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Retrospectiva Crepúsculo

Ainda não tive a chance de conferir “Eclipse”, o novo capítulo da saga “Crepúsculo” que está estreando nos cinemas mundiais. Aliás, até prefiro deixar a poeira baixar e assistir quando as salas já estiverem vazias e as fãs histéricas que berram durante as sessões tiverem desencanado do filme. Só para não passar em branco, relembro os dois filmes anteriores, e deixo as minhas impressões sobre a franquia milionária criada por Stephenie Meyer.

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– Crepúsculo –

A minha brava tentativa de ler “Crepúsculo”, numa tarde sem muito o que fazer na Livraria Cultura, não persistiu além da página 30. Cheguei logo à conclusão de que vendagem não é sinônimo de qualidade, e confirmei a sensação de que a autora Stephenie escreve muito, mas muito mal mesmo.

O livro, narrado em primeira pessoa por uma adolescente bem chatinha, é um troço inexplicável. A menina é intragável e só faz reclamar – fica nessas primeiras páginas dizendo coisas do tipo “ai, eu não me dou com o meu pai”, “ai, que camionete horrível ele deve ter comprado pra mim”, “ai, que cidadezinha ridícula”, “ai, meu primeiro dia de aula vai ser uma merda”, “ai, o povo da minha escola me olha esquisito” e daí em diante. Não cheguei na parte em que a garota, Bella, conhece um vampiro emo e cai de quatro por ele, mas já tinha visto o filme homônimo e sabia o que me esperava. Tenho certeza de que se esse fosse o melhor romance teen dos meus tempos de moleque eu teria me emancipado.

O status quo do teen movie atual é sinistro. O grosso dos fãs de “Crepúsculo” é a mesma galerinha que decora as músicas de “High School Musical” e que canta junto da TV em cenas como aquela em que as castas sociais do colégio aceitam alegremente a forma com que os mais populares as percebem. Aliás, já que o high school se firmou como palco para as mesmas receitas requentadas (e não requintadas), é justo que “Crepúsculo – The Movie” tenha sua cota de cenas nesse ambiente (este é o absurdo número 1: a cidadezinha é escondida no meio das coníferas e tem um par de milhares de habitantes, mas a escola é mega povoada e agrupa todos as etnias do planeta).

E se você vier dizendo que não dá para esperar lógica de uma fantasia, vá ver o filme antes para saber do que eu estou falando. Você não sabe como dói uma mordida no pau até a sua prostituta resolver espirrar durante o emprego. E mediocridade não é mais opção, agora que Alan Ball está redefinindo o gênero vampiresco com “True Blood”, a série da HBO que, com um texto singular e anárquico, transforma o bizarro em banal, tudo dentro de limites aceitáveis como críveis. Os absurdos seguintes envolvem o insosso casal central (o vampiro Edward diz que os dois precisam se afastar para a segurança de Bella, mas é sempre ele quem vai procurá-la), e o vilão que só é introduzido no terço final e que inicia uma caçada à mocinha sem motivo aparente.

Difícil é entender como Catherine Hardwicke, que fez um debut tão promissor com “Aos Treze” (onde arrancou desempenhos formidáveis de seu elenco juvenil), acabou se envolvendo com um negócio tão ruim – e deixou passar atuações dolorosamente sofríveis. Robert Pattinson (Edward) é uma desgraça e Kristen Stewart (Bella) não é Evan Rachel Wood. Eles não conseguem recitar uma frase sem cair na canastrice, coitados. E meu amigo, como o roteiro é ruim! Eu poderia jurar que foi escrito num teclado com coraçõezinhos nos pingos dos “I”s. Não tem nem vergonha de assumir a postura machista, quando a menina se dispõe a ser mordida e a abrir mão de tudo para acompanhar seu homem por toda eternidade (mas antes isso do que ser uma caixa de bombons como “Sex and the City”, que de feminista e moderno só tem a pose e cuja moral é a mesma dos discursos mais retrógrados: nenhuma mulher é plena sem um homem ao lado). Encurtando a história, este é um romance água com açucar, sem conflitos dramáticos e ponderado por efeitos vergonhosos (como na sequência calamitosa de jogo de beisebol).

.:. Crepúsculo (Twilight, 2008, dirigido por Catherine Hardwicke). Cotação: D+

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– Lua Nova –

A Bela, de “A Bela e a Fera”, sempre foi a minha princesa favorita da Disney. Enquanto suas colegas de profissão ficam inertes durante filmes inteiros, Bela não deita e dorme à espera de um Príncipe Encantado que a resgate. Feminista, ela recusa as investidas do machão Gaston, o cara mais gato da aldeia, simplesmente porque não quer ser definida pelos homens com quem sai. Corajosa, ela se oferece para ficar presa no castelo da Fera no lugar do pai. E genuinamente apaixonada, ela se envolve com a Fera sem um pingo de interesse (porque não sabia que ele era um lindo Príncipe enfeitiçado, e estaria disposta a dar para um monstro peludo). Isso, meus amigos, é uma mocinha de respeito!

