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Preguiça de Tim Burton

Para minha imensa surpresa, descobri que estou acima do tititi mundano que rodeia a estreia de “Alice no País das Maravilhas” nos cinemas brasileiros. Dispensei a oportunidade de assistir ao longa em seu lançamento oficial no IMAX de São Paulo – uma maratona que se iniciou à meia-noite de Quarta-feira (21) e se estendeu por toda a madrugada. Soube que alguns fãs do diretor Tim Burton compraram ingressos para todas as sessões seguidas!

Meu desinteresse, se é que se pode chamar assim, foi gradual. Assim que as primeiras imagens de “Alice” caíram na internet, fiquei entusiasmado (as postei aqui no blog, inclusive), esperando por coisa boa. Afinal, mesmo não suportando os livros de Lewis Carroll e considerando a animação original da Disney bem chatinha, confiava – e confio! – no bom gosto do diretor e na subversão que ele prometeu fazer em cima do conto original. Mas o teaser que seguiu essas imagens foi um balde de água fria. Primeiro porque a identidade visual do filme, que deveria ser seu ponto forte, não ficou bem destacada, e em seguida porque a Alice era tratada como uma mera coadjuvante frente à presença do Chapeleiro, interpretado pelo parceiro habitual de Burton, Johnny Depp. E olha que a menina que conquistou a personagem-título é bem talentosa – chama-se Mia Wasikowska, e mostrou serviço na série da HBO “In Treatment”.

Essa parceria constante de Burton e Depp rendeu algumas obras inesquecíveis, outras nem tanto. Ultimamente estão me dando certa preguiça. Erraram com a refilmagem de “A Fantástica Fábrica de Chocolates” e com o musical “Sweeney Todd”, e por algum motivo, “Alice” parecia estar mais próximo desses lapsos que dos acertos. A estreia internacional só reforçou a má impressão. A crítica recebeu com frieza e mesmo o público não pareceu ludibriado (embora tenha comparecido em massa aos cinemas, contribuindo para uma bilheteria polpuda). Seja como for, o fato é que os filmes de Tim Burton, com seus visuais mirabolantes e fantasiosos, já exerceram um fascínio muito maior em mim.

Ele merece aplausos por ser um dos poucos diretores do mundo a conseguir criar um mundo próprio, um universo particular com elementos idiossincráticos que volta e meia resgata. Por outro lado, são pertinentes as críticas de que não tem fluência na narrativa, ou de que parte de suas obras caem no esquema “muita forma para pouco conteúdo”. Espero estar enganado e, quando finalmente conferir “Alice”, me emocionar com a mesma facilidade com que fui tocado por “Edward Mãos-de-Tesoura” e “Ed Wood”.

Categorias:Gente
  1. 22 abril 2010 às 3:59 pm

    vou te falar que também não sei o que me aconteceu… quero dizer, eu acho que até sei. o caso é que também não me empolguei com Alice, desde que vi as fotos naqueeeela época; quando vi o trailer em 3D eu meio que tive muita vontade de assistir – e vou, semana que vem – mas por causa do 3D mesmo, porque a verdade é que estou broxada com a dupla Burton/Depp.
    diferente do que vc disse, acho o maior-acerto-do-mundo a Fábrica de Chocolates, que é um dos filmes que eu mais amo. Sweeney Todd eu odiei e não vi – ouvia de longe as musiquinhas e entrava em sofrimento com cada uma. acho que a partir daí a magia da dupla já tinha me esgotado por completo.
    mas quem mais me fez começar a ter nojinho de Burton é aquela infeliz da mulher dele. eu nunca gostei da Bonham Carter, desde ‘Uma janela para o amor’ que eu tenho pavor dela, e isso só foi crescendo. quando eu vi essa desgraça como aquela Rainha de Copas pavorosa, eu não quis nem me interessar pelo filme. acho que a atriz estraga tudo que faz (odeio o que ela fez com a Belltrix Lestrange, por exemplo).
    boooooooom… e o tempo né? gosto de muito do que Burton fez, mas acho que cansou um pouco; e o Depp de repente começou a virar – na minha opinião – um ator de um papel só.
    eu gosto muito dele, mas hoje eu quase nem fico mais brava com um amigo que um dia me disse que ele só escolhe papéis de acordo com a quantidade de rímel que ele tiver que usar…

    enfim. pra finalizar o gigante comentário, vou ver porque gostei do que vi no trailer em 3D, e vou aproveitar minha última oportunidade de usar a promoção do celular e comprar meia-entrada e ganhar mais uma. hahahaha.
    mas, fato: Burton tá dando uma preguiça imensa na humanidade…

    beijo, Louis!

    • 22 abril 2010 às 10:33 pm

      Quéroul, pobre Helena! huahuahuahua… Acho que ela cai como uma luva ao Tim Burton, já que os dois são totalmente excêntricos e esquisitos (mas tb acho que ela estava exagerada em Harry Potter). A parceria de Burton e Depp rendeu obras lindíssimas, mas anda me decepcionando. Claro que verei Alice eventualmente, mas não com aquela expectativa, aquela alegria primaveril, com que eu vi alguns anteriores do diretor. Beijo!!

  2. 22 abril 2010 às 11:44 pm

    Eu discordo um pouco do seu texto, especialmente no que disseste no último parágrafo. Acho que os filmes de Tim Burton conseguem equilibrar bem a forma ao conteúdo. Espero poder ver “Alice” neste final de semana, mas estou sem muitas expectativas. Quero me deixar levar pelo filme. Beijo!

  3. Jenson
    23 abril 2010 às 3:00 am

    Bom, não sou fã dele nem nada, inclusive acho seus filmes coisa de ‘produtor’ parece que ele sempre, só acrescente algo relacionada ao seu estilo um pouco ‘gotico’, principalmente esse que é da Disney. Depois do desastre por inteiro que foi Sweeney Todd, estou com o pé atrás quanto a este, por isso vou aguardar mais um pouco!

    • 23 abril 2010 às 4:12 pm

      Ka, nos melhores filmes do Burton eu tb fico com essa sensação, mas as vezes acho que ele não é tão feliz e fica devendo em conteúdo! Mas espero que Alice me deixe com impressão mais positiva. Beijo!

      Jenson, é mais ou menos o que eu penso também!

  4. 24 abril 2010 às 2:46 pm

    Heil Louis!
    Cara, conselho: não vá de forma alguma esperando adentrar o filme com a mesma intensidade que “Ed Wood” ou “Edward…” pq este “Alice…” não é nem metade do que esses filmes são. Adoro os livros de Lewis Carroll e a animação da Disney é uma das minhas preferidas, e desde o começo não botava muita fé nesse projeto de Burton pelos mesmos motivos que você ilustra em seu texto.

    Achei esse “Alice…” muito infantilizado. Só vai agradar mesmo às crianças e aos fãs fervorosos do estilo do diretor. Em poucas palavras: muita pompa, pouco conteúdo.

    =)

    • 25 abril 2010 às 11:48 am

      Hey Tom… Você só confirmou a má impressão que eu imaginava que teria, mas esperava não concretizar! =/

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