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Finais de temporada

Em final de Maio, a esmagadora maioria das séries americanas (basicamente todas as originárias dos canais abertos) encerram suas temporadas, para retornar com episódios inéditos apenas em Setembro. Durante esse hiato, o calendário dos viciados em séries fica quase vazio, ocupado somente por alguns programas dos canais pagos. Alguns como eu aproveitam para colocar em dia temporadas atrasadas de séries que sempre quiseram ver. No meu caso, dedicarei meu tempo a terminar “Angel” e “Dead Like Me”, ambas canceladas. E estou aberto a novas sugestões. Até lá, vou fazer um apanhado da temporada 2009/2010 que está chegando ao fim.

Foi nesse ano que aprendi a amar “Supernatural”, um guilty pleasure do CW e provavelmente a série mais viciante do momento. Os protagonistas Jensen Ackles e Jared Padalecki tem uma dessas químicas inexplicáveis, de fazer inveja. E empregam muito bem essa afinidade ao relatar a saga dos irmãos Winchester, que perambulam pelos quatro cantos dos Estados Unidos num Impala maneiríssimo, caçando espíritos e demônios ao som de bandas de rock progressivo. Cool.

Community é a Melhor Comédia

Entrementes, “30 Rock” e “Family Guy” sofreram quedas vertiginosas no nível dos roteiros e perderam o posto entre as melhores comédias da TV, dianteira que foi tomada por duas estreias, “Community” e “Modern Family”. A primeira, que eu descobri com certo atraso e devorei todos os episódios em sequência, é levemente superior à segunda. Os momentos mais sensíveis, por exemplo, fluem mais naturalmente, já que em “Modern Family” eles precisam dar uma encafonada colocando uma narração ao final de cada episódio para evidenciar que os personagens realmente se importam uns com os outros. Em “Community”, o companheirismo entre o grupo de estudantes de uma faculdade comunitária é muito bem firmado, apesar de cada um ter seus conceitos e preconceitos e do roteiro conseguir realçar isso de maneira muito engraçada e nada ofensiva.

“Glee” ainda está há dois episódios de encerrar sua primeira temporada, mas permanece como uma das séries mais irresistíveis no ar. Tem problemas de continuidade e um enredo sem muita coesão, mas empolga com os excelentes números musicais, os momentos mais tocantes e intimistas, e os coadjuvantes bem realçados (a Sue de Jane Lynch dispensa comentários, e a cheerleader Brittany também anda roubando as atenções). Quem gosta dessa aqui também pode curtir “Greek”, um drama despretensioso e bem humorado da ABC Family.

“United States of Tara” apresentou uma evolução fantástica em relação à sua primeira temporada, que já tinha sido boa. Agora está mais lapidada em suas tramas paralelas e mais focada no trauma que causou a doença da protagonista. Toni Collette continua brilhando. Aplausos também para Rosemarie DeWitt, que está fazendo por merecer o título de melhor coadjuvante da TV no papel da irmã Charmaine.

Dentre as sitcoms tradicionais, “How I Met Your Mother” e “The Big Bang Theory” se mantém minhas favoritas. A primeira teve um centésimo episódio legendário, cujo clímax foi um número musical liderado por Neil Patrick Harris. A segunda, apesar de concentrar todas as suas piadas em características primárias dos personagens, se sustenta pela presença de Jim Parsons, hilário como o cientista Sheldon. “The New Adventures of Old Christine”, que eu acompanhei por cinco temporadas, está chegando ao fim, mas reconheço que não fará falta. Julia Louis Dreyfus faz uma protagonista engraçada, mas não compensa a preguiça do roteiro.

