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Empire State of Mind

Não é difícil entender o fascínio que Nova York exerce sobre os turistas. Este é um dos destinos mais frequentes dos brasileiros que viajam para o exterior, e um lugar para o qual todos desejam retornar, como visitantes ou residentes. De fato, é uma dessas poucas cidades excepcionais, capaz de fazer cada pessoa se sentir única, inspirada e revigorada – e não à toa, é uma das mais amadas do mundo.

Foi apelidada de Big Apple, ou Grande Maça, pela tradição no cultivo da fruta (a maçã de lá tem um gosto levemente diferente daquela que comemos no Brasil, mas não especialmente melhorado). É chamada ainda de “A cidade que nunca dorme”, porque a vida noturna é muito ativa e os metrôs funcionam 24 horas por dia (um parênteses para dizer que as linhas, apesar de cobrirem cada centímetro subterrâneo, são mal conservadas e mal sinalizadas, muito inferiores às de São Paulo).

Acho que NY deveria reivindicar ainda o título de “A cidade da luz”, que foi conferido à Paris. É certamente um local reluzente e brilhante, em especial num de seus principais chamarizes, a Times Square. Sei que o maior símbolo da cidade é a Estátua da Liberdade – que, aliás, pode ser visitada num passeio de barco bonito e a preço razoável. Mas para mim, o coração de NY sempre será a Times Square. A sensação de passar por lá e se deparar com todos aqueles telões, cada qual trazendo mais informação que nossos olhos conseguem absorver, é – na falta de uma palavra melhor – indescritível.

Fica situada na Broadway, rua famosa por hospedar os melhores teatros e espetáculos. As ruas adjacentes são chamadas por número, o que facilita a locomoção e nos faz imaginar porque não fazem o mesmo no Brasil, onde chamam tudo de acordo com nomes de falecidos, um sistema pra lá de confuso. Quem procura conhecer a cidade por completo pode optar por um daqueles ônibus de turistas, que apesar de cafonas, fazem um tour lindo durante a noite, passando por aquelas pontes iluminadas de onde se vê NY inteirinha. E te levam a lugares diferentes da cidade. O Harlem, bairro de maioria negra, é bem curioso. Você entra em qualquer igreja e encontra aquelas celebrações vívidas e barulhentas que pensava só existir na ficção.

Agora, quem vai disposto a bater perna e com interesse em fazer compras também estará bem encaminhado. A Quinta Avenida, a mais famosa do mundo, tem as boutiques mais luxuosas que você irá encontrar, e nem todas a preços estratosféricos. É só procurar direitinho que você vai encontrar uma Victoria’s Secret em liquidação ou algo do tipo. A Apple Store é um destino popular dos aficcionados por tecnologia, mas não é extraordinária – é como qualquer outra loja da Apple do país, só que em tamanho ampliado. Mas os produtos são, de fato, bem mais baratos quando comparados aos impostos que pagamos ao consumi-los no Brasil. O Upper East Side fica colado à Quinta Avenida, e é lá que os jovens riquinhos de “Gossip Girl” – e seus correspondentes na vida real – vão fazer suas compras.

O Central Park divide os lados leste e oeste da ilha. A região é mesmo caríssima para se morar – o aluguel de um apartamento minúsculo fica na faixa dos 4500 dólares mensais, sendo que uma moradia nas mesmas proporções sai por menos da metade do preço no Queens, separado de Manhattan por algumas poucas estações de metrô. O que basicamente acaba com aquela xaporada vista em “Friends”, onde Joey, um ator desempregado, e Rachel, uma garçonete, dividiam um apê super ajeitadinho no Village. Outra pataquada é a que foi vista em “Esqueceram de Mim 2”: nem o humilde hotel em que eu me hospedei aceitaria um menor desacompanhado, que dirá o chiquérrimo Plaza.

Até mesmo os albergues de NY podem parecer mais caros que os dos outros lugares, ainda mais considerando a alta temporada e os finais de semana. Seja como for, certifique-se de que sua estadia seja em Manhattan, onde você poderá se deslocar a pé e com muita disposição pelos pontos mais chamativos. No verão, leve chapeu ou boné, beba muito líquido e pare para tomar um sorvete no parque. O calor de um país temperado é impiedoso e rígido até para quem está acostumado com sol muito forte nas costas. Voltei da viagem mais bronzeado do que ficaria numa temporada na praia.

O Rockfeller Center pode ter mais atrativos no inverno, quando está ativa sua ilustre pista de patinação no gelo, mas logo ao lado se encontra a NBC Experience, loja que faz a alegria dos viciados em seriados. Há centenas de camisetas temáticas, produtos inspirados em personagens etc. Foi lá que torrei uma parte da minha verba – voltei com uma camiseta de “30 Rock”, uma de “Chuck”, uma de “Battlestar Galactica”, e uma dos Simpsons que brilha no escuro, pela bagatela de 20 dólares cada. Também comprei uma do Sheldon de “The Big Bang Theory” na lojinha da CBS, que é bem menor e mais modesta e fica na Broadway, na esquina do prédio aonde são gravados os episódios do talk show do David Letterman. A última camiseta adquirida em NY foi uma com os títulos de vários musicais, numa loja ótima para fãs do gênero chamada Backstage Memories (fica ao lado do Winter Garden, teatro que atualmente está exibindo “Mamma Mia!”). Já camisetas mais populares como a “I (Heart) NY” podem ser compradas aos montes – o mais comum é encontrar um pacote com cinco por onze dólares.