Pode-se dizer que a xará da saga “Crepúsculo”, Bella Swan, não possui nenhuma dessas virtudes. Como já tínhamos descoberto no primeiro volume, ela é uma mosca morta, passiva e submissa, disposta a renunciar à sua família, à seus amigos, e à si mesma para seguir o namoradinho – o vampiro embonecado Edward – por toda eternidade. Quando a coisa aperta, é Edward, ou o nativo americano fortinho Jacob, que tem de vir ao auxílio. Parafraseando Regina Duarte, “eu tenho medo”. Medo pelas milhões de garotas mundo afora, que devoram os livros da série e que acampam na porta do cinema para conferir esta nova adaptação. Garotas que se espelham na protagonista e que sonham em encontrar um dia o seu par ideal, para serem devotas a ele com a mesma intensidade. Que exemplo a senhora Stephenie Meyer está dando a elas? “Ame o seu macho mais do que a você mesma”? E o amor próprio, aonde fica? Dignidade já! Talvez por isso o papel tenha caído como uma luva à cada vez mais insossa Kristen Stewart.

No entanto, relevando a moral misógina, retrógrada e ofensiva, devo fazer coro ao restante da crítica. “Lua Nova” é sim um pouquinho melhor do que o antecessor. Mas só um pouquinho. Não que a nossa avaliação faça qualquer diferença – filmes como este são inatacáveis. Os fãs vão ver de qualquer jeito, independente do que as publicações tem a dizer, ou mesmo de quem está no comando (dessa vez a direção ficou à cargo de Chris Weitz, de “Um Grande Garoto” e “A Bússola de Ouro”). A quem desdenha do poder de fogo da franquia, basta dar uma olhada nos números de abertura. As sessões de “Lua Nova” à meia-noite quebraram os recordes estipulados por “O Cavaleiro das Trevas” e “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, a arrecadação no final de semana chegou na casa dos U$140 milhões só nos Estados Unidos, e o lançamento no Brasil foi o segundo maior da década (atrás apenas de “Homem Aranha 3″). Nada mal. Ainda mais considerando que o pioneiro “Crepúsculo”, que deu origem a toda essa febre, nada mais era que uma reles fitinha B, bancada pelo estúdio pobretão Summit (que graças à saga está subindo de nível, mais ou menos como a New Line depois de “O Senhor dos Anéis”).

Neste aqui o investimento foi evidentemente maior. Apesar da maquiagem continuar constrangedora, os efeitos estão mais caprichadinhos, a direção de arte é quase boa, e a trilha tem canções bacanas e composições originais de qualidade. E não dá pra dizer que eles não se esforçaram. Todo mundo ficou sabendo, por exemplo, dos problemas que tiveram para criar os lobos por computação – primeiro não estavam grandes ou assustadores o bastante, e mesmo depois de uma série de mudanças ainda ficaram artificiais no resultado final. Até aí tudo bem, que seja, foi o melhor que conseguiram fazer. Só não acredito que não tenha dado para melhorar o roteiro chinfrim e as atuações amadoras. Não que se pudesse esperar grandes coisas do texto, visto que já se baseia numa fonte muito fraca. Não imaginava, porém, que a roteirista Melissa Rosenberg fosse forçar tanto a barra para povoar os sonhos eróticos (“wet dreams”) das pré-adolescentes. Dessa forma, tudo é desculpa para que os dois heróis, Edward e Jacob (Robert Pattinson e Taylor Lautner), tirem a camisa. Aliás, deixe-me aproveitar para dizer que esse Pattinson é um frangote, magrelo e quase desnutrido. E para quem duvida que o moleque Taylor tenha tomado bola para ficar com o peitoral tão bem definido, é só prestar atenção nas piadas internas da equipe (logo numa das primeiras cenas, Bella comenta: “Que esteroides você andou tomando? Tem só 16 anos, isso não é normal!”).

