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Despicable Me

No cult absoluto do cinema trash “Pink Flamingos”, dirigido por John Waters em 1972, o travesti Divine competia com um casal de desvirtuados pelo título de pessoa mais pervertida do mundo, perpetrando as maiores imundices e obscenidades para manter o posto. A animação “Meu Malvado Favorito”, que estreia na próxima Sexta nos cinemas do Brasil, não possui um traço da ousadia, irreverência e subversão do longa de Waters, mas parte de uma premissa muito similar: dois sujeitos que disputam, golpe a golpe, o título de maior vilão do planeta.

Sim, pois assim como em “Pink Flamingos”, aqui a mídia fica atenta a essas classificações, retratando os feitos de vilões como se eles fossem profissionais (existe inclusive um banco underground, cujo gerente autoriza empréstimos somente para aqueles de índole questionável, que se comprometam a empregar o dinheiro em experiências que privem a humanidade de algo grandioso). Um dos vilões, um moleque mimado e franzino, conseguiu o feito de roubar uma Pirâmide do Egito! Para contra-atacar, o anti-herói e protagoniista Gru, encorpado e com as feições sempre fechadas, planeja uma empreitada inimaginável: usar um raio encolhedor para diminuir a Lua ao tamanho de uma bola de bilhar, e em seguida se apossar dela. Depois disso, pensa ele, não restará dúvidas sobre quem é a maior mente em vilania do século. Para executar o plano, Gru conta com a ajuda de um cientista caduco e de centenas de criaturas amarelas vestidas como escavadores (pelo número, aparência idêntica e funcionalidade remetem aos Oompa-Loompas de Willy Wonka).

Se nem as maiores forças do universo pareciam capazes de por fim a este projeto diabólico, porém, três garotinhas órfãs que passam pela casa de Gru vendendo biscoitos podem fazer a diferença. Enxergando nas garotas o disfarce perfeto para penetrar na fortaleza do vilão rival, que detém a máquina de encolher essencial para o plano engrenar, Gru as adota resignado (ele tem seus próprios problemas com paternidade, já que fica muito claro que todos os seus esforços para se tornar um vilão bem-sucedido são para chamar a atenção da mãe, que sempre lhe fora indiferente). Obviamente este coração de pedra vai acabar amolecendo frente às meninas, encantadoras como só a animação consegue criar. Afinal, as pequenas lhe dão um senso de família que ainda era desconhecido, e suprem a carência e a solidão que fazem de Gru um vilão muito mais digno de pena do que de ódio ou medo.

Mas apesar do personagem principal e das três meninas transbordarem carisma, o filme em si é bastante irregular. Não só apela para gags óbvias (o humor é voltado para as gracinhas dos coadjuvantes, com direito a dancinha das criaturas amarelas, e só às vezes extrai fartas gargalhadas), como também passa por todas as situações de maneira plana, superficial e previsível. Aliás, não só o ponto de partida, mas toda a execução da trama é tão irreal e absurda que fica difícil entrar no clima e apreciar por completo – não há problema algum em apelar para o exagero, desde que saibam firmar os limites dessa ficção e tornar tudo mais ou menos crível ou aceitável dentro dos parâmetros estipulados. Não é bem essa a sensação deixada por “Meu Malvado Favorito”, que se encerra como um desenho estranho e desconfortável, que mesmo apelando para certas canduras, jamais consegue cumprir o seu propósito.

.:. Meu Malvado Favorito (Despicable Me, 2010, dirigido por Pierre Coffin e Chris Renaud). Cotação: C+

PS: Lamento informar que meu computador continua no conserto. Felizmente tive acesso à internet por outros meios e pude agendar alguns posts para deixar o blog atualizado durante a semana.

Categorias:Cinema
  1. 2 agosto 2010 às 10:54 pm

    Não parece ser o melhor filme de animação do ano, mas, como eu adoro o trailer de “Meu Malvado Favorito”, devo conferir a obra. Beijo!

    • 3 agosto 2010 às 3:51 pm

      Ka, não é mesmo o melhor. Na verdade passa longe de um top 5, mas não acho tampouco que ofenda ou deva ser boicotado. Veja sem compromisso! Beijo.

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