idem, 2010, dirigido por Phillip Noyce). Cotação: B+

Categorias:Cinema
  1. 3 agosto 2010 às 5:38 pm

    não me interesse por esse filme – eu sou sempre muito resistente a filmes de ação.
    mas eu gosto da Jolie e, apesar de concordar com você sobre a superexposição e etc, eu gosto muito dela como atriz, e eu não ligo muito pras revistas de fofoca.
    eu quase não lembro do Pitt, da Unicef e dos cinquenta e nove filhos deles porque lembro de como gosto dela em Hackers (hehehe, meu filme podre do coração), Garota Interrompida, Gia e, sobretudo, A troca, onde ela tá a coisa mais linda que já vi.

    eu gosto dela, mas tem filme dela que eu não assisto não, viu.

    • 3 agosto 2010 às 6:26 pm

      Quéroul, acho que você curte muito mais a Angelina atriz do que eu – em A Troca, inclusive, achei a atuação dela super discutível e nunca a nível de indicação ao Oscar. Mas reconheço que ela já teve bons momentos, que construiu seu nome por esforço próprio, e que não se tornou a estrela que é hoje à toa. Ela tem todos os atributos necessários para tornar este estrelato possível!

      • 4 agosto 2010 às 3:12 pm

        é a voz dela, Louis. em A Troca eu passo mal com a voz dela, não sei nem dizer porque…
        eu gosto bastante dela sim. e acho que tá mais linda agora, mais véia.🙂

      • 5 agosto 2010 às 4:36 pm

        Quéroul, não tinha pensado por esse lado. Prometo que se algum dia rever A Troca vou prestar atenção especial na voz dela! rsrs

  2. 3 agosto 2010 às 7:51 pm

    Louis, desculpa, mas Angelina Jolie em mais um péssimo filme de ação.

  3. 3 agosto 2010 às 9:20 pm

    A Angelina veio para preencher um espaço que ficou vazio após Jodie Foster desistir dos filmes de ação. A Angelina é a grande heroina do cinema de ação atual. Tô com muita vontade de ver “Salt”. Todo mundo parece estar apreciando esta obra. Beijo!

    • 4 agosto 2010 às 11:47 am

      Cleber, que exagero! O filme é legal e bem feitinho, muito longe de péssimo!

      Ka, acho a comparação válida, apesar da Jodie Foster ser muito mais atriz. Creio que você vá gostar de Salt!😉 Beijo.

  4. Iuri freire
    5 agosto 2010 às 5:34 pm

    Angelina Jolie realmente não é aquela atriz que corre atras dos melhores personagens, mas acho que quando quer, faz bem feito. Mas o melhor é ver o Louis falando “bem” dela, pois foi ele que um dia escreveu Jolixo por aí.

    • 6 agosto 2010 às 3:06 pm

      Hahaha Que bom que você reconhece que o meu “bem” é entre aspas, né Iuri?🙂

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