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Os melhores do teatro?

Passou despercebido aos brasileiros, que só tem olhos para as partidas sonolentas desta Copa do Mundo, mas no último Domingo aconteceu nos Estados Unidos a cerimônia de entrega dos Tony Awards, considerado o prêmio mais importante do teatro americano. Tem para os palcos o mesmo peso que o Grammy tem para a música, o Emmy para a televisão e o Oscar para o cinema. Por isso tantos artistas almejam completar esta quadra – a vitória em cada uma dessas competições é coisa que pouquíssimos profissionais do mundo do entretenimento conquistaram. (Isso chegou a virar mote de piadas nesta última temporada de “30 Rock”, quando o personagem Tracy se tornou obcecado por vencer os prêmios mais renomados).

Conferi apenas trechos da festa no YouTube, mas a partir da lista de premiados já podemos fazer algumas considerações. A mais importante delas: o Tony é essencialmente político, e sempre vai priorizar os intérpretes que já estejam estabelecidos em outras mídias (cinema principalmente). Só isso explicaria a vitória de Catherine Zeta-Jones como Melhor Atriz em Musical por “A Little Night Music”. Os críticos apontavam a diva black Montego Glover, estrela do melhor musical “Memphis”, como franca favorita à estatueta. Amigos meus que viram Catherine se apresentar garantem que, ao vivo, ela não demonstra o mesmo vigor de sua performance musical mais conhecida, no filme “Chicago”. A própria pareceu muito surpresa ao ser anunciada vencedora, e fez caras e bocas para o marido Michael Douglas antes de subir ao palco.

E o que dizer de Scarlett Johansson vencendo como Atriz Coadjuvante em Peça? Pode parecer injusto julgá-la sem ter visto a interpretação em questão, mas faz anos que desconfio desta garota que tantos pintaram como um verdadeiro talento. Não percebem que ela é uma atriz limitada, ainda “verde”, e muito favorecida pelos diretores com que trabalhou (em especial Sofia Coppola, que lhe proporcionou o texto sublime de “Encontros e Desencontros”, e Woody Allen, com quem atingiu seu potencial em “Match Point” antes de descambar para a mediocridade em “Vicky Cristina Barcelona”). Bem humorada, Scarlett agradeceu ao parceiro Ryan Reynolds, a quem se referiu como o “canadense com quem eu moro”. Está aí uma maneira inovadora de chamar o marido.

Ouço maravilhas sobre as performances de Denzel Washington e Viola Davis, Melhor Ator e Atriz em Peça pelo espetáculo “Fences”. Mas fico me perguntando se Viola, que já foi premiada anteriormente, não poderia ter sido preterida em favor de Laura Linney, uma intérprete formidável e subvalorizada, que até o presente momento não tem um Tony. E estou muito ansioso por conferir no mês que vem em Nova York o novo “A Gaiola das Loucas”, premiado como Melhor Revival, Direção e Ator em Musical (Douglas Hodge, no papel que foi de Nathan Lane no filme homônimo). Vale lembrar que uma versão diferente da “Gaiola” foi trazida ao Brasil pelo Miguel Falabella (a montagem está sendo encenada no Rio, e à exemplo de “Hairspray”, deve chegar a São Paulo em breve).

Dentre as apresentações que conferi, estava a dos protagonistas de “Glee”, os filhos da Broadway Matthew Morrison e Lea Michele (confira o vídeo aqui). A série foi mencionada por sua importância atual na popularização dos musicais, e por levar à rede nacional astros que tem a fama limitada aos palcos nova-iorquinos. Mas ao menos Lea desapontou, e muito, com sua interpretação de “Don’t Rain On My Parade”. Se num dos episódios da série ela tirou a música de letra, ao vivo soou muito agressiva, exagerada, gritando além da conta, desafinando e quebrando nota. Imagino que estivesse muito nervosa por se apresentar diante de uma plateia repleta de artistas que admira. Um adendo: nos bastidores, fotografaram lado a lado as moças que originaram os papeis principais de “Wicked”, Kristin Chenoweth e Idina Menzel. Depois que solicitaram para participar de episódios diferentes de “Glee”, os rumores de que ambas tem uma péssima relação profissional se intensificaram. Eu, por minha vez, não vejo maldade no coração das duas. E vocês?

Agora sim começa a contagem regressiva oficial para o Emmy – prêmio em que podemos ser muito mais participativos por termos conferido tudo o que está disputando. Até lá, compartilhe suas impressões sobre o Tony!