“The Good Wife” foi a melhor estreia dramática, também com a melhor atriz da categoria, Julianna Margulies. Finalmente Glenn Close, que se despediu de Patty Hewes com o ótimo encerramento de “Damages”, encontrou uma adversária à altura nas premiações (curiosamente, também uma personagem do cenário jurídico). “Damages”, aliás, conservou o posto de melhor elenco da TV, favorecido ainda pelas adições de Campbell Scott e Martin Short. Igualmente talentoso é o time de “Friday Night Lights”, série teen muito verdadeira que não falhou em arrebatar na quarta temporada, mesmo tendo dispensado quase todo o elenco original. Por outro lado, “House” teve um início de temporada incrível, no qual Hugh Laurie deu show. Mas em linhas gerais, caiu na mesmice em quase todos os episódios seguintes.

Tivemos o episódio final de “Lost” dividindo opiniões, depois de uma sexta temporada cheia de irregularidades (estou entre os que gostou do desfecho, como você leu no meu post especial). Também chegaram ao fim “Nip/Tuck”, que estava longe de ser o que fora nas temporadas iniciais, e “Ugly Betty”, que conseguiu recuperar neste quarto ano um pouco do pique do início. Apesar de ter durado pouco, “Dollhouse”, criada pelo ídolo Joss Whedon (de “Buffy – A Caça-Vampiros”), teve um final decente, considerando o tanto de informação que tiveram de comprimir para explicar tudo em tempo.

Algumas séries acabaram só para mim. Larguei “Breaking Bad” porque apesar da excelência da produção – e do grande Bryan Cranston desempenhando o papel principal – estava me cansando da trama como um todo. Também não insisti em “Caprica”, spin-off da saudosa “Battlestar Galactica”. O Piloto foi promissor, mas o episódio seguinte já escancarou a falta de substância do plot e dos personagens. Dei mais um adeus à “Gossip Girl”, que ficou intragável e repetitiva nesse terceiro ano, e à chatice de “Brothers & Sisters”. Larguei ainda “Grey’s Anatomy” no início de Janeiro, mas assisti o final da temporada por recomendação dos fãs e, surpresa, foi primoroso! Logo botei em dia os capítulos que perdi – alguns fazem jus à canastrice que me fez desistir da série, e outros conseguiram me envolver e me tocar. As cotações completas você confere na página Séries 2010.

O que ficou faltando mencionar?

Categorias:TV
  1. markhewes
    26 maio 2010 às 6:00 am

    Ah eu gostei do final de Lost, mas não tanto quanto o final dessa temporada de Grey’s Anatomy. E apesar do fim de Nip/Tuck não ter sido ótimo ou excelente, eu achei satisfatório, não fizeram nada que pudesse prejudicar a trama, ainda bem. E não me diga que Damages acabou porque a tristeza bate, nada de renovar pra uma quarta temporada mesmo né? Glee continua boa. House só vi a terceira temporada. Supernatural eu preciso ver um dia e as outras eu não acompanho.

  2. markhewes
    26 maio 2010 às 6:02 am

    Gostaria que você assistisse The O.C., por mais que não goste ou coisa assim, faz um esforço, eu fiquei tão satisfeito com a última temporada e com o tempo você acaba querendo fazer parte da família Cohen. Está longe de ser espetacular e bla bla e eu sei disso, mas ao contrário de Gossip Girl, acho que teve uma última temporada divertida e gostosa de assistir.

  3. markhewes
    26 maio 2010 às 6:06 am

    Sem falar que a trilha sonora é bacana!

    • 26 maio 2010 às 12:04 pm

      Mark, nem se escuta mais falar na possibilidade de Damages ser renovada. Acho que terminou de vez, mas se for esse o caso, teve um final perfeito e redondinho. Sobre The O.C., não acho que vá acontecer. Já vi alguns episódios isolados da série e simplesmente não me desce rsrs… E acho que a trilha sonora tb é discutível. Tipo, tem uma cena super famosa do final da season 2, que termina com um tiro, onde eles colocaram Hide and Seek da Imogen Heap tocando no fundo. A canção não tinha NADA A VER com o momento, e por isso rendeu uma paródia hilária do Saturday Night Live!