Uma vez que mencionei os musicais, devo reforçar que assistir a um espetáculo da Broadway é imprescindível. Os ingressos costumam ser caros, mas podem ser comprados com desconto em certos sites da internet e na bilheteria TKTS, localizada na Times Square – lá são disponibilizados por um preço menor os ingressos que as bilheterias dos próprios teatros não conseguiram vender. Na Broadway, o esquema é simples: se a peça não lota a casa, sai de cartaz. Alguns poucos, como “O Fantasma da Ópera”, “O Rei Leão” e “Wicked” conseguem boa reputação para continuar lotando após anos de exibição. (Dessa vez conferi o formidável “Billy Elliot”, sobre o qual discorrerei melhor em outro post.)

Para quem se interessa pelo lado cultural – e é seguro dizer que a veia artística de NY é fortíssima e se manifesta de tudo que é maneira -, há sempre um museu incrível para se visitar, que não tem nada a ver com aquela definição de museu ultrapassado e mofado. O Metropolitan e o American Museum of Natural History são os mais conhecidos. Este último serviu de locação para o filme “Uma Noite no Museu”, que por sua vez inspirou um tour noturno só para crianças. Pela quantia de 150 dólares, os pequenos podem passar uma noite no museu acompanhados por monitores, e lá testemunhar um show de sons e luzes que parece dar vida às atrações convencionais. Barato não é, mas os casais viajando com filhos que queiram uma noite só para si tem aí uma boa e interessante opção.

Na Times Square você também encontra um Madame Tussauds, um daqueles museus de cera com réplicas exatas de celebridades, figuras históricas ou personalidades da política. O ingresso, porém, não é dos mais em conta: fica na faixa dos 30 dólares, mais caro que os museus convencionais, que tem um acervo muito mais extenso e reconhecido (o planetário do AMNH é tido como o melhor do mundo, e toda a ala dedicada às ossadas de dinossauros e outras espécies extintas é extraordinária). Outros museus americanos de renome, como o Smithsonian, que eu visitei em minha passagem por Washington e que foi visto em “Uma Noite no Museu 2”, tem entrada franca! Nada mal, não?

Quem vai a NY dificilmente tem como prioridade ir ao cinema, mas a quem tiver duas horinhas para dispor e se deparar com um filme bacana em exibição (como eu, que conferi “The Kids Are All Right”, outro que comentarei melhor numa ocasião futura) pode se frustrar com a qualidade das salas. A par dos multiplex, as salas menores e de arte ficam devendo para os conjuntos que encontramos em São Paulo. Os cinemas da Avenida Paulista são muito melhores e mais bem distribuídos.

Como parece inevitável passar pelo Central Park, saiba que vai precisar de muito fôlego para caminhar por lá, e que provavelmente não conseguirá percorrê-lo por completo. Ele é imenso, mas muito charmoso, e durante o verão se vê muita gente de top e trajes de banho, estiradas na grama ou lendo um livro, e quem sabe visitando o zoológico. Há outros parques interessantes em Manhattan, mas não tive tempo de conferir nada além do Bryant Park, que fica próximo à Times Square e exibe filmes antigos ao ar livre todo Domingo à noite. A biblioteca pública de NY fica ali pertinho, assim como um restaurante mexicano ótimo que me fora recomendado.

Em NY se almoça muito bem sem gastar mais de 8 dólares. A menos que você queira se presentear com uma refeição mais elaborada, como aquele hambúrguer maravilhoso do Friday’s. Ou um jantar glorioso num restaurante em Chinatown. Prepare-se também para beber muito café. Em Manhattan se encontra um Starbucks numa média de três quarteirões, além de centenas de Mc Donald’s e infinitos Dunkin Donuts (que só devem ser tão numerosos porque a força policial da cidade, a NYPD, é a maior do mundo, e é fato consumado que os tiras amam rosquinhas).

Uma das minhas descobertas mais felizes foi um Tim Horton’s próximo à Sétima Avenida. Esta é a franquia de cafés mais popular no Canadá, que eu nem sabia que existia em outros países. Fazem o melhor capuccino congelado que eu já provei! Outro achado é a Magnolia Bakery, a padaria que inventou os cupcakes, onde você encontra bolinhos de todas as formas e cores, lindamente decorados com glacê. Os diabéticos devem tomar cuidado, porque a loja do M&M’s e da Hershey’s (esta última decorada à la Fábrica de Chocolates do Willy Wonka) são uma tentação até para quem, como eu, não é chegado em doces.

Um adendo sobre a recepção dos nova-iorquinos: o povo da cidade é normalmente taxado de grosseiro e esnobe, mas acho isso muito relativo. Gente mal educada existe em todo lugar. Encontrar alguém assim seria apenas normal, e não sintomático. E você certamente conhecerá muita gente simpática e prestativa, também (a recepcionista do meu hotel deve ser uma das pessoas mais fofas que eu já conheci). Até porque NY passou por um baque e tanto com o 11 de Setembro. O ponto em que o World Trade Center se situava ainda atrai turistas, mas atualmente a área está isolada para a construção de um novo projeto e nada se vê (para não perder a viagem, você pode encontrar por lá uma loja de descontos fantástica, a Century 21).

Após o atentado a cidade mergulhou, junto do resto do país, numa paranoia estimulada pelo governo, que precisava manter a população em pânico para assegurar a reeleição de George Bush. O resultado todo mundo já sabe: Bush estava blefando, e sua gestão só arrastou os Estados Unidos para o centro da crise econômica mundial (Obama prometeu reverter o quadro mas está tendo dificuldades em limpar a casa). Esta mesma crise econômica não chegou a atingir em cheio o Brasil. Agora a situação está se invertendo: os americanos apertam os cintos e os brasileiros detém o poder de compra. Logo é conveniente receber turistas, que chegam com muito dinheiro para gastar e circular. Depois que se convencem de que você não está tentando uma imigração ilegal, devem recebê-lo de boa vontade.

Não vai faltar incentivo para retornar a NY em outras ocasiões. E a cidade precisa ser visitada regularmente, já que como toda metrópole deste porte, está sempre em mutação. Exemplo: há cinco anos, só o que se via nas ruas eram vendedores de cachorro-quente; hoje os vendedores de falafel são em maior número. Essas diferenças sutis traduzem a fase que a cidade está passando, e quando somadas, modificam a atmosfera como um todo. O fato é que Nova York é especial, fascinante e importante como poucos lugares conseguem ser. Espero encontrá-los por lá em minha próxima estadia!

Categorias:Diversos
  1. 21 julho 2010 às 9:03 pm

    talvez eu queira conhecer NY. o problema é que eu sou meio resistente aos EUA (embora esteja numa fase de pura fascinação pelo sul do país; certamente iria para a Louisiana, mas nem sei exatamente porque …).
    mas viagens são tudo na vida da pessoa, e acho que sair do seu meio e conhecer outros lugares e pessoas é o que faz tudo valer a pena mesmo.
    e sobre essa coisa de ‘ai, fulanos de lá são arrogantes, esnobes, grossos’ é o lugar-comum mais errado que eu já ouvi; normalmente é o clichê repetido por quem nunca viajou. já fui pra uns 3 lugares de ‘gente esnobe’ e NUNCA fui destratada, muito pelo contrário. acho mais é que quem fala é que é mau turista, e por isso leva chapuletada – mais que merecida, aliás.

    que bom que você voltou feliz e contente! espero que sua viagem tenha sido como você queria – e mais.😉
    =*

    • 21 julho 2010 às 9:34 pm

      Quéroul, você COM CERTEZA quer conhecer NY, mesmo sendo muito diferente do que você normalmente encontrará no sul do país. Viajar é a melhor coisa do mundo, né? E concordo com você: essa história de que aqui e ali o povo é antipático é pura balela!!! Pode ficar tranquila: a viagem foi perfeita!😉 Beijos.

  2. Fabio
    21 julho 2010 às 10:17 pm

    Já voltou! Precisamos nos ver!
    Pelo que li você comeu no Chipotle do Bryant Park né?
    Ah, ler esse seu post me deu ainda mais vontade de voltar pra lá!

    • 21 julho 2010 às 11:32 pm

      Fabio, voltei! Férias de julho não dura tanto assim rsrs… Fiz vários programas que você recomendou! Precisamos nos encontrar pra botar o papo em dia, e quem sabe planejar uma ida conjunta a NY!🙂

  3. Caroline®
    23 julho 2010 às 12:32 am

    Welcome, dear!!!! NY é meu sonho, só me imagino andando na Times Square, entrando pra ver “Cats” (ainda tem, né?), fazendo milhoões de compras de tudo que eu desejo bem baratinho nas farmácias e outlets, tudo ao som de “Empire State of Mind”…. Enfim, sonho de vida mesmo. Um dia….

  4. markhewes
    23 julho 2010 às 1:48 am

    Ai, deve ser uma delícia ir a New York.

    • 23 julho 2010 às 5:37 pm

      Caroline, seu sonho tem tudo pra se tornar realidade, menos assistir Cats, que saiu de cartaz há alguns anos e hoje é o segundo show de maior duração na Broadway (o primeiro é O Fantasma da Ópera, ainda em cartaz)!

      Mark, delícia nem chega perto de descrever…

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