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Séries para o midseason #2: Buffy A Caça-Vampiros

Dando continuidade aos posts sobre as séries que recomendo para o midseason, falo sobre a minha favorita absoluta, “Buffy, A Caça-Vampiros”. Para muitos uma série teen, “Buffy” era, na verdade, muito mais do que isso. Era uma homenagem honesta a gêneros subestimados e incompreendidos – que vão das fitas de terror B às comédias de colegial -, amparada por um roteiro esperto, por um elenco talentoso e pelos moldes de série de exportação, que condensava nos episódios todos os artifícios sensacionalistas que a TV possibilita.

Criação de Joss Whedon, um dos nomes mais requisitados da indústria do entretenimento, “Buffy” costumava usar monstros lendários como metáfora para a angústia juvenil. Mas por mais que essa carta fosse utilizada, o resultado jamais soava pretensioso, chato ou repetitivo. Ainda que a cada temporada nós acompanhássemos o fortalecimento de uma força maligna (que a protagonista e seus amigos refreariam no desfecho), não nos desligávamos ou bocejávamos por já ter visto aquilo antes. Pelo contrário: ficávamos com o coração na mão como se fosse um caso totalmente inédito.

“Buffy” era, em resumo, uma série sobre adolescentes desajustados tentando encontrar o seu lugar no mundo, e eventualmente salvando-o da destruição. Precisa ser vista, no entanto, de coração aberto, para captar o valor artístico e não sair botando defeitos em elementos que, na verdade, funcionam como um charme adicional (como a precariedade dos efeitos). Foi baseada num filme homônimo de 1992, escrito pelo próprio Whedon. O longa em questão serve como prólogo para a série, embora Joss nunca tenha ficado satisfeito com o resultado, já que muito de seu texto foi modificado para se aproximar do público médio. No entanto, quando o extinto canal WB (que hoje é o CW) comprou a ideia para uma série de TV, ele teve total liberdade criativa para contar essa história como bem entendesse.

Segue um resumo individual das sete temporadas do programa:

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– Primeira Temporada –

Estreou em 97 sem muito a seu favor e acabou se tornando um cult instantâneo. Ainda assim, os doze episódios do primeiro ano são alguns dos mais fracos do repertório (há um consenso entre os fãs de que Whedon só firmou o ritmo a partir da segunda temporada). A estrela, Sarah Michelle Gellar, testou originalmente para a personagem Cordelia e acabou conquistando o papel-título. Outras atrizes que testaram para Buffy acabaram sendo reaproveitadas no elenco (como Charisma Carpenter, que acabou sendo Cordelia, e Mercedes McNab, que seria a vampira Harmony). Também foi o primeiro papel de destaque de David Boreanaz, como o bem intencionado vampiro Angel – no entanto ele não seria creditado como regular até a temporada seguinte. Já o personagem de Eric Balfour, que morre no Piloto, era planejado para ser um dos membros da gangue do Scooby (como os amigos que auxiliam Buffy se autodenominam), mas foi descartado pelos roteiristas.

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– Segunda Temporada –

A série começa a ganhar fôlego, com a paixão entre Angel e Buffy se intensificando e a presença de vilões muito mais fortes. O que melhor define esta temporada é a introdução do casal de vampiros Spike (James Marsters) e Drusilla (Juliet Landau, filha de Martin Landau), que além de aterrorizar a cidade de Sunnydale, também protagoniza grandes momentos de comédia. Xander e Cordelia formam par romântico e Willow, a melhor amiga de Buffy, se apaixona por um lobisomem (Seth Green, que seria fixo no elenco da temporada seguinte). O grande conflito envolve Angel perdendo sua alma e se tornando uma ameaça para Buffy, os amigos e o restante do mundo. Para muitos a melhor temporada de “Buffy”, está disponível em DVD no Brasil, em box individual ou conjunto com os episódios do ano anterior.