  4. 26 maio 2010 às 2:56 pm

    cruzes, é muita série que vc vê. metade do que vc listou nunca vi e metade dessa metade é pq detesto (aham, eu vivo pela máxima ‘não vi, não gostei’). não su-por-to Big Bang Theory e ODEIO o Sheldon; não aguento Ugly Petty, detesto 30 Rock e abomino Old Christine.

    daí que fico feliz qdo essas coisas acabam, pq eu nem sei pq começaram.

    de resto, Supernatural, Greici e Lost, meus trigêmeos. gostei do final dos 3, e fico tranquila qto à espera pela volta de dois (oh.my.god.lost.acabou.pra.sempre).
    tô aqui pensando quando é que começo a baixar o Dexter todo… é a próxima série que eu já tinha pensado em ver.

    tem alguma coisa que eu deveria ver? (não vou ver Buffy, sorry. E gosto da idéia de Dead Like Me, que eu achava ótimo qdo passava, mas tb não vi tudo).
    =*

  5. Adriano
    26 maio 2010 às 3:23 pm

    Louis, tu também não ficou com a impressão, assistindo aos episódios de Grey’s que “te tocaram”, que o problema atual da série é o roteiro? Se o problema (para mim, pelo menos) já foi os personagens terem perdido o rumo ou terem se tornado insuportáveis, atualmente me parece que estão todos tendo atitudes que (até certo grau) são compatíveis com um ser humano e não me irritam pela falta de verossimilhança. Agora, o roteiro às vezes (e com mais frequência do que eu gostaria) estraga tudo! Cenas sem inspiração, com diálogos que me dão náusea de tão patéticos, com casos médicos menos inspirados ainda e com relações extremamentes forçadas com o que está acontecendo com os personagens; ao passo que quando eles acertam a mão parece que tudo dá certo, os diálogos são divertidos ou dramáticos na medida, assim como os casos médicos, que se relacionam de forma mais sutil com os personagens.
    Enfim, apesar de volta e meia eu me perguntar “por que eu ainda assisto a esta porcaria?”, eu ainda dou crédito à série e espero que a sétima (e deus queira que última) temporada seja digna da série que já foi a minha absoluta favorita.

    • 27 maio 2010 às 8:11 am

      Quéroul, com exceção de 30 Rock, que pelo menos no começo era fucking awesome, eu super entendo porque você não gosta dessas outras séries que você citou. Muitas delas eu só vejo por hábito, porque os episódios duram apenas 20 minutos e são inofensiva. Mas posso viver sem numa boa. Acho super digno baixar Dexter porque as duas primeiras temporadas foram animais, mas a série teve a terceira e a quarta temporadas sonolentas. Só se recuperou no final dessa última, e ainda assim não sei se o quinto ano será promissor. Sou mais baixar Six Feet Under, Sopranos ou The Wire! Dito isso, eu super recomendo Buffy, minha série do coração!🙂 Beijo.

      Adriano, sem dúvidas o grande problema de Grey’s está no roteiro. O elenco é muito bom, e se surge constrangido de vez em quando, é porque o texto não dá melhores oportunidades. Na maioria das vezes, os personagens são obrigados a agir como crianças, ou no máximo adolescentes de colegial. Eles pesam a mão também na fórmula “pacientes-metáfora que ensinam uma lição para os médicos” e no uso mal dosado do humor. Dito isso, acho que eles chegaram perto de se encontrar em vários momentos. Quem sabe isso não prevaleça pela sétima temporada?

  6. markhewes
    27 maio 2010 às 3:53 pm

    Ah que pena, porque a quarta temporada foi bem diferente das três primeiras, haha. Mas seu blog está lindo com o novo visual!

    • 28 maio 2010 às 3:55 am

      Ah, mas aturar três temporadas ruinzinhas por uma boa não dá, vamos combinar rsrs… E que bom que gostou do layout! o/

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