Categorias:Premiações, Teatro
  1. Lucy
    15 junho 2010 às 10:32 pm

    Eu tinha pretensões de ver o Tony ao vivo, mas acabei chegando tarde demais em casa e como odeio pegar premiações pela metade, acabei deixando pra ver os resultados e eventuais vídeos mais tarde. Acho quase triste ver que, como em todos os “award shows” que acompanhamos, a maioria dos premiados vence mais por política do que por talento mesmo.

    Infelizmente, não sou muito apta a falar do Tony, porque acompanho muito pouco. Fiquei, por exemplo, surpresa e feliz ao saber da Catherine – porque sou muito fã dela em Chicago. Aí comecei a ler críticas, que deixavam claro que ela não era a mais merecedora, então fiquei ainda mais certa de que sei muito pouco. =-P No dia em que eu conseguir passar umas semanas indo a todos os shows da Broadway, eu talvez consiga dar mais opiniões.

    (mas qdo chega o Emmy, eu sou quase uma especialista, de tanta série que assisto)

    Qto a Lea, aparentemente o problema foi a banda mesmo. Eles estavam tocando mais lento do que a banda que a acompanha em Glee e ela não estava conseguindo escutar e se acertar no ritmo. Ela arrasou com essa música ao vivo nos shows q eles fizeram lá nos EUA (não sei se vc chegou a ver algum vídeo, é de arrepiar), então a gente sabe que ela sabe oq fazer. E, como vc disse, talvez ela tenha mesmo ficado nervosa por estar ali, quem sabe?

    (opa, desculpa pelo comentário longo demais – me empolguei! =-P)

    • 16 junho 2010 às 10:40 pm

      Lucy, a vitória da Catherine foi uma grande surpresa! Duvido mesmo que tenha sido merecida – com base nos comentários, não foi. Sobre a Lea, ela estava em descompasso muito grande com a banda. Mas será que quem errou foi ela ou todos os músicos? Fica a dúvida rsrs… E eu adoro comentários longos!!!🙂

  2. PamCake
    15 junho 2010 às 10:42 pm

    Louis, Louis, Louis. Bem, first off, permita-me dizer que estou sorrindo um sorriso idiota por ser a primeira a comentar. Confira:😀
    Ok. Rsrs. Menino, que alívio saber que não fui a única a desgostar da apresentação da Lea ! Até postei sobre isso em alguma comunidade do Orkut, e minha opinião é justamente essa, de que ela estava nervosa demais por apresentar sozinha, em um evento de tão grande significância e uma música tão “uau”. Tô pra dizer que a melhor parte da apresentação da Lea foi o sorrisão evidentemente genuíno e orgulhodo da Idina ao final, AHAHAHA ! É tiete demais, mas amei !
    Anyway, que eu saiba, nenhuma das nossas duas divas (essa foto aí de cima me fez chorar, mas releva) disse que não queria contracenar com a outra; foi só uma das pistas do “Blind Item” do Ausiello, o qual pode ou pode não ser Menzel e Cheno. Enfim, vc já sabe, rsrs…

    Sabe, eu sinto-me meio que uma fangirl abobalhada por ser tão louca por teatro musical sem nunca ter tido a oportunidade de assistir a uma peça ao vivo, algo “for real”; mas é algo que vem da infância, começou com Grease e venho guardando comigo desde então. A paixão sofre sucessivas mitoses. Só digo isso. Um dia HEI DE aplaudir de perto.
    Adorei sua partilha de impressões sobre a última premiação. Fiquei meio passada com a vitória da Zeta-Jones, e isso porque ainda nem conferi o trabalho que lhe rendeu a estatueta. Enfim, preciso dar uma checada urgentemente.🙂
    KissKiss

  3. 16 junho 2010 às 1:23 am

    Adoro o Tony! A direção dessa premiação é impecável! O Grammy, por exemplo, poderia aprender demais com esse show de premiação! Beijo!

    • 16 junho 2010 às 10:22 pm

      Pamela, não fui só eu nem só você. Até mesmo na comuna de Glee, onde o pessoal lambe o chão que a Lea pisa, a performance dela foi muito criticada! Sobre Chenzel, sei que isso foi boato do Ausiello, mas prefiro tomar como verdade. Acho inclusive provável que as duas não se dêem bem, mas vendo algumas demonstrações de amizade dentre elas parece autêntico demais pra ser fingimento! E em Julho estarei aplaudindo de perto algum desses musicais rsrs…

      Ka, concordo com você! Tanto que o Oscar e o Emmy copiaram muitas coisas do Tony em suas últimas edições. Beijo!

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