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– Terceira Temporada –

A saída de Spike, que só retorna na próxima temporada, é sentida pelo público. Também foi prejudicial a ausência de Angel, que foi mandado ao inferno e passa uma leva de episódios aparecendo apenas nos sonhos de Buffy. No final desta temporada, o personagem deixa Sunnydale para originar um spin-off, do qual fazem parte Cordelia, Wesley, Drusilla, Darla e outros tantos personagens de “Buffy”. Ainda assim, este terceiro ano é memorável por muitos motivos. Primeiro pela presença de Faith (Eliza Dushku), uma outra Caça-Vampiros que acaba se aliando ao Mal. Depois pelos problemas de Buffy com o Conselho, que envia um novo Sentinela para ficar responsável por ela. E finalmente pelo belo episódio de formatura, no qual a protagonista é homenageada pelos colegas de sala, a quem protegeu nos anos que se passaram.

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– Quarta Temporada –

A primeira temporada de “Buffy” a não ser ambientada no colégio. Os personagens cresceram e cada qual seguiu seu caminho. O guardião Giles foi despedido pelo Conselho. Willow foi para a faculdade e tem um romance lésbico. Xander faz trabalhos temporários, se dá mal com os pais e namora Anyanka, um ex-demônio que não está acostumada com as regras do mundo humano. E Buffy descobre uma organização do governo especializada no mesmo serviço que ela: a caça de seres das trevas. A entrada de Spike como personagem fixo é um dos pontos altos. O que melhor representa este quarto ano, porém, é o episódio “Hush”, apontado por muitos como o melhor de toda a série. Para rebater as críticas de que se apoiava demais em diálogos sarcásticos e cheios de referência à cultura pop, Whedon escreveu e dirigiu um episódio quase inteiramente mudo – e nada menos que fantástico.

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– Quinta Temporada –

Minha favorita pessoal. Começa de maneira ousada, apresentando uma irmã caçula de Buffy que todos parecem acreditar ser real, embora os espectadores das temporadas anteriores saibam que a personagem não existia. A vilã é a melhor já criada para a série: uma semi-deusa banida de sua dimensão, que tem de dividir o corpo com um enfermeiro humano! Ela pretende abrir um portal que trará dimensões demoníacas para a Terra – um desafio que parece estar acima da capacidade de nossa heroína. O final da temporada marca o centésimo episódio da série, e conclui de maneira inacreditável. Mais memorável ainda é o capítulo “The Body”, onde a morte inesperada de uma personagem relevante rende momentos dramáticos intensos. Um episódio seco, sóbrio e realista (sequer tem trilha sonora – as músicas sempre vem de algum lugar, como o rádio), escrito e dirigido pelo mestre Joss.

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– Sexta Temporada –

Whedon se afastou da posição de show-runner, e outro roteirista passou a ditar os rumos da série. Isso e a mudança de canal – a série foi transferida do WB para o UPN – podem justificar algumas inconstâncias dessa sexta temporada, que começa mal (a forma que eles encontram de trazer Buffy de volta à vida não é nem um pouco criativa) e tropeça por todo o caminho (o erro mais evidente talvez seja uma mal-sucedida cerimônia de casamento). Anthony Head, que interpretava Giles, pediu para se afastar da série e passou a fazer apenas participações ocasionais. Já o trio de vilões – nerds de Sunnydale com a ambição de dominar o mundo – acaba surpreendendo. Por si só eles não representam uma ameaça, mas são o estopim da coerente revolta de Willow, que se torna adepta da magia negra. O episódio mais memorável é “Once More With Feeling”, encenado como um grande musical da Broadway.

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– Sétima Temporada –

A menos satisfatória de todas as temporadas do programa. Há muitas especulações sobre o que levou a série ao fim, e a mais popular é a de que Sarah Michelle Gellar não topou renovar o contrato (a equipe em si tinha interesse em prosseguir, tanto que deram continuidade à saga de Buffy numa série de HQ’s). Outros culpam a emissora pelo término. Seja como for, talvez estivesse mesmo na hora de dar adeus. Este sétimo ano passou por perrengues evidentes – como a trama das caçadoras em potencial e a introdução de uma renca de meninas irritantes – e nos deu a certeza de que não tinham mais para onde levar a trama. Mas ainda teve bastante a seu favor, como o episódio concentrado em conversas dos personagens com espíritos e demônios, a aproximação de Buffy e Spike, o retorno de muita gente importante, e um episódio final redondinho e emotivo. Chegar ao final da batalha com Buffy e a gangue do Scooby é uma sensação incomparável!

Aproveitem “Buffy”! Enquanto isso, vou me esforçar para ficar em dia com o spin-off “Angel”.

