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A Bridget Jones do Brasil

“Não era pra ser”. É assim que Fernanda, uma solteirona na faixa dos trinta e cinco anos, encara uma decepção amorosa atrás da outra. Com essa frase-padrão, a protagonista de “Os Homens São de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou” lida com os términos de relacionamentos que só existem na cabeça dela. Afinal, os homens com que ela se envolve tendem a vê-la mais como um caso de uma noite só, já que por mais que Fernanda se esforce, não consegue evitar a transa logo no primeiro encontro.

De certa forma, a personagem criada por Mônica Martelli, autora do texto e intérprete do monólogo, se assemelha muito à heroína contemporânea Bridget Jones, que fez sucesso no romance em forma de diário escrito por Helen Fielding, e mais adiante numa adaptação do livro para os cinemas. Ambas tem problemas com a aparência – Fernanda se acha alta e desengonçada, e Bridget vive em guerra com a balança -; ambas tem familiares que vivem tentando lhes arranjar um partido – Fernanda é empurrada pelas tias, e Bridget pela mãe -; e ambas descontam suas frustrações em doses exageradas de tabaco. Só se diferem na ambientação. Enquanto Bridget tem hábitos e comportamentos indissoluvelmente britânicos, Fernanda é uma brasileira autêntica. E as mulheres desse país afora devem se identificar com cada aspecto do texto, repleto de piadas inspiradas e bem distribuídas.

Nem mesmo onde poderia soar machista a peça ofende – afinal, por mais empenhada que Fernanda esteja em encontrar um homem para dividir a vida, ela se recusa a renunciar partes de si própria em função desse parceiro. Prefere encarar com inabalável bom humor mais uma frustração do que continuar segurando uma alça de caixão. É, enfim, um relato autêntico e fácil de relacionar com as experiências do público – o que explica porque o monólogo está em cartaz desde 2005, tendo viajado para uma porção de lugares e acumulado mais de 1 milhão de espectadores. Bastante agradável e nunca cansativa, a peça erra apenas nas mudanças de ato, quando precisa enrolar com a trilha sonora e a iluminação baixa enquanto a atriz troca o figurino. Nada, porém, que torne o programa menos desfrutável.

.:. Os Homens São de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou. Direção: Victor Garcia Peralta. Texto e Interpretação: Mônica Martelli. 14 anos. Teatro Shopping Frei Caneca, Rua Frei Caneca, 569. Sexta e sábado às 21h30; domingo às 18h00. R$ 60,00 (sexta e domingo) e R$ 70,00 (sábado).Até 27/06/2010. Cotação: A-

Categorias:Teatro
  1. 25 maio 2010 às 11:30 pm

    Esse é o tipo de peça que eu NÃO assistiria! Beijo!

  2. Caroline®
    26 maio 2010 às 1:24 am

    Ainda bem que eu assisti à peça há tempos atrás, quando estava namorando e bem contentinha. Realmente a peça é muito boa, espirituosa e cheia de contexto, desde que vc não seja mulher sozinha perto dos (ou pós) 30 anos. Se for alta (como a Monica Martelli e como eu), pior ainda. Fui com uma amiga “avulsa” (que ainda mantém a condição…), e ela até hoje não se recuperou psicologicamente. Como disse a Kamila, neste momento, é o tipo de peça que eu NÃO veria.

    • 26 maio 2010 às 2:26 am

      Ka, jura?? Pois eu acho que você gostaria MUITO da peça, que não tem nenhum dos preconceitos que pode aparentar a uma primeira vista. Beijo!

      Caroline, jura que você ficaria mais arrasada se visse a peça estando solteira? Acho que as mulheres nessa condição tem que encarar a vida com bom humor – e saber que a pessoa certa vai aparecer quando você menos espera, justamente no momento que não estiver procurando. Em geral, achei até bastante otimista!😉

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