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A melhor noite da TV

Para quem, assim como eu, tem o hábito de acompanhar os seriados juntamente com os Estados Unidos, as noites de Domingo são as melhores da semana. Não só porque a esmagadora maioria das séries está de férias, e as poucas que estão com episódios inéditos vão ar no Domingo, mas também porque os principais chamarizes dos dois canais mais conceituados da atualidade – “True Blood” na HBO e “Mad Men” no AMC – competem, neste dia e horário, pela mesma parcela de telespectadores. Cada emissora se esforça para apurar a qualidade – e quem ganha é o público.

“True Blood”, mesmo já não tendo o fator novidade que embalou sua primeira temporada, permanece uma das opções mais interessantes e também corajosas da TV. Alan Ball, o premiado roteirista de “Beleza Americana” e criador de “Six Feet Under”, concebeu um universo muito particular, inspirado numa coleção de livros da escritora Charlaine Harris. Nessa realidade alternativa, os vampiros não só existem, como assumiram sua existência para a sociedade, após a invenção de um revolucionário sangue sintético. Como o sangue pode ser comprado em engradados no supermercado, eles não precisam mais assassinar humanos para se alimentar e sobreviver – exceto que, para grande parcela deles, a carnificina é prazerosa e imprescindível, um direito do qual não querem abrir mão. A protagonista (a atriz bissexual Anna Paquin) é uma garçonete telepata que se apaixona por um vampiro inofensivo e bem intencionado (Stephen Moyer). Através dessa relação, ela se vê envolvida com todos os aspectos do submundo – que inclui macumbeiros, metamorfos, uma mulher-diabo, e até lobisomens nesta terceira temporada. Como a trama se passa numa cidadezinha do sul dos Estados Unidos, os seres fictícios frequentemente servem de metáfora para o racismo e o preconceito tão presentes naquela parcela do país, dominada por conservadores e republicanos. Mas para mim o que há de mais inteligente na série é a maneira acessível que Ball encontrou de transmitir este gênero de difícil apreciação – “True Blood” é pesada e violenta, e ao mesmo tempo altamente divertida e desfrutável. A terceira temporada demorou um pouquinho a engatar, mas já no sexto episódio, exibido esta semana, conseguiu arrebatar e conquistar os espectadores relutantes.

Já a finíssima “Mad Men” é tão bem realizada em todos os pormenores que chega a assustar. Não existe na TV programa mais bem cuidado, seja pela formidável reconstituição de época, seja pela densidade do plot e como cada personagem cumpre seu papel dentro dele. Sem esquecer ainda do momento histórico, já que a série é ambientada no início dos anos 60, uma década de prosperidade econômica nos Estados Unidos – o que, frente à crise atual, torna tudo ainda mais relevante ou, no mínimo, irônico. Se por vezes o programa soa cansativo e enfadonho, saiba que este ritmo vagaroso é intencional e até necessário. Como em “The Sopranos”, “Mad Men” enfatiza um personagem por vez. O protagonista é o publicitário Don Draper (Jon Hamm), mas todos os demais coadjuvantes que lhe fazem companhia, interpretados por atores tão consistentes que se camuflam no cenário e convencem plenamente como homens do passado, também terão um momento só seu. Logo, tramas que demoram para engrenar, e que passam muito tempo sendo apenas sugeridas, irão se concretizar uma hora ou outra. E quando acontecer, será com um texto primoroso e verossímil. Afinal, mesmo seguindo suas fórmulas televisivas, “Mad Men” parece totalmente desprovido de artifícios sensacionalistas (ao contrário de “True Blood”, que usa e abusa desses recursos, encerrando cada episódio com um gancho escancarado para o próximo). Uma observação: a semelhança com “The Sopranos” não é mera coincidência. O criador Matthew Weiner trabalhou como roteirista da série de David Chase, tendo sido contratado pela HBO após propor justamente a produção de “Mad Men”, com base no Piloto que tinha escrito. A HBO adiou a produção, e Weiner engavetou o roteiro para, anos mais tarde, receber carta branca do AMC e levar o projeto adiante. Firmou-se assim a competição mais acirrada da TV paga hoje em dia.

Se você tivesse que optar por um só, com qual ficaria? “Mad Men” ou “True Blood”?

Categorias:TV
  1. 28 julho 2010 às 1:07 pm

    Nossa, que pergunta difícil! Mas é claro que eu ficaria com Mad Men, mas meu amor por True Blood é incondicional também. Duas das melhores séries no ar hoje em dia.

  2. 28 julho 2010 às 1:10 pm

    Eu como não acompanho Mad Men escolho True Blood. Mas tenho muita vontade de pegar todos episódios de Mad Men um dia pra acompanhar, parece muito boa. Mas True Blood é sobre vampiros e eu adoro esse tema, sem falar que é do Alan Ball.

  3. Tiago
    28 julho 2010 às 2:02 pm

    Ahh nao sei, mas escolho true blood hahaha estou tão no vício por cada episódio novo que desde o quinto estou assistindo direto deles em um programa que você baixa e exibem por live stream sem precisar aguardar o download. AHAHAHAHA.

    • 29 julho 2010 às 5:28 am

      Alex, concordo que são duas das melhores. Aliás, acho Mad Men quase perfeita, certamente menos irregular que True Blood – mas acho que acabaria optando pela série do Alan Ball.

      Mark, acho que você faria bem em correr atrás de Mad Men. A série tem um padrão de qualidade tão elevado! Assistí-la é obrigatório para qualquer telespectador cativo.

      Tiago, eu super entendo! Era viciado assim com Glee – via tudo ao vivo, pq esperar uma hora a mais por links era inconcebível! huahuahua…

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