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Enfim, Robin Hood

Ridley Scott é um dos poucos diretores que ainda insiste em trabalhar com Russell Crowe, um ator de temperamento explosivo e difícil de lidar. Depois de “Gladiador”, os dois fizeram juntos outros quatro filmes, sendo este “Robin Hood”, em cartaz há alguns meses nos nossos cinemas, a parceria mais recente. Tendo sido tão exposto na mídia como um sujeito antipático, anti-profissional e grosseiro, fica difícil para o público encarar Russell com bons olhos, ou enxergá-lo plenamente como o personagem e nem por um segundo imaginar se ele teria retalhado alguém no set de filmagens naquele dia. Sem mencionar que, para o papel-título, Russell está velho demais – um ator na faixa dos 25 anos estaria mais de acordo com a expectativa de vida na Inglaterra do século XII.

Ainda mais se considerarmos que a trama é, na verdade, um “prequel”. Leva quase duas horas e meia para mostrar como Robin Hood se tornou um justiceiro fora de lei, que numa época de pobreza e tirania cometia furtos contra a Coroa e distribuía os ganhos entre os menos favorecidos. Tudo isso o filme deixa para a imaginação do espectador, através dos letreiros que puxam os créditos finais. O que acontece antes é um extenso prólogo sobre o passado de Robin nas Cruzadas, e sobre como, ao voltar da guerra, fez-se passar por um homem assassinado nos campos de batalha. A família deste homem, mesmo detendo um título de nobreza, se encontra à falência na paupérrima região rural de Londres, e estimula a farsa para que Robin possa cuidar dos negócios após a morte do patriarca (o veterano Max Von Sydow). A esposa que ele acaba ganhando por tabela é interpretada por Cate Blanchett – mas a personagem não é passiva, como era de se esperar, e sim uma quase heroína, cheia de garra e atitude. Entrementes, o trono inglês fica ameaçado depois da morte do Rei Ricardo, quando seu irmão herda a coroa e contrata como conselheiro um salafrário que está mancomunado com os franceses (o vilão é interpretado por Mark Strong, que está se especializando na figura de antagonista).

Se Russell não favorece em nada o projeto, o restante do elenco ao menos não compromete. Além de Blanchett e Von Sydow, há boas participações de William Hurt, como o conselheiro de boa índole, e Eilleen Atkins, como a Rainha. O roteiro nunca tenta se levar a sério, e deixa atestado desde que o princípio que o um filme não terá a pompa de um “Gladiador”. Pelo contrário: é para ser encarado como entretenimento fácil e corriqueiro. Inclusive as piadas são bem modernas para o período em que a história se passa, e as cenas de batalha, filmadas com o truque de edição acelerada, tem caráter pop. Não é, portanto, a aventura aborrecida que pode parecer (razão de eu ter evitado assistir ao filme até última instância), apesar de também não provocar maiores reações. Destaque para a extraordinária reconstituição de época – dos figurinos sujos e encardidos às casas dos camponeses, rústicas e sem requintes. Não tenho na lembrança grandes filmes sobre Robin Hood, mas imagino que este exemplar não seja o pior que iremos encontrar.

.:. Robin Hood (Idem, 2010, dirigido por Ridley Scott). Cotação: B-

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Categorias:Cinema
  1. 23 junho 2010 às 11:57 pm

    Sinceramente, acho que “Robin Hood” ficou devendo. Não basta Ridley Scott ter nos oferecido um filme tecnicamente muito bom, mas que tem uma história fraca. Fora que Russell Crowe e Cate Blanchett possuem química ZERO! Beijo!

    • 24 junho 2010 às 1:55 am

      Ka, acho que Crowe é que devia ter vazado! Cate é rainha e faz muito bem o seu papel, mesmo numa história fraquinha como esta! Beijo.

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