Categorias:TV
  1. 27 junho 2010 às 10:09 pm

    Sei que você AMA “Buffy”, mas eu acho esta série um tanto bobinha, desculpa! Beijos!

    • 27 junho 2010 às 10:48 pm

      Relações cortadas a partir de agora, Kamila! hunf

      Huahuahua Brinks…🙂 Respeito sua opinião, mas acho que se você desse uma chance pra Buffy, acabaria se envolvendo! Beijos!

  2. 28 junho 2010 às 12:06 am

    um dia eu tento Buffy, juro…

    ó, acabei OZ (que eu acho que vc devia ver, viu… até chorei nas duas últimas temporadas) e comecei Dexter. gostei bastante da primeira temporada apesar da historinha final lá. espero que não mexicanizem mais o roteiro, porque deu pra mim. gostei da ideia, gostei da maneira que contam, amei o Dexter, mas ai né… que bobagem enfiar a história do irmão (que eu, muito roteirista, tinha matado qdo ele apareceu da primeira vez, e tirando sarro ainda por cima. e foi aquilo mesmo :/).

    mas tô aí, pra começar a segunda temporada daqui uns minutos. maratoninha de Dexter nos entre-jogos da Copa.

    beijo pra vc

  3. 28 junho 2010 às 4:00 am

    Buffy é genial. A primeira temporada todos dizem que é muito fraca e você e meu outro amigo me alertaram, então eu pulei. A segunda tem momentos excelentes, mas ainda sim tem seus momentos “toscos”, o que faz a maioria achar que a série nunca tem grandes momentos sempre (o que acontece na quinta temporada). A terceira apesar de não ser melhor que a segunda, acho que tem menos episódios disperços. A quarta como a maioria diz ser ruim, eu não assisti, o que talvez tenha sido um grande erro, até porque estou na última e não tenho muito pra reclamar de Buffy. A temporada que menos me agradou foi a sexta e a sétima ta indo pelo mesmo caminho, a diferença é que a sétima tem me irritado menos, até porque a única coisa que achei chato foi a inclusão das potenciais. A quinta temporada é a melhor, porque é a temporada que tem um grande arco e em quase todos episódios tem uma ótima cena final. Esses dias eu estava revendo e vi aquela cena em que dizem pra Buffy o que é a Glory e ela diz “OH!”. E a cena em que o Riley vai embora e o Xander diz a Anya que a ama. São tantas cenas excelentes nessa temporada, que não tem como não ser minha preferida. Também acho que nessa temporada podemos notar que os personagens cresceram e o elenco ta mais entrosado na série, ou seja, se tem uma temporada de Buffy que todos deveriam assistir pra saber o que é Buffy, é a quinta. Apesar que o melhor de Buffy é ver que os personagens evoluem, as tramas sempre estão no caminho certo.

  4. 28 junho 2010 às 4:03 am

    Louis, me lembro que pedi que fizesse um post sobre cada temporada de Buffy. Se pensou em mim quando fez, obrigado mesmo! ^^

    • 28 junho 2010 às 5:31 am

      Quéroul, tenho certeza que vou gostar de Oz se começar a ver direitinho (assim como tb sei que vc vai amar Buffy)! Curti muito as duas primeiras temporadas de Dexter – achei, aliás, muito bem elaborada a reviravolta do final da season 1 – mas a série passou a ter problemas bem evidentes ultimamente. Sem dar muitos detalhes pra você que ainda não viu, acho que a narração do Dexter fica meio intrusiva e que muitas das tramas paralelas são bobagem! Aproveite sua maratona entre Copa!😉 Beijo.

      Mark, já falei que você errou muito em pular a quarta temporada! Não confie em quem diz que é ruim. Confie em mim, pois I know best huahua… Assim como você, amo, quase idolatro, a quinta temporada, pra mim a melhor do programa. Mas também acho a segunda, terceira e quarta bastante boas. Sobre o post, eu ia me ater aos três primeiros parágrafos, daí me lembrei que você pediu por um sumário das temporadas e aproveitei pra incluir o resuminho! Espero que tenha gostado🙂

  5. 28 junho 2010 às 1:19 pm

    Louis, eu adorei o resumo de cada temporada, esse foi o charme do post, hahaha.

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