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Plano B

A trama de “Plano B” é assim: 80% dela é exposta no trailer – que revela que a personagem de Jennifer Lopez fará uma inseminação artificial e conhecerá logo em seguida um homem que a fará repensar a opção de ser mãe solteira; quando confirma a gravidez e lhe diz a verdade, o sujeito, que se apaixonou pela moça em tempo recorde, topa dar este passo junto dela, e passa a acompanhá-la em consultas ao ginecologista e ao parto assistido de uma amiga -; e os 20% que o trailer não entrega o público pode descobrir por conta própria antes mesmo de entrar no cinema – ou seja, que eles vão se desentender por alguma besteira, mas se reunirão ao final para criar o bebê (ou bebês, já que a mulher super fértil conseguiu engravidar de gêmeos) e serem felizes para sempre.

Não há uma contravenção sequer que não possa ser prevista, ou qualquer conflito adulto que não seja banalizado pelas canções melosas e imaturas da trilha sonora. Obviamente Lopez é uma atriz displicente – não que a melhor atriz do mundo pudesse extrair algo mais de um papel tão opaco -, e Alex O’Loughlin, que lhe serve como par romântico, tampouco deixa uma grande impressão. E qual não foi minha surpresa quando, ao avaliar a ficha técnica, descobri que o diretor é um certo Alan Poul, consultor e produtor executivo da finada série “Six Feet Under” (também envolvido com as superlativas “Roma” e “Big Love”)? Pois é: pelo visto nem todo profissional da TV deveria se arriscar fora dela. Poul não acerta a mão nas investidas cômicas (a cena do parto numa piscina de plástico é realmente grotesca), e vacila também ao atestar o clima de romantismo.

Se o filme não é uma perda total é porque, em meio a tanta palhaçada, consegue deixar uma mensagem positiva e verdadeira sobre relacionamentos. Às vezes, uma relação sincera pode nascer das fontes mais incomuns e inesperadas, e o anti-convencional pode ser tão ou mais eficaz que o tradicional. Ou o mais importante: família não é aquela idealização de pai, mãe e filhos perfeitos. Família são aqueles que estão conosco neste mundo. Pena que tanto constrangimento tenha sido necessário para transpor esta moral para as telas.

.:. Plano B (The Back-up Plan, 2010, dirigido por Alex O’Loughlin). Cotação: D+

Categorias:Cinema
  1. Fernando K.
    22 junho 2010 às 2:28 am

    A unica coisa interessante que o longa possui é a bela escultural da deusa Je-Lo! Perfeita!

  2. 22 junho 2010 às 1:42 pm

    Quando tem Jennifer Lopez no meio, já podemos desconfiar. Os filmes que vi com ela, todos foram um fracasso.

  3. 23 junho 2010 às 12:35 am

    Mesmo quando eles são totalmente clichês (caso de “Plano B”), eu adoro filmes de comédias românticas. Não resisto! O Alex O’Laughlin não é um bom ator, mas ele forma uma química legal com a J-Lo!

    • 23 junho 2010 às 6:18 am

      Mark, exato. Já entrei no cinema sabendo que viria desastre por aí, embora acredite que tenha visto o filme com imparcialidade. Mas J-Lo não desce!

      Ka, eu gosto de algumas comédias românticas – em especial das que funcionam, no mínimo, como comédia ou romance (se não conseguem as duas coisas). Achei esta aqui falha nas duas coisas. E nem curti tanto a química do casal como você… Beijo!

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