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Emmy 2010: As Torcidas

Estamos há poucas horas de conhecer os indicados ao Emmy 2010, que serão anunciados amanhã de manhã por Joel McHale e Sofia Vergara. A minha lista final de previsões você já viu aqui, mas para entrar no clima, vou comentar um pouco mais sobre as minhas expectativas, torcidas pessoais e antipatias.

Christina Hendricks é a melhor atriz da TV

Quem eu mais espero ver contemplada com uma indicação é Christina Hendricks, a melhor atriz do excelente elenco de “Mad Men”, e talvez a melhor em atividade na TV. Poucos se dão conta, mas sua personagem Joan, a chefe do secretariado da agência, é uma das coisas mais interessantes da série, e sempre acaba enriquecendo as cenas em que é inserida. Ao mesmo tempo em que joga o jogo dos machos dominantes, Joan não se submete a eles. Deixa-os pensar que estão no comando, mas acaba fazendo o que precisa ser feito à sua maneira. Mas enquanto está por cima da carne seca no ambiente de trabalho, ela vai demonstrando fragilidades na sua vida pessoal – foi, durante muitos anos, amante de um dos sócios da agência, e depois que o abandonou, se casou com um médico que oprime sua figura forte (e que chegou a estuprá-la no escritório enquanto ainda noivavam). O brilho de Joan vai se apagando, mas a interpretação de Hendricks, que compreende a personagem num nível assustador, nunca foi tão reluzente quanto nesta terceira temporada. Para o seu azar, Elisabeth Moss, que junto de January Jones, é a protagonista feminina de “Mad Men”, se lançou na disputa pelo Emmy como coadjuvante. Com isso, Moss facilita as coisas para January na categoria principal, mas dificulta o caminho de Christina, que muitos apostam que será novamente esnobada (mas não eu, que, por instinto ou favoritismo insano, a incluí nos meus ballots).

Ainda sobre indicações muito pouco prováveis, mas que eu adoraria ver concretizadas, menciono Jennifer Carpenter – a melhor coisa da quarta temporada de “Dexter” (sim, acima de Michael C. Hall e John Lightow) – e Rosemarie DeWitt – fantástica como a irmã de Toni Collette em “United States of Tara”. Andei reparando, ainda, que as Janes podem dominar a categoria de Atriz Coadjuvante em Comédia. Jane Lynch, de “Glee”, e Jane Krakowski, de “30 Rock”, não só devem ser indicadas, como brigam sozinhas pela estatueta. Uma outra Jane, a Adams, também é uma aposta recorrente por seu papel como uma ingênua e insegura cafetina em “Hung”. Não prevejo, na categoria dramática, indicação para nenhuma coadjuvante de “The Good Wife”, embora a maioria dê como certa a presença de Christine Baransky. Caso ela seja mesmo indicada, será apenas por ter um nome conhecido – a melhor da série, à parte da protagonista Julianne Margulies, é a inglesa/indiana Archie Panjabi, que dá vida à investigadora Kalinda. Altamente profissional e sexualmente ambígua, Kalinda é uma daquelas personagens que cresce no espectador a cada episódio. Aplausos à Panjabi, que transformou uma mera coadjuvante numa das personalidades mais envolventes da televisão. Torço muito, ainda, por Betty White, veterana da televisão que apresentou uma edição do “Saturday Night Live” depois de uma campanha massiva dos seus fãs na internet, e por Kristin Chenoweth, que deu um show em suas duas participações em “Glee” – as duas devem concorrer como Atrizes Convidadas!

John Lithgow em Dexter

Falando agora sobre os homens, não entendo a submissão de John Lithgow, peça crucial da última temporada de “Dexter”, como Ator Convidado. Ele poderia perfeitamente ter se lançado à Coadjuvante, o que ajudaria a projetar a série como um todo, e impulsionaria a esperada vitória de Michael C. Hall (que depois de anos na seca, faturou o Globo de Ouro e o SAG no início do ano, vitórias que não se devem à simpatia causada pelo câncer que ele estava combatendo – e do qual agora está curado). Não tive muita paciência para a volta de “Breaking Bad” – a série é muito boa, mas às vezes um pouquinho cansativa -, embora reconheça que seus atores, Bryan Cranston e Aaron Paul, são brilhantes e dignos de indicação. Mas acho que, se dependesse de mim, daria o Emmy de Melhor Ator em Drama para o Jon Hamm. Ele nunca esteve tão bem em “Mad Men” quanto no episódio em que confessa para a esposa todo o seu passado complexo – que esconde uma infância pobre, troca de identidade e deserção na Segunda Guerra. Agora não sei porque insistem em pintar John Slatery como o melhor coadjuvante da série – Vincent Kartheiser é muito superior, e seu personagem Pete é risível e patético por si só, sem que o roteiro tenha de ser escrachado para atingir este resultado. Ah, ainda sobre protagonistas, acho que vai ser meio injusto o Matthew Fox concluir seu trabalho em “Lost” sem nunca ter sido indicado (ainda mais considerando a bela evolução do Jack ao longo desta discutível última temporada).

