Início > Cinema > Uma Noite Quase Banal

Uma Noite Quase Banal

O título nacional de “Uma Noite Fora de Série” é bastante sugestivo. Afinal, a comédia é protagonizada por Tina Fey e Steve Carell, dois atores consagrados das séries de TV, e não por acaso, astros dos programas mais prestigiados da NBC (“30 Rock” e “The Office”, respectivamente). É uma maneira de convidar o público que já os conhece dali a prestigiá-los na tela grande. Só se esqueceram de mencionar que a qualidade do longa em questão é muito inferior aos seriados em que estamos acostumados a encontrá-los.

Tentaram também usar essas duas figuras populares para nos distrair do fato do diretor ser o medíocre Shawn Levy, que tem nos currículos os dois “Uma Noite no Museu”, a refilmagem de “A Pantera Cor de Rosa” e os ordinários “Doze É Demais” e “Recém-Casados”. A notícia boa é que, para um filme de Levy, “Uma Noite Fora de Série” fica acima da média. A ruim é que, para um projeto de Fey e Carell, o resultado é bem decepcionante.

Trata-se da história de um casal, preso numa dessas rotinas exaustivas das famílias suburbanas. Os dois madrugam por causa dos filhos, trabalham fora o dia inteiro e cuidam dos afazeres domésticos. Nessa correria, mal tem tempo um para o outro – por isso, uma vez por mês, contratam uma babá para cuidar das crianças, e saem para pegar um cinema ou jantar fora. Mas até essas noites se tornaram rotineiras e desinteressantes.

Com medo de terem chegado a um ponto crítico de seu casamento (e amedrontados pelos vizinhos que estão se divorciando), decidem fazer um programa diferente na esperança de reacender a chama. Vão até um restaurante chiquérrimo de Manhattan, mas como não tinham feito reserva, fingem ser um outro casal – e é aí que as coisas começam a ir de mal a pior (ou que eles se metem nas maiores confusões, como diria o narrador da Sessão da Tarde). Acontece que o casal de quem eles roubaram a reserva estava sendo perseguido pela máfia, e graças a um mal entendido, os dois infelizes acabarão na mira dos criminosos.

O roteiro de Josh Klausner passa por esses eventos como uma comédia de situações, aderindo aqui e ali elementos de thriller (sempre de maneira banal, sem empolgar). A maior parte das piadas desaponta, e as que rendem parecem dever mais à familiaridade de Fey e Carell com o gênero do que à inspiração do roteirista. Os dois tem química, de fato, mas por pouco fazem valer essa empreitada apática. Há ainda participações de Taraji P. Henson e Mark Walhberg, e em nada mais que pontas, James Franco, Mark Ruffalo e Kristen Wiig. Sugiro que esperem para ver no TeleCine daqui alguns meses.

.:. Uma Noite Fora de Série (Date Night, 2010, dirigido por Shawn Levy). Cotação: C-

Categorias:Cinema
  1. 17 abril 2010 às 2:30 am

    eu não tinha comentado no post da Tina Fey pq eu acho que eu venho aqui pra falar muito mal de algumas coisas, e isso é deselegante e eu não quero perder um amiguinho na net.
    mas eu.detesto.tina.fey. de verdade. mesmo sendo ‘dela’ o brilhante cheiroso e estupendo Mean Girls. aí que eu vi o trailer desse filme e nem me emotivei, mesmo tendo o Carell, que eu gosto deveras.:/

    mas achava que esse filme seria tragédia anunciada mesmo…

    e vi q vc chorou em cristo pelo 5×10 do Supernatural. eu acho que eu sei qual é, mas esqueci… é o da Jo e da mãe dela?
    se for, JESUS, que tristeza de episódio. lindo.
    =***

    • 17 abril 2010 às 8:38 pm

      Quéroul, quanto ódio no coração rsrs… Curto bicas a Tina, por sua participação em SNL, por seu roteiro genial de Meninas Malvadas e por 30 Rock. E ela parece ser bem legal como pessoa tb. Só acho que pode progredir ainda mais como atriz. Enfim, sou fã tanto dela quanto do Carell, mas essa união dos dois deixou MUITO a desejar. Sobre Supernatural, foi esse episódio sim que me desidratou. Triste, triste, triste! E agora alcancei os inéditos, viva!!!! o/

  2. 17 abril 2010 às 9:23 pm

    Louis, não é uma maravilha de filme, mas cumpre a sua proposta. Eu gostei e me diverti enquanto ele durava. Fora que adorei ver Tina Fey sendo realmente exigida em um longa, como atriz. Beijo!

  3. Jenson
    18 abril 2010 às 12:28 am

    Gostei do filme no geral, uma comédia ‘legal’ mas, como muitas outras.

    • 18 abril 2010 às 2:35 pm

      Ka, eu não consegui me divertir tanto quanto vc pq achei que poderíamos ter sido poupados de alguns momentos – como aquele em que os dois fazem uma dança erótica no poste. Tina é muito mais exigida como atriz de comédia em “30 Rock”, e seus momentos de maior humanidade e sensibilidade no filme são genéricos. Que tenha melhores oportunidades no futuro! Beijo.

      Jenson, é mais ou menos isso. Com o legal entre aspas rsrsrs…

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: