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Mães-coragem

Seja ou não um golpe do comércio, o Dia das Mães dá aos filhos a oportunidade de louvar as mamães que tanto fizeram – e fazem! – por eles. Selecionei alguns longas que assisti recentemente e que tratam justamente desse vínculo emocional, que dizem ser mais forte do que qualquer outro. Para passar o Domingo bem acompanhado:

* Mother (Madeo, 2009, dirigido por Joon-ho Bong): Uma película sul-coreana densa e ocasionalmente arrebatadora, exibida na Mostra de São Paulo do ano passado e em salas limitadas a partir deste ano. Na trama, a mãe do título faz de tudo para tirar o filho da cadeia. O rapaz é acusado do assassinato de uma garota, mas é deficiente mental, e não pode se defender porque não se recorda do exato momento em que o crime foi cometido. A polícia, querendo mostrar serviço, o pega como bode expiatório, encerrando o caso com base numa evidência circunstancial. Cabe à mulher, então, sair em busca da verdade numa tentativa desesperada de fazer justiça. Essa investigação amadora vai testar todos os limites da personagem, que do primeiro ao último instante, reforça o amor genuíno e incondicional que uma mãe nutre pelo filho. Mas é realmente impressionante a resistência desse amor. Ele a faz enfrentar situações de extremo perigo, sobrevive à reviravoltas espantosas (muito bem elaboradas pelo roteiro) e leva a Mãe a uma acelerada desagregação moral. O resultado é uma narrativa intensa ou até mesmo lancinante, com todos os elementos no seu devido lugar (por exemplo, os personagens apresentados como meros figurantes, para depois serem resgatados com maior importância, e sempre de forma coerente). Preparem-se também para um leque de atuações irreparáveis, em especial a da matriarca. E a fotografia, fiquem avisados, é de cair o queixo, num padrão de beleza exclusivo do cinema oriental. Imperdível! Cotação: A+

* Orações Para Bobby (Prayers for Bobby, 2009, dirigido por Russel Mulcahy): Este telefilme do Lifetime rendeu à Sigourney Weaver indicações ao Emmy, SAG e Globo de Ouro. Fala sobre as Igrejas que se dizem capazes de curar a homossexualidade com sessões de oração e terapia convencional – o que é revoltante. Nessa história real, Weaver interpreta uma mãe religiosa que insiste para que o filho adolescente faça parte desse grupo de cura depois que o menino se assume gay. Sem conseguir reprimir seus impulsos naturais, o garoto, Bobby, acaba se jogando de uma ponte e se matando. Só depois dessa tragédia a mãe vai conhecer a fundo outros homossexuais, se livrar de seus preconceitos e reavaliar a fé cega que a fazia interpretar a Bíblia de forma literal. Hoje essa mulher é uma das maiores ativistas americanas pelos direitos dos gays. É uma bela interpretação de Sigourney, sua melhor em uma década, desde “O Mapa do Mundo”. E não estranhe algumas opções do filme – são todas coerentes para uma produção feita para a TV, mesmo aquelas que parecem exageradas e caricatas. O resultado é relevante, importante e emocionante. Cotação: A+

* Réquiem Para Um Sonho (Requiem for a Dream, 2000, dirigido por Darren Aronofsky): No comecinho da década passada, Darren Aronofsky, um cineasta que reafirmaria ao longo dos anos sua imensa inquietude e inventividade, fez este filme forte, chocante e perturbador, sem que nenhuma das opções para atingir esse resultado parecesse gratuita ou aproveitadora. Contando com um elenco formidável – no qual se inclui Ellen Burstyn, numa das maiores atuações femininas recentes -, Aronofsky retrata o fundo do poço reservado aos dependentes químicos (mesmo àqueles que, como a personagem de Burstyn, se viciam na droga involuntariamente). Ainda que não seja centrado na relação mãe-filho, o filme descontroi esse laço com um pessimismo e brutalidade poucas vezes vistos no Cinema. Ao final, não sobra um pingo de esperança e dignidade a nenhum dos personagens, mas o sonho da mãe – de encontrar o filho intacto, sóbrio e bem-sucedido, enquanto ela própria se irradia de felicidade – é preservado com uma sinceridade quase impiedosa. Triste e inesquecível. Cotação: A+

E a você? Qual filme sobre o vínculo mãe-filho mais te marcou?

Categorias:Cinema
  1. 10 maio 2010 às 8:45 pm

    Voce finalmente comentou sobre Requiem para um sonho que é um dos meus filmes preferidos. Concordo com tudo o que voce disse. Os outros dois eu ainda não vi mas vou me informar melhor e procurar.

    PS: Sua mãe deve seorgulhar muito de ter um filho como você!🙂

  2. markhewes
    10 maio 2010 às 11:43 pm

    Já me indicaram Orações Para Bobby e quero muito ver. Réquiem Para Um Sonho eu vi e adorei, principalmente a trilha sonora. Hope Overture do Clint Mansell é top 5 das minhas músicas preferidas.

    • 10 maio 2010 às 11:50 pm

      Ô Jô, obrigado pela consideração!🙂 Saiba que minha mamãe é leitora assídua do blog rsrs… Quanto a Réquiem, já tinha comentado sobre ele, e também sobre a performance de Ellen Burstyn, na minha lista de melhores da década publicada no final do ano passado. É mesmo um filmão, mas os outros dois que eu citei também são relevantes ao tratar da relação entre mães e filhos!

      Mark, acho que você ia gostar de Orações Para Bobby. E a trilha de Réquiem é mesmo um capítulo à parte. MA-RA-VI-LHO-SA!!!

  3. Lucas
    11 maio 2010 às 8:58 pm

    Eu assisti Réquiem e me chocou muito, é um ótimo filme e a trilha é realmente incrivel…

    • 12 maio 2010 às 10:21 pm

      Lucas, é um dos filmes mais chocantes que eu já vi. A meia hora final é arrebatadora!

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