Nas categorias cômicas não parece haver tantos problemas (com exceção de Larry David e sua “Curb Your Enthusiasm”, que abomino com todas as minhas forças). No ano passado muita gente acreditou numa vitória de Jim Parsons, o Sheldon de “The Big Bang Theory”, que pra mim é mesmo o melhor ator de comédia em atividade. E devo dizer, as coisas parecem boas para ele, com o vencedor habitual, Alec Baldwin, prejudicado pela temporada mais irregular de “30 Rock” (sem contar que “The Big Bang Theory” tem muito buzz e cada membro de seu elenco passou a receber, após a última renegociação salarial, expressivos 250 mil por episódio). Do ótimo elenco de “Community”, apenas Joel McHale parece ter chances reais de indicação, e ainda assim pode perder a vaga para Thomas Jane (“Hung”), Matthew Morrison (“Glee”) ou ainda para um elemento surpresa. Não sei se o Emmy se antipatiza com David Duchovny ou com a série “Californication”, mas seu inspirado desempenho é constantemente esnobado, e não há motivos para crer que será lembrado desta vez. Temo, ainda, que a indicação certa de Ty Burrell, mais o nome forte de Ed O’Neil, acabem anulando a nomeação daquele que é o melhor coadjuvante de “Modern Family”, Eric Stonestreet. Se os três forem indicados – como eu acredito e espero -, e as mulheres Sofia Vergara e Julie Bowen também, todo o elenco adulto da série estará lembrado, com exceção de Jesse Tyler Ferguson (que tem mesmo menos oportunidades).

A melhor comédia do ano pode ser esnobada

Sobre as séries em si, nada de muito relevante a declarar. Talvez seja pedir demais para que se lembrem de “Community”, a melhor estreia do ano. E a indicação de “30 Rock” é mesmo inevitável, mas esta temporada não foi a melhor da série de Tina Fey. Também farão bem em esnobar “Family Guy”, que andou relaxando nos roteiros, e “How I Met Your Mother”, que a par de Neil Patrick Harris e do esplendoroso centésimo episódio, não teve uma temporada inspirada como um todo. Já “Friday Night Lights” tem méritos de sobra para ser indicado a Melhor Drama (assim como seus protagonistas Kyle Chandler e Connie Britton), mas está muito longe do radar do Emmy. Zach Gilford, aliás, era outro que deveria ser lembrado, como coadjuvante ou ator convidado, pelo personagem Matt Saracen. Espero que não cometam o engano de nomear “House” (que salvo um season premiere excepcional, descambou para a mesmice nos episódios restantes) e “Big Love” (cuja temporada foi criticada pela própria atriz Chloe Sevigny) entre os melhores do ano na TV. Gostei muito, ainda, da temporada final de “Damages”, tãp bem elaborada e bem atuada quanto as anteriores.

Por ora, estas serão as minhas torcidas, contra ou a favor. Quais serão as suas?

Categorias:Premiações, TV
  1. 7 julho 2010 às 11:33 pm

    As minhas torcidas vão para:

    Chloe Sevigny
    Modern Family
    Eric Stonestreet
    Ty Burrell
    Sofia Vergara
    January Jones
    Emma
    Romola Garai

    Beijo!

  2. Lucy
    8 julho 2010 às 6:17 am

    A minha maior torcida no Emmy dos últimos anos é pra fantástica Connie Britton – na minha opinião, é um reconhecimento que já deveria ter vindo há muito tempo, assim como para o Kyle. A falta de indicações pra eles é, pra mim, uma das maiores frustrações dos últimos anos… E eu sempre espero que “esse ano será diferente”, mas sempre me dou mal, então tento nem manter expectativas…

    Não acompanho algumas das séries que vc citou no post, mas posso concordar com a maioria dos seus comentários, me baseando nas edições passadas do prêmio e na opinião de críticos e espectadores. Um nome que eu tenho uma esperança bem pequena (mas é uma esperança mesmo assim) é o de Lauren Graham, por Parenthood. It’s a long shot, mas assim como esperei a Connie muitos anos e fiquei no vácuo, imagino que vou começar a fazer o mesmo pela Lauren (que merece há muito tempo esse reconhecimento)

    Acho que a única coisa com a qual discordo fortemente no seu post é o comentário sobre o Matthew Fox. Apesar da clara evolução do Jack e da fantástica temporada (mesmo entre controvérsias) da série, não acho que ele mereça uma indicação. Nunca achei, isso desde a época de Party of Five, o MF um bom ator e Lost só me fez ter mais certeza disso. Acho q o personagem era muito bom e, por isso, cria-se uma ideia de que ele tenha tido atuações fantásticas mas, na minha opinião, não é bem assim. Os grandes atores de Lost, pra mim, são Michael Emerson e Terry O’Quinn – ambos já venceram o prêmio e acredito que pelo menos um deles, senão os dois, vão aparecer nas indicações, porque realmente mereceram.

    E esse comentário já está longo demais, então vou parando por aqui. Antes só preciso dizer que, independente de qualquer coisa, eu só precisava que o Alec Baldwin não ganhasse mais nada – tem gente muito mais merecedora do que ele desse prêmio (opinião q muitos discordam, mas não acho que ele seja tudo isso não…)

    • 8 julho 2010 às 3:28 pm

      Ka, como já vimos a essa altura, algumas de suas torcidas se concretizaram, outras não! Comigo também foi assim, mas em geral achei a lista bem satisfatória! Beijo.

      Lucy, acabo de botar as mãos na lista de indicados e nossos queridos Kyle e Connie foram indicados!!! Antes tarde do que nunca. Lauren Graham infelizmente não aconteceu, e o Emmy já tem uma dívida de longa data com ela, pelo tanto que a esnobou nos anos de Gilmore Girls. Sobre o Matthew Fox – que conseguiu indicação -, acho que ele fez por merecer. Acho que um bom personagem é essencial para todo ator, e ele soube fazer o máximo com o que o roteiro exigia! Mas concordo que Emerson e O’Quinn mandam muito dentre os coadjuvantes da série, e suas indicações foram justas! E vou torcer contra o Alec Baldwin junto de você: ele é ótimo em comédia, mas já ganhou tudo o que tinha pra ganhar, e ultimamente fica devendo pro Jim Parsons!😉

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