Já que estamos falando das forçadas do roteiro, o que dizer do ridículo pretexto para que Bella e Edward terminem na Itália, enfrentando um clã antigo de vampiros? (Os motivos que levam a isso estão no trailer, de modo que, ao me aprofundar neste ponto, não estou quebrando nenhuma surpresa que já não tenha sido anulada pelo estúdio.) Edward julga que a amada está morta (porque ela, hã, pulou de um penhasco, já que não se importava em arriscar a própria vida, desde que tivesse um vislumbre do seu charmoso vampiro no processo); liga na casa dela para garantir que está tudo certo e um mal entendido confirma suas suspeitas (um paralelo pobre com “Romeu e Julieta”, citado no comecinho do filme). Mas, gente, em que mundo nós vivemos? A Bella tem que correr pra Itália pra desfazer a confusão? Será que o telefone dela não tem bina? Era só ligar de volta, oras. Ou se a chamada não pudesse ser identificada, bastava a vampira que vê o futuro descobrir o número. Ela não é sensitiva? Tá, eu sei, era pra ficar mais emocionante… Quanto ao show de horrores que testemunhamos na Itália, onde aparecem o – geralmente ótimo – Michael Sheen pagando o mico de sua carreira e uma Dakota Fanning torta e esquista, prefiro não comentar. O pessoal pode começar achar que estou com implicância gratuita!

O fato é que, apesar de banal e ordinário, “Lua Nova” agrada seu público-alvo. Uma audiência que está se lixando se a mensagem é discutível ou não, desde que a história deixe os ganchos certos. Em mim, as pontas soltas a serem resolvidas posteriormente não surtiram efeito. Nas piriguetes que estavam na mesma sessão que eu, que ovularam e aplaudiram nos segundos finais, sim. E ao que me consta, a reação tem sido a mesma nos cinemas de toda parte. Como lutar contra isso? Me diga?

.:. Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon, 2009, dirigido por Chris Weitz). Cotação: C-

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– O final da saga –

Os fãs costumam dizer que “Eclipse”, a base deste filme que estreia agora nos cinemas, é o melhor livro da saga. Não saberia dizer, já que minha experiência enquanto leitor se resume às páginas iniciais do primeiro livro, e ao último volume, “Breaking Dawn”. Lançado no Brasil sob o título “Amanhecer”, o livro deveria concluir a saga dos vampiros embonecados, dos lobisomens sarados e da mocinha machista. Parece ainda que a autora está reescrevendo “Crepúsculo”, desta vez sob o ponto de vista do Edward. Que sono…

Enfim, acabei lendo “Breaking Dawn” durante três dias de muito ócio numa chácara e absolutamente nenhuma outra opção de leitura. Não é, de maneira alguma, um livro bom. Aliás reforçou minha impressão de que Stephenie Meyer é o Paulo Coelho dos Estados Unidos. Mas também não chegou a ser torturante como o início de “Crepúsculo”, que me dá pesadelos só de lembrar. Um dos pontos altos é que a narração é dividida entre Bella, que consegue ser ainda mais irritante nos livros, e Jacob Black, que é de longe o mais interessante do trio de protagonistas. Vou comentar a trama em detalhes deste ponto em diante. Das duas uma: ou você já leu o livro e sabe o desfecho, ou você odeia tudo que tenha a ver com “Crepúsculo” e não vai se importar de saber. Em todo caso, fica avisado de que vem spoilers por aí.

O moralismo prevalece, com Edward e Bella finalmente se casando, virgens e imaculados (ele com 109 anos, e ela com 18, o que deixa um gosto amargo de pedofilia que a autora ignora). Os dois teriam de se casar virgens porque Stephenie é mórmon e, obviamente, oposta ao sexo antes do casamento. O que explica porque ela foge do assunto como o diabo da cruz. Tanto que o relato da primeira vez dos dois (que estão passando a lua-de-mel no Brasil, onde a família Cullen, que é über rica, tem uma ilha!) é esparso. Os dois se aconchegam e, pula uma linha, já estão conversando no pós-sexo – aqueles diálogos açucarados que provocam revertério em qualquer pessoa com um mínimo de testosterona. São páginas e mais páginas de nada, de “Não devíamos ter feito isso” da parte dele, rebatidos com “Pare com isso, eu estou bem” da parte dela, e replicados com um “Não, eu te machuquei” da parte dele. E assim continua por um tempo incalculável. Tudo em nome da propaganda nojenta da senhora Meyer e seus ideais.

Dito isso, acho que a autora finalmente inseriu na série alguns elementos autênticos de vampiro. Afinal ela subvertera as convenções desta raça, tornando os vampiros tolerantes à luz do sol (que apenas os faria brilhar, como se tivessem a pele revestida por diamantes – ai!) e limando qualquer indício mais forte de violência. Dessa vez, percebemos que há algo de bizarro e, apesar de mal escrito, vagamente interessante. Por exemplo: Bella engravida de um bebê meio-humano, meio-vampiro, que eles cogitam que possa ser o anti-cristo (uma ideia por si só ousada para o que a série vinha apresentando). Fora que isso de bebê híbrido lembra muito o cruzamento de humanos com ET’s ou humanos com máquinas, coisas que a gente sempre encontra nesses seriados tão queridos de ficção científica. Enfim, a gravidez da Bella dura cerca de um mês, porque o feto vai se desenvolvendo em proporções anormais, e quando finalmente nasce, a menininha tem o tamanho de um bebê de dois meses! À beira da morte, pois o bebê sugou todas as suas energias durante a gestação, Bella é finalmente transformada em vampira.

