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Supernatural, o season finale

Quando estreou em 2005 no extinto canal WB, “Supernatural” foi um sucesso de público, e desde se transferiu no ano seguinte para o novato CW até o término desta quinta temporada, se manteve como um dos maiores êxitos da emissora. Não tem a audiência na casa das dezenas de milhões, mas para as proporções do canal, e considerando que a esmagadora maioria do público – dentro e fora dos Estados Unidos – costuma acompanhar a série por meios alternativos, totaliza seguidores suficientes para ser considerado um dos programas mais cultuados do planeta.

Isso explica porque foi renovado para uma sexta temporada, apesar do criador Eric Kripke sempre insistir que planejou o plot para se distender por apenas cinco. O final da quinta, exibido essa semana nos Estados Unidos, deixa isso bem evidente. É o último episódio de Kripke como “show runner” – a partir daí, a equipe de roteiristas será comandada por Sera Gamble, que filtrará as ideias e definirá os rumos a serem tomados (Kripke mantém o cargo de produtor executivo). Algo parecido, e no mesmo período de tempo, aconteceu em “Buffy – A Caça-Vampiros”, quando a mente por trás do projeto, Joss Whedon, se afastou após o término do quinto ano. Arriscado: por mais que os fãs – eu inclusive – salivem à espera de uma nova temporada, é muito perigoso estender um show para além de sua data de validade. A chance de perderem a mão é muito grande, e exemplos não faltam (“Gilmore Girls” é um dos casos mais tristes, de uma série bacana que descambou ao ponto de ficar quase inassistível).

Seja como for, Gamble garante que essa sexta temporada vai começar com a ficha limpa, com a série voltada para a sua essência – a relação dos irmãos Dean e Sam, caçando demônios por todos os cantos do país. Dá para entender porque o início fresco: neste último capítulo da quinta temporada, Kripke aproveitou para colocar todos os pontos finais que gostaria. E isso bastou para me comover além da conta. Chorei em mais de uma ocasião, e achei especialmente bonita a estrutura narrativa, através da qual o Chuck (autor dos livros “Supernatural”, baseado nas aventuras de Sam e Dean) relembra a trajetória dos irmãos sempre tendo como ponto de referência o Impala (carro de Dean e elemento mais recorrente da série). Teve um indelével clima de despedida, de canto de cisne (aliás, o episódio foi entitulado “Swan Song” em inglês).

Só que numa análise mais racional e menos emocional, eu condenaria alguns pontos – o principal deles sendo a ressurreição coletiva. No episódio, praticamente todo mundo morreu e todo mundo ressuscitou. O anjo Castiel e o amigo e mentor Bobby, por exemplo, partiram dessa para uma melhor e retornaram logo em seguida. Por mais que fosse doloroso nos despedir deles, preferia que tivessem continuado mortos. Não gosto quando uma série envolve tantos personagens numa ampla margem de segurança – se soubermos que nada de terrível pode acontecer com eles, tudo se torna bem menos emocionante (e já basta termos a garantia de que Sam e Dean vão ser trazidos de volta não importa quantas vezes morram).

Sam, aliás, foi finalmente possuído por Lúcifer e levado junto dele para as profundezas do Inferno – mas é outro que retorna nos segundinhos finais, não se sabe em que estado. Seria ele mesmo? Ainda está com o Capeta em si? Foi modificado pelo sangue de demônio que teve de beber? Essas perguntas serão respondidas na temporada seguinte, e é bem provável que nem os roteiristas saibam das respostas a essa altura. O gancho deve ter sido improvisado para não deixar a impressão de desfecho definitivo. A verdade é que eu espero mesmo que seja apenas o Sam, e não o Samifer – sem ofensas, mas o Jared Padalecki é um ator muito limitado, e não dispôs de todas as emoções quando teve de contracenar consigo mesmo na frente do espelho (ora representando Sam, ora representando Lúcifer).

Não fiquei necessariamente chocado ao descobrir que Chuck, o profeta que baseia seus livros em Sam e Dean, é na verdade Deus. Nunca tinha me passado pela cabeça que pudesse ser ele, mas a temporada dedicou pouco tempo ao mistério “Onde Deus está?” ou “Estaria ele entre nós?” para que a notícia fosse recebida com sensacionalismo. A revelação veio de maneira sutil, eficiente, edificante. Aliás, se há algo a condenar nessa (em geral excelente) quinta temporada é como tudo ficou muito corrido nessa reta final, com a história dos anéis dos quatro cavaleiros e do Sam dizendo “Sim” ao Lucifer e o contendo no seu corpo. Poderiam ter distribuído isso melhor, até porque tivemos muitos episódios de pura enrolação (os chamados fillers) enquanto a trama maior permanecia adormecida, e sem razão aparente.

Melhor sorte no próximo ano! O fato é que não sei o que esperar dos da próxima temporada, e de repente isso é bom. Ou não.

Categorias:TV
  1. 18 maio 2010 às 12:29 pm

    eu ficaria satisfeita com esse final. também fico com medo quando as coisas são estendidas, mesmo após algo que feche bem a história.
    e chocada aqui fiquei eu, que nem me liguei do Profeta ser Deus, hahaha. e como eu gosto daquele moço.

    e o Padaleki é bem ruinzinho, sempre foi, coitado… mas é que ele orna muito com o Jensen – esse sim, merecedor do Oscar da Gostosura e outros prêmios técnicos : P – mas até achei que ele se esforçou pra fazer o ‘embate’ Sam x Satanás.
    e eu amo Castiel mais que a vida… mesmo na parte tensa, na hora de matar o povo, eu ri demais. os roteiristas perdem a personagem mas não perdem a piada. medo do que pode acontecer daqui pra frente.

    meu Namorado sempre se arrebenta de chorar com Supernatural. essa coisa de irmãos, pra ele, é muito forte. dessa vez eu nem chorei, mas gostei bastante. não fui a maior fã da quinta temporada, mas queria, de verdade, que essa season finale fosse o último episódio da série.
    =***

    • 18 maio 2010 às 1:42 pm

      Quéroul, Supernatural, como diria o antigo locutor da Warner, é uma série que me faz “sentir”. Acho lindo o vínculo do Sam e o Dean, me emociono bicas com a dedicação de um ao outro – e poucas vezes isso ficou tão evidente quanto nesse episódio, que soube me pegar pelo estômago. Achei um desfecho digno e ficaria satisfeito se fosse o término definitivo – mas tb estou soltando fogos por saber que ainda teremos mais uma temporada fresquinha. E a química entre os atores é excelente, ainda que isoladamente eles não sejam tão bons! Beijo😉

  2. Tiago
    18 maio 2010 às 2:29 pm

    Eu também não gostei dessa ressurreição coletiva, quando ambos morreram em praticamente uma tacada só eu ja estava “OMFG!” mas ai perdeu a graça, de qlq forma gostei muito do desfecho.
    Acho que o Sam volta demoniado mesmo, no começo acho que super será fake, ele do bem ai conforme for passando ele vai se revelando… AHAHAHAHA juro isso foi bem clichê né? Mas se vão dar continuidade espero que pelo menos sejam originais em alguns pontos.

  3. Mark
    18 maio 2010 às 4:49 pm

    Tão triste quando uma série planejada para apenas uma quantidade de temporadas se estende. Eu já notei uma grande queda na sexta temporada de Buffy e talvez seja por isso que você disse no post, eu não sei exatamente o que aconteceu, mas acho que nem precisa saber pra notar quando uma série começa mostrar sinais de queda de qualidade. Gostaria de ver Supernatural e espero que a série não se torne uma coisa sem fim como aparenta a nova Smallville que hoje pra mim é inassistível.

    • 19 maio 2010 às 3:55 am

      Tiago, acho que o Sam volta como ele mesmo, já que a nova show runner prometeu começar o show do zero, encerrando essa trama dos anjos que pertencia ao Kripke! Só espero uma boa justificativa para essa ressurreição, e que ele tenha sido impactado de alguma maneira por essa ida ao inferno!

      Mark, Buffy teve uma queda sim, mas ainda se manteve uma das melhores séries do seu momento. Prefiro acreditar que o mesmo vá acontecer com Supernatural, e que eles vão jogar a toalha muito antes de se aproximarem da calamidade que é Smallville.

  4. markhewes
    20 maio 2010 às 4:28 pm

    Louis, se acabar na sexta ou sétima temporada eu acredito que tenha chance de continuar uma das melhores séries no ar, caso contrário podemos temer o futuro da série.

    • 21 maio 2010 às 6:14 am

      Mark, acho coerente isso que você disse… Mas não sou ganancioso, por mais que comemore o fato de Supernatural ter mais uma (ou duas) temporadas, vou reconhecer quando for a hora de parar! LOL

  5. Bárbara :)
    27 maio 2010 às 10:50 pm

    Essa última temporada eu não assisti nenhum episódio, mas não me contive e li esse post para saber que rumo levou a série. Preciso ver logo esses episódios! Sobre Gilmore Girls: eu adorava a série até que ela virou uma bosta =/ Smallville pra mim tb é inassistível. Acho legal Supernatural continuar porque adoro a série, só espero que não tenha o mesmo destino que Gilmore Girls, Supernatural etc e tal.

    • 28 maio 2010 às 4:04 am

      Bárbara, vale muito a pena retomar Supernatural! Essa quinta temporada foi sólida e quase tão boa quanto a segunda. E também torço muito para que os novos roteiristas não se percam na trama…

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