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Supercalifragilisticexpialidocious

Me chamem de sem infância, mas não tenho grandes recordações de “Mary Poppins” da época em que era criança. De fato, me lembrava do filme como um borrão, e foi como se estivesse vendo pela primeira vez quando peguei o DVD dia desses. Este é tido como um dos maiores triunfos da carreira de Walt Disney, e muito importante para o estúdio por muitos motivos. Primeiro por ter conseguido 13 indicações ao Oscar, das quais levou cinco (Montagem, Efeitos Especiais, Canção, Trilha Sonora e Atriz para a então estreante Julie Andrews). Foi a maior marca de vitórias de um filme Disney numa única edição do Prêmio da Academia.

Andrews também fez história por ser uma das poucas premiadas pelo primeiro filme, e a única a vencer por um longa-metragem infantil. Antes disso já era uma estrela dos palcos, tendo originado o papel de Eliza Doolittle em “My Fair Lady” (foi passada para trás na adaptação cinematográfica em favor de Audrey Hepburn, que não sabia cantar e teve de ser dublada – o que acabou sendo para melhor, já que Julie ficou disponível para estrelar este aqui). “Mary Poppins” também foi um sucesso absoluto de bilheteria, e a renda arrecadada bancou a construção de uma nova divisão dos estúdios Disney. Foi baseado num livro popular nos Estados Unidos, e originou ainda um musical na Broadway, além de ter sido muito parodiado e copiado.

E é realmente uma obra-prima, tanto como filme infantil quanto como musical. Para as crianças, é um conto mágico e inesquecível sobre a fase mais pueril e inocente das nossas vidas, e o momento em que começamos a assimilar e a contestar as regras do mundo adulto. Walt Disney compreendia essa sensação como ninguém – e dá pra sentir a mão dele no projeto, desde a meticulosa produção até a famosa sequência que mescla os atores com animação tradicional. Para os fãs de musicais, também é um clássico absoluto. Não só porque trilha é excelente (embora pareça sobrecarregada de canções aqui e ali), mas porque a execução é impecável. Há uma sequência de dança nos telhados que deve ser uma das mais energéticas, empolgantes e bem coreografadas que eu já vi.

Na trama, a babá mágica Mary Poppins vai usar seus truques para aproximar um pai frio e distante de seus dois filhos pequenos. Mas a personagem, apesar de se definir como a perfeição em pessoa, não é plana ou efusiva. Na verdade é bastante seca, pulso firme, cheia de si. Características que Andrews sabe transmitir muito bem. No entanto, ela perde a cena quando tem de dividí-la com Dick Van Dyke, espetacular como o artista de rua Bert, narrador da história e companheiro de aventuras de Mary e as crianças. Para ser descoberto ou relembrado.

.:. Mary Poppins (Idem, 1964, dirigido por Robert Stevenson). Cotação: A+

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Categorias:Cinema
  1. markhewes
    30 maio 2010 às 2:54 pm

    Ah mudou o visual. Acho que com o tempo até você iria começar gostar do outro, até porque o tempo muda tudo!

  2. 30 maio 2010 às 6:03 pm

    não vi Mary Poppins na infância; foi bem mais tarde, e eu lembro de ter gostado bastante (que nem a fantástica Fábrica de Chocolates, que eu assisti em dois mil e poucos, mesmo tendo uma ‘memória adquirida da musiquinha dos Oompa Loompas).

    é pra rever. ainda mais que a dupla Julie Andrews (ai, minha amada Maria) e Dick Van Dyke é uma dupla linda de viver, né?
    lembro de uma dança com pinguim. tem isso mesmo, né?
    e a parte das chaminés.
    🙂

    minha memória tá, ó, daqui!

    (revoltou pro layout antigo???)

    • 30 maio 2010 às 8:55 pm

      Mark, eu sou muito de momentos! Teve uma época em que mudava de layout todo dia huahua… Me senti como se tivesse traindo o antigo que me serviu tão bem usando o novo 😉

      Quéroul, então somos dois que descobriram Mary Poppins tardiamente! o/ Filme lindo toda vida. Tem sim essa cena dos pinguins – eles são garçons no mundo de desenho em que eles entram, e dançam com o Bert! Tá bem de memória, hein? (E ai, voltei rsrs)

  3. 30 maio 2010 às 11:24 pm

    Uma pequena correção em seu texto: Audrey Hepburn sabia cantar, sim. O estúdio de cinema que decidiu que ela seria dublada em “My Fair Lady” e essa foi uma das maiores frustrações da carreira da Audrey. Ela não se conformou com isso e brigou para ter sua voz original no filme, até o fim!

    Beijo!

    • 1 junho 2010 às 12:06 pm

      Ka, eu me lembro de vc ter comentado comigo e me mandado um vídeo com as músicas originais da Audrey no YouTube uma vez… Mas se me perdoa por dizer, acho – e o estúdio provavelmente tb achava – que Audrey ainda era “verde” como cantora, e que dublá-la foi a decisão correta! Beijo.

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