Para as pré-adolescentes que estavam acostumadas com a melação dos volumes anteriores, estas opções podem parecer fortíssimas (mesmo que sejam brincadeira de criança perto do que “True Blood” faz em meio episódio). O fato é que não me simpatizo com a saga “Crepúsculo”, sequer acho que tenha extensão para se auto-denominar “saga”, visto que nada de muito relevante acontece. Mas devo reconhecer que, abandonando tudo o que já foi visto antes, “Breaking Dawn” pode originar um filme legal. Este “Eclipse”, que eu verei sabe-se lá quando, ao menos foi encarado pela crítica com mais boa vontade. Será possível que “Crepúsculo” tenha salvação?

.:. Amanhecer (Breaking Dawn, escrito por Stephenie Meyer). Cotação: C-

Categorias:Cinema, Literatura
  1. 30 junho 2010 às 10:44 pm

    Quando me lembro que vc disse que a mina é tão sem moral que tem que pedir autorização pra peidar foi foda … épico …

    Acredito (ou tenho certeza) que Hollywood tenta criar uma nova saga lucrativa para suprimir o que é HP … uma pena já que em sua maioria, são filmes que são meia boca e olhe lá … Te cuida rapá …

    e sim … aqui é o JP … me lembrei que tenho conta no wordpress … usar que é bom … necas!

    • 30 junho 2010 às 11:37 pm

      JP, claro que eu reconheceria o seu nick em qualquer lugar huahua… E a passividade da Bella vai daí abaixo! Abs.

  2. Rafaella Sousa
    1 julho 2010 às 12:14 am

    Eu só fui descobrir esse lance de Crepúsculo quando ano passado minha prima de 15 anos veio toda feliz me falar dos livros e ela já estava lendo o Lua Nova. Lógico qu eu não ia gastar dinheiro com esses livros, então baixei. O primeiro li 30 páginas e parei, muito ruim. Peguei pra ler de novo meses depois nas férias, aí li o primeiro, o segundo e o terceiro em seqüência e um tempo depois, li o quarto. Bem, eu não me revolto com o que ela mudou sobre os vampiros, pq ela é mórmon, ela não sabe quais são as “convenções” sobre as características dos vampiros. E ela escreveu pra adolescentes, então esse lance de achar o cara perfeito cai bem pra esse público alvo. E sobre o lance do machismo, eu super concordo, mas tbm tem a ver com ela ser mórmon. É fato que no terceiro e quarto livros ela deve ter tido um editor, pq a escrita dela melhorou, há bem mais cenas de ação e ela investiu pesado no triângulo amoroso. Em relação aos filmes, não tem como sair nada bom desses livros né? Se a base é tão ruim, pro roteiro ser bom tem q rolar uma mágica sinistra! Em relação às atuações, a mesma coisa, pq os personagens não são multifacetados, são mauzinhos ou bonzinhos e só. Ah, claro, a maquiagem me afronta absurdamente, um horror. Graças a Deus que quando eu era adolescente, o lance era Harry Potter. JK, obrigada por salvar a minha adolescência.😄

  3. 1 julho 2010 às 12:52 am

    Eu nunca vou gostar de Crepúsculo, primeiro que vampiro que brilha no sol pra mim não cola, o resto então sem comentários.

    • 1 julho 2010 às 3:41 am

      Rafaella, eu só fui descobrir Crepúsculo quando o filme foi lançado. Já tinha visto o livro à venda, e a capa com aquela mão segurando a maçã me chamou a atenção porque é bem bonita, mas fora isso nem sabia do que se tratava, nem que tinha uma base de seguidores tão grande. Também tenho uma prima doida pela saga (aliás, foi dela que tomei emprestado o quarto livro). Acho que é bem o que você disse: não tem nem como os filmes saírem bons, já que são inspirados numa fonte tão fraca. E tb acho que não tem como comparar Crepúsculo com HP. Como bem disse a Ana Maria Bahiana, “Harry Potter é uma obra literária; Crepúsculo não se qualificaria nem como folhetim – estou falando de conteúdo e forma e do nível de sofisticação de temas, propostas e reflexões que eles propõem”. Ou seja, GO HARRY!!!🙂

      Mark, isso dos vampiros brilharem é ridículo, mas desbravando a dita “saga”, tem coisas ainda mais toscas. Ou seja, imagina o nível!!!

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