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Too little, too late

Lembram-se de quando Michael Moore levou o Oscar por “Tiros em Columbine” e foi vaiado ao mencionar em seu discurso que os Estados Unidos tinham invadido o Iraque por razões fictícias? Pois é. A esmagadora maioria dos americanos custou a acreditar neste fato que o restante do mundo – o Brasil inclusive – já desconfiava e até divulgava como verdade. Acreditavam invés disso no conto de carochinha disseminado pelo governo: de que estavam numa luta contra o Terror, libertando um povo sofrido do líder tirano e buscando armas de destruição em massa. O pivô da Guerra no Iraque, como já estamos carecas de saber, foi o petróleo abundante no solo do país – e toda a jornada do personagem de Matt Damon em “Zona Verde” para chegar a essa mesma conclusão soa quase risível para o espectador.

Também não fica muito claro como devemos encarar este novo longa de Paul Greengrass, que se reúne com Damon depois de conduzí-lo nos dois últimos capítulos da bem-sucedida trilogia “Bourne”. Foi vendido como uma fita de ação, para curtir sem compromisso, tal qual as aventuras de Jason Bourne. Mas vira e mexe se posiciona como um thriller político de pretensa seriedade, e muito menos nobre do que o marcante “Vôo United 93”, que Greengrass realizou em 2006 e por qual ganhou uma infinidade de prêmios. Isso não significa que “Zona Verde” seja ruim. Pelo contrário – tem um elenco legal (além de Damon, que dá um bom protagonista, estão em papeis secundários Greg Kinnear, Amy Ryan, o inglês Brendan Gleeson e o ótimo escocês Khalid Abdalla, visto em “O Caçador de Pipas”) e uma montagem competente dando liga à trama, que não carece de boas intenções. Só parece ter chegado tarde demais, reforçando um fato amplamente assimilado e sendo brando com o governo e mesmo com os soldados (será mesmo que ninguém ali além dos mais altos superiores tinha noção dos verdadeiros propósitos da missão?).

Ter seguido o unânime “Guerra ao Terror”, tido por muitos como o filme definitivo sobre o conflito, também não deve ter ajudado (“Zona Verde” desapontou em termos de crítica e de público). E não são apenas hipotéticas as comparações deste aqui com a obra de Kathryn Bigelow. Eles tem, por exemplo, o mesmo diretor de fotografia, Barry Ackroyd – e não é de se estranhar opções como a de manter a câmera na mão, seguindo os personagens por todo canto, a ponto de dificultar a compreensão do público. Quando bem utilizado, esse artifício pode se tornar o trunfo de um projeto, em especial quando a força das atuações conduz a narrativa (dessa maneira, os atores ficam mais vulneráveis, sem saber de que ângulo estarão sendo observados). Mas “Zona Verde” não é um filme de grandes papeis, visto que os esquemas dramáticos são nada além de superficiais. Logo essa opção se torna um capricho meramente estético, e é fácil identificar uma cena cuidadosamente fora de foco ou um zoom exagerado, mas proposital. Ou seja, sobra técnica e falta emoção. Falta também a reflexão política que o filme tanto promete e não corresponde.

.:. Zona Verde (Green Zone, 2010, dirigido por Paul Greengrass). Cotação: B-

Categorias:Cinema
  1. Frederik Lauridsen
    21 abril 2010 às 11:57 pm

    Entendo os seus motivos pra não dar uma cotação maior, mas eu achei do caralho! Greengrass é muito foda, pqp!!!🙂

    • 22 abril 2010 às 12:06 am

      Frederik, admiro muito o Greengrass mas pra mim ele não demonstrou a verve de United 93 e Ultimato Bourne com este projeto!

  2. Mayuri
    22 abril 2010 às 2:48 pm

    Esperava mais, acho que o filme ficou devendo …

  3. 15 junho 2010 às 9:06 pm

    Os efeitos visuais dess filme tão entre os melhores do ano.

    • 15 junho 2010 às 10:10 pm

      Sinceramente me lembro muito pouco do filme. O suficiente para saber que os efeitos não me deixaram grande impressão.

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