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O fenômeno de Chico Xavier

Não sou uma pessoa espirituosa, mas respeito e admiro a trajetória de Chico Xavier, o mais famoso médium do Brasil, que estaria comemorando neste ano o seu centenário (faleceu em 2002, aos 92 anos). Extremamente generoso e bem resolvido, seguia sua doutrina com respeito às demais religiões, se esquivando de ganhos pessoais e da desdenha dos descrentes. Era tão bem amado que sua biografia, em cartaz nos cinemas brasileiros desde o início de Abril, tem sido sucesso absoluto de público.

Mais um crédito para Daniel Filho, que tem dirigido os filmes nacionais mais rentáveis de cada ano, sempre com o aval da Globo Filmes (ano passado estourou com “Se Eu Fosse Você 2”). Daniel tende a fazer filmes populares com mais cara de novela do que de cinema, mas aqui teve autocontrole para fazer um longa que, apesar de não ser excepcional, segue escrupulosamente as convenções de uma cinebiografia. O orçamento farto permitiu uma primorosa reconstituição de época, a seleção de um elenco excelente e um resultado bastante profissional, no padrão das biografias estrangeiras.

Como a vida de Chico foi sinônimo de pureza, bondade e dedicação (o filme deixa implícito que ele nunca teve uma relação sexual, por exemplo), não há muito o que ser visto além dele psicografando cartas de espíritos, crescendo e angariando seguidores na sua cidadezinha, e ignorando as acusações de que era um charlatão. Para adicionar conflito, há uma trama paralela envolvendo um casal que perdeu o filho (Cristiane Torloni e Tony Ramos), drama que corre tangencialmente a uma entrevista que Chico deu à TV Tupi e que é muito bem reencenada.

O protagonista é interpretado em três fases por Matheus Costa (quando criança, época em que sofria nas mãos de ferro da madrinha), Ângelo Antônio (que mesmo não sendo um rapaz, consegue convencer a partir desta fase) e Nelson Xavier (muito bem caracterizado como Chico, com quem aliás não tem parentesco). Uma boa e interessante opção, mesmo para quem não é religioso e para quem anda ressabiado com o cinema brasileiro.

.:. Chico Xavier (Nacional, 2010, dirigido por Daniel Filho). Cotação: B+

Categorias:Cinema
  1. Mark
    12 maio 2010 às 6:48 pm

    Eu tenho um grande interesse por espiritismo, até porque conheço uma pessoa que é espirita e já sei algumas coisas sobre. Então é um filme que tenho interesse em ver.

    • 12 maio 2010 às 10:21 pm

      Mark, não tinha interesse pelo tema, e aprovei o fato de que o filme não tenta converter ninguém. A vida de Chico por si só já é bem rica e interessante!

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