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O nada nobre Príncipe da Pérsia

A parceria do produtor Jerry Bruckheimer com os estúdios Disney rendeu uma das franquias mais bem-sucedidas de todos os tempos, a saga “Piratas do Caribe”. Esta nova empreitada “O Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo” parece ter sido feita sob medida para atender ao mesmo propósito. A inspiração dessa vez não foi um brinquedo de parque de diversões, e sim um videogame que certamente tem os seus adeptos. Mas enquanto “Piratas do Caribe” ressuscitou o gênero da capa e espada com sua história básica e elementar, a trama deste aqui não é atrativa o suficiente para cativar o público e fazê-lo voltar para o próximo volume.

É, na verdade, uma fita bagunçada e mal estruturada, longa demais para o que se propõe, abarrotada de personagens imbecis e previsível do primeiro ao último frame. Na trama, um menino de rua da Pérsia (atual Irã) é adotado pelo Rei e criado como um Príncipe (as cenas iniciais num mercado de pulgas remetem bastante à “Aladdin”). Depois de crescido, conduz a invasão de uma cidade sagrada protegida por uma princesa – mas vai se ver em meio a um plano mal intencionado, que culmina na morte do seu pai adotivo e na suspeita de que ele seja o assassino. Um punhal místico capaz de retroceder o tempo é o que motiva a aventura. No papel do mocinho está Jake Gyllenhaal, e como a princesa com ele quem vive se espezinhando – e que claramente servirá como par romântico – temos Gemma Artenton, tão linda quanto má atriz. Pagando mico em papeis secundários estão Ben Kingsley e Alfred Molina, que ao menos é utilizado como alívio cômico.

A comicidade do filme, aliás, resulta nos seus momentos mais constrangedores. As tentativas de fazer humor com o protagonista são especialmente calamitosas, uma vez que Gyllenhaal não tem a verve de um Johnny Depp, responsável por boa parte da repercussão positiva de “Piratas”. Apesar da aventura ser muito bem ambientada, com locações marroquinas grandiosas, cenários saturados e figurinos chamativos, as seqüências mais eletrizantes são banalizadas pelo excesso de câmera lenta, os efeitos visuais precários e a aparência malfadada de jogo virtual. Uma homenagem que o diretor Mike Newell tentou prestar à sua fonte de inspiração, mas que serviu apenas para afastar “O Príncipe da Pérsia” de seu escopo cinematográfico, e torná-lo um pseudo-filme.

.:. O Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo (The Prince of Persia – The Sands of Time, 2010, dirigido por Mike Newell). Cotação: D-

Categorias:Cinema
  1. 16 junho 2010 às 11:53 pm

    Discordo totalmente de sua resenha crítica. Eu acho que “Príncipe da Pérsia” é o blockbuster mais bem sucedido desta temporada do Verão norte-americano. A obra envolve, tem um personagem principal carismático e a parceria Gyllenhaal-Arterton funcionou muito bem! Beijo!

    • 17 junho 2010 às 12:57 am

      Ka, jura que você gostou tanto assim? Não vi grandes blockbusters nessa temporada, mas se isso for o melhor que teremos este ano, então estamos mal! Beijo😉

  2. Lucy
    17 junho 2010 às 11:19 am

    Nossa, joguei muito “Prince” quando era mais nova… Primeiro jogo de computador que joguei, ainda quando o computador era verde e preto, sabe? E depois qdo era preto e branco… Lembro que o primeiro Prince colorido foi a maior descoberta da história pra mim… (acho que acabei de entregar minha idade – hehehe).

    Tirando isso, e apesar de toda a hype em cima desse filme, ele não estava entre os muitos que eu quero ver dessa temporada. Nunca soube exatamente porque, mas desde o princípio ele não chamou minha atenção e eu provavelmente só vou assistir qdo ele aparecer na minha frente. Ainda mais depois de ler sua resenha pq, pelo q já percebi aqui, temos gostos parecidos…

    • 17 junho 2010 às 2:26 pm

      Lucy, tenho pouquíssima experiência com jogos! Na minha época só gostava da fita do Aladdin no Mega Drive (aquelas fitas que a gente tinha que soprar pra funcionar huahuahua)… Mesmo não conhecendo o jogo que inspirou O Príncipe da Pérsia, achei o filme bem constrangedor em linhas gerais. Não se incomode se perder.

  3. Anabela
    18 outubro 2010 às 4:22 am

    Eu amei o filme, nunca joguei esses jogo, nao sabia do filme ate uma amiga fala-me, a historia e linda, quem nao gostou do filme e porque nao bate bem da cabeça, em vez de critica,
    ver o filme outra vez, e se mesmo assim nao gostar nao se poe a critica porque as pessoas gostam de critica o trabalho das outras, mas ninguem que ter o trabalho de